De acordo com o Boletim MacroFiscal da Secretaria de Política Económica, emitido pelo Ministério da Fazenda (Finanças), os recentes impactos de preços de petróleo e de outras matérias-primas continuam exercendo pressão sobre os valores consumidos no Brasil.
Fatores de Pressão Inflacionária
O documento ministerial aponta que a inflação de alimentos se mantém como o principal motor de pressão, impulsionada pelo aumento de produtos frescos, leite, arroz e feijão. Além disso, a equipe econômica observa a persistência da inflação tanto em serviços quanto em bens industriais, mesmo com a expectativa de uma redução progressiva prevista para a segunda metade deste ano.
Riscos Climáticos e Geopolíticos
O Ministério da Fazenda alertou que um possível agravamento do fenômeno climático El Niño pode pressionar os preços dos alimentos ainda neste ano e representa um risco adicional para a safra de 2027. Em coletiva de imprensa, a Secretária de Política Económica, Débora Freire, destacou que «o principal risco é o hidrológico», capaz de elevar o custo da eletricidade no país. Freire esclareceu que, até o momento, o Ministério da Fazenda não está discutindo formas de mitigar os efeitos do El Niño.
Adicionalmente, os efeitos da guerra no Oriente Médio continuam a moldar as projeções inflacionárias, mesmo após uma queda temporária nos preços internacionais do petróleo durante o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O Ministério da Fazenda ressaltou, contudo, que a paralisação dessa trégua, após a data de corte das projeções, reacendeu os riscos para os custos de energia.
Análise Macroeconômica e Tarifas
A equipe econômica considera que o impacto do choque petrolífero já gerou consequências indiretas na inflação brasileira, afetando particularmente os preços de serviços e bens industriais por meio do aumento dos custos de produção e logística. Como mecanismos de controle inflacionário, o boletim menciona a manutenção da taxa básica de juros em patamar restritivo, a desaceleração da atividade econômica e ações destinadas a limitar a transferência do aumento de combustíveis aos consumidores.
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o boletim estima que seu impacto macroeconômico será contido. As medidas tarifárias anunciadas por Washington em junho de 2026, que ainda aguardam aprovação, incluem exceções para vários itens, o que deve manter o efeito agregado sobre a economia brasileira limitado. O governo brasileiro implementou medidas desde o ano anterior para expandir crédito, aumentar liquidez e diversificar mercados para os setores mais vulneráveis.
Projeções de Crescimento e Setores
O mercado norte-americano foi responsável por aproximadamente 11% das exportações brasileiras em 2025, correspondendo a menos de 2% do PIB antes da imposição tarifária. A avaliação da equipe econômica indica que o desvio de parte das vendas para outros locais compensou uma parte considerável dessas perdas. Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), a projeção de crescimento para a economia brasileira em 2026 foi mantida em 2,3%, embora haja previsão de uma retração na atividade no segundo trimestre, após um forte início de ano. Essa desaceleração é atribuída principalmente ao término do impulso gerado pela colheita recorde de soja, que impulsionou o setor agropecuário no começo do ano. A indústria também deve reduzir seu ritmo, passando de uma expansão de 1,2% para 0,8%, refletindo menor vigor da indústria extrativa e da construção, conforme análise da equipe econômica do Ministério da Fazenda.