Uma área em Marte exibiu um fenômeno que inicialmente sugeria a presença de ondas metálicas, mas que foi explicado como dunas gigantes de areia escura que adquirem um aspecto brilhante devido à camada de gelo presente na superfície.
Uma área em Marte exibiu um fenômeno que inicialmente sugeria a presença de ondas metálicas, mas que foi explicado como dunas gigantes de areia escura que adquirem um aspecto brilhante devido à camada de gelo presente na superfície.
Este cenário foi documentado pela sonda Mars Express, pertencente à Agência Espacial Europeia (ESA), especificamente na Cratera Kaiser, considerada uma das regiões mais antigas do planeta vermelho. A fotografia, obtida pela câmera High Resolution Stereo Camera (HRSC), abrange parte da Noachis Terra, uma área localizada no sul de Marte, caracterizada por impactos de asteroides ocorridos há cerca de quatro bilhões de anos.
A Cratera Kaiser é uma formação imensa, medindo aproximadamente 180 quilômetros de largura e possuindo profundidades de vários quilômetros. O local atrai atenção devido às dunas escuras dispersas em seu interior, algumas das quais superam a altura de 100 metros. Apesar da aparência incomum, estas estruturas não são compostas por metal; o brilho percebido pelos pesquisadores resulta de depósitos de gelo nas encostas voltadas para o sul, o que confere à areia um aspeto polido.
Os elementos notáveis observados incluem dunas escuras com um brilho reminiscente de metal, formações modeladas pelos ventos marcianos, areia rica em minerais de origem vulcânica e indícios de modificações passadas causadas pela água.
A região hospeda diversos tipos de dunas, como as barchans, que possuem formato de meia-lua, e as dunas transversais, mais alongadas. Tais padrões são observados também em desertos terrestres, como os encontrados no Saara e na Namíbia. De acordo com a ESA, os ventos dominantes nesta seção de Marte sopram vindos do oeste, movendo uma areia fina constituída por minerais como piroxênio e olivina, mantendo assim as formações em contínua alteração.
Adicionalmente às dunas, a imagem revelou vestígios que podem estar ligados à existência de água no passado. Em certos pontos, o vento removeu as camadas superficiais do solo, expondo rochas de argila que provavelmente se formaram em ambientes aquáticos.
A missão Mars Express opera desde 2003 e tem sido fundamental no mapeamento detalhado da superfície marciana, gerando modelos tridimensionais e imagens coloridas do planeta. A câmera HRSC foi desenvolvida e é operada pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR), contando com a colaboração de equipes científicas da Universidade Livre de Berlim.
Esta nova perspectiva da Cratera Kaiser corrobora que Marte ainda possui paisagens capazes de causar surpresa. As dunas cintilantes e as marcas deixadas pela interação entre vento e água auxiliam na compreensão de como o planeta evoluiu desde sua formação.
Pesquisadores identificaram vastas reservas de argila na área de Oxia Planum, em Marte. Este local foi selecionado pela Agência Espacial Europeia (ESA) para o pouso do rover Rosalind Franklin, parte da missão ExoMars.
Estes minerais têm o potencial de guardar registros de uma era em que Marte possuía grandes volumes de água, transformando a região em um foco primordial na procura por indícios de vida ancestral no planeta. As descobertas foram detalhadas em um artigo científico publicado na revista Science Direct.
A ESA segue avançando no desenvolvimento da missão ExoMars, cujo lançamento do rover Rosalind Franklin para Marte está previsto para 2028. O veículo deve aterrissar em Oxia Planum, uma depressão na superfície marciana onde os cientistas conjecturam que havia muita água no passado.
De acordo com a agência espacial, o rover empregará seus instrumentos para examinar o contexto geológico da área e determinar se as argilas conservaram provas de formas de vida que poderiam ter existido há bilhões de anos. Elliot Sefton-Nash, vice-cientista do projeto ExoMars, declarou em comunicado da ESA: “Usaremos os instrumentos a bordo para confirmar no terreno as descobertas feitas a partir da órbita, entender o antigo ambiente em que se formaram e verificar se preservam evidências de vida marciana. Calor e nutrientes em um antigo leito marinho marciano poderiam ter fornecido habitats para vida primitiva”.
A investigação sobre vida em Marte está intrinsecamente ligada à história do planeta. Os pesquisadores sugerem que a água superficial de Marte desapareceu há cerca de três bilhões de anos. Anteriormente, Marte provavelmente possuía uma atmosfera mais densa, com rios transportando água que desaguava em lagos espalhados pela superfície.
Devido a este histórico, muitos cientistas consideram razoável a possibilidade de o planeta ter sustentado algum tipo de vida em tempos remotos. Embora esta teoria ainda não esteja comprovada, no ano anterior, cientistas localizaram o que é hoje considerado a evidência física mais robusta de possível vida em Marte: uma bioassinatura.
O novo estudo demonstrou que os depósitos de argila encontrados em Oxia Planum não se limitam ao ponto de pouso do rover. A pesquisa indica que estes depósitos se estendem por aproximadamente 300 quilômetros, abrangendo uma área conhecida como Mawrth Vallis.
Para identificar esses minerais, os cientistas analisaram dados capturados por sondas em órbita de Marte, utilizando o instrumento OMEGA da sonda Mars Express, também da ESA, e o Mars Reconnaissance Orbiter, pertencente à NASA. A análise revelou camadas minerais tanto em Oxia Planum quanto em Mawrth Vallis, juntamente com indicadores de alterações na composição química da água ao longo do tempo. Tais achados corroboram resultados de pesquisas prévias que apontavam para a presença de água na história antiga de Marte.
Inés Torres Auré, autora principal do estudo e afiliada à Universidade de Lyon (França), comentou que a missão permitirá uma compreensão mais profunda sobre como esses depósitos se formaram. Ela afirmou no mesmo comunicado: “Ao pousar em Oxia Planum, revelaremos um processo em larga escala que moldou as argilas antigas por toda Marte”.
Jorge Vago, cientista envolvido no projeto ExoMars, ressaltou que a dimensão dos depósitos sugere que este evento não foi isolado. Ele explicou: “Como a área é muito extensa, não estamos falando de uma ocorrência localizada, mas sim de um processo regional ou global que teria exigido imensas quantidades de água. Estamos focando nos depósitos mais antigos da sequência, o que torna as implicações potenciais para a geologia e o clima primitivo de Marte muito relevantes para a missão Rosalind Franklin em sua busca por vida”.
Apesar de nenhuma missão ter confirmado vida fora da Terra, os pesquisadores enfatizam que, no contexto da vida terrestre, a água é um componente vital. Por isso, áreas que exibem sinais de antigos ambientes aquáticos continuam sendo locais de grande promessa para futuras investigações.
O rover Rosalind Franklin será lançado como parte do programa ExoMars da ESA e operará em colaboração com o Trace Gas Orbiter, que já orbita Marte. Uma característica distintiva do veículo é uma broca capaz de penetrar o subsolo marciano, possibilitando a análise de materiais abaixo da superfície, onde bioassinaturas podem ter permanecido preservadas por bilhões de anos, protegidas da radiação e das condições severas do ambiente marciano. A ESA considera que a ação combinada do orbitador e do rover aumentará significativamente as chances de detectar sinais de vida antiga no Planeta Vermelho.