Recentemente, foi apresentada uma visão conjunta das partes interessadas em relação ao Projeto de Disposições sobre Compras Governamentais, que está atualmente sob análise do Tesouro Nacional para Transformação Constitucional. Os especialistas sugeriram estudar um sistema de apoio às compras mais descentralizado e responsivo, que poderia fortalecer as capacidades nos níveis provincial e municipal.
Aumento da acessibilidade e inclusão
O diretor geral do Instituto de Eficiência de Compras, Nduduzo Ngema, observou que tal abordagem contribuiria para melhorar o acesso de empresas locais, aprofundar a participação na economia rural e urbana, e criar um ecossistema de compras mais inclusivo e responsivo às necessidades do desenvolvimento local. Ele enfatizou, no entanto, que a descentralização deve ser acompanhada por mecanismos sólidos de supervisão, transparência e governança para proteger a integridade do sistema de compras.
Ngema foi um dos participantes do evento dedicado ao Projeto de Disposições sobre Compras Governamentais, onde todas as partes interessadas reconheceram que regras de compras governamentais excessivamente rígidas e centralmente controladas podem ser uma fonte de corrupção. Portanto, reconheceu-se a necessidade de implementar medidas de prevenção à corrupção nos processos de compras governamentais.
Papel estratégico das compras
As partes interessadas conjuntas declararam que a essência de sua proposta é que as compras governamentais devem ser vistas não apenas como uma função administrativa de aquisição de bens e serviços, mas como uma das ferramentas mais importantes do Estado para estimular a transformação econômica, a industrialização, a criação de empregos, a localização e a ampla expansão do desenvolvimento econômico negro. Adicionaram que, como as compras governamentais representam centenas de bilhões de randos de gastos públicos anualmente, a alocação desses recursos é de suma importância para o desenvolvimento empresarial, a participação econômica e o crescimento inclusivo.
As organizações interessadas saudaram os esforços do governo para modernizar o sistema de compras por meio da Lei de Compras Governamentais e dos Projetos de Disposições correlatos. As partes observaram que a base constitucional estabelece as compras como uma ferramenta de desenvolvimento capaz de promover igualdade substancial e participação econômica inclusiva. Elas também afirmam que a reforma das compras deve contribuir significativamente para resolver desigualdades estruturais, expandir a participação econômica produtiva e apoiar os objetivos de desenvolvimento de longo prazo da África do Sul.
Áreas de reforma
A apresentação conjunta abrange oito áreas temáticas. O primeiro tema é uma avaliação geral do projeto de disposições, identificando problemas estruturais relacionados a compras em desenvolvimento, localização, industrialização, desenvolvimento de empresas e fornecedores, bem como oportunidades para PMEs, cooperativas, empresas urbanas e rurais. O segundo tema aborda uma questão constitucional mais ampla sobre a aplicação de objetivos transformadores contidos na Seção 217 da Constituição e apela para um diálogo contínuo sobre a reestruturação da participação econômica em setores estratégicos.
O terceiro tema analisa o caminho das reformas de compras na África do Sul, incluindo o conceito de desenvolvimento delineado no Livro Verde de 1996 sobre reforma de compras governamentais, e avalia se as reformas atuais mantêm as aspirações originais. Os temas de Quatro a Oito examinam criticamente o sistema proposto de compras preferenciais, compras de infraestrutura, categorias estratégicas de compras (como viagens, alojamento, serviços jurídicos e arrendamentos), mecanismos institucionais de governança de compras e os métodos e procedimentos de compras propostos. Esses temas visam estimular uma discussão construtiva sobre se as disposições propostas fornecem instrumentos políticos adequados para acelerar o Desenvolvimento Econômico Negro Amplo, fortalecer a produção local, apoiar o desenvolvimento de fornecedores e promover o crescimento econômico inclusivo.
Comentários dos especialistas
O Comissário Tshediso Matona da Comissão BBEE afirmou que a África do Sul está realizando uma das reformas mais significativas de seu sistema de compras governamentais desde o início da democracia. Ele acredita que a Lei de Compras Governamentais e o Projeto de Disposições Gerais sobre Compras Governamentais oferecem a oportunidade de fortalecer a governança, aumentar a eficiência e modernizar a administração de compras no setor público. A Dra. Shewonn Henry, presidente do Comitê de Política e Pesquisa do Fórum de Gestão Negra, também salientou que as compras governamentais continuam sendo uma das ferramentas mais poderosas do Estado para promover a transformação econômica, apontando que o setor privado sul-africano permanece fortemente concentrado, enquanto o setor público continua a ser o principal empregador para profissionais negros e um caminho importante para empresas negras entrarem, crescerem e escalarem na economia, tornando as políticas de compras preferenciais indispensáveis.