Na Índia, existe um problema de dependência de equipamentos importados, sejam máquinas em fábricas, automação em hospitais ou armazéns. Esse equipamento é frequentemente caro para adquirir, lento para manter e inacessível para a maioria das empresas.
Criação de Robôs na Índia
A iHUB Robotics, fundada em Ernakulam, Kochi, em 2022, busca preencher essa lacuna produzindo robôs humanoides na Índia do zero: incluindo o chassi, os sistemas embarcados e a inteligência artificial que os controla.
A jornada da empresa levou sete anos. Três amigos do Kerala — Athil Krishna, Akhil K Haridasan e Sarat S — iniciaram pesquisas em robótica humanoide em 2018, estudando mecatrônica em Coimbatore, quando o ecossistema indiano mal conseguia sustentar tal trabalho.
Apesar disso, eles apresentaram suas ideias ao governo, submetendo propostas de defesa em 2019. Em 2020, tanto a Coast Guard Security (BSF) quanto o PMO responderam, sendo que a BSF solicitou uma demonstração. No entanto, a pandemia de COVID-19 ocorreu antes que pudessem criar um protótipo funcional, e a demonstração nunca aconteceu. Em 2022, eles retomaram o trabalho e lançaram oficialmente a iHUB, que é uma abreviação de Innovation Hub for Robotics, para transformar pesquisas em produtos prontos.
Desenvolvimento de Humanoides do Início ao Fim
O primeiro produto surgiu em 2024 — Tara Gen-1. Este é um robô de serviço semihumanoide capaz de falar mais de 100 idiomas, reconhecer rostos e gestos, conduzir diálogos significativos e se mover autonomamente pela sala usando a tecnologia SLAM (Localização e Mapeamento Simultâneos).
Ele é lançado em várias modificações: Tara Greet, Tara Learn e Tara Care, adaptadas para as necessidades de hospitalidade, saúde, educação, setor bancário e serviços públicos. Cerca de 35 dessas unidades já foram implantadas em três países. Em seguida, veio uma máquina mais pesada — Daksha, um humanoide industrial de uso geral, capaz de levantar cargas de até 25 kg e operar em alturas de oito a dez pés.
A base para ambos os robôs é o que a iHUB chama de IA física. Em vez da lógica 'texto para entrada — texto para saída' inerente aos grandes modelos de linguagem, seus robôs operam em modelos Visão-Linguagem-Ação, que conectam o que a máquina vê com a linguagem que ela entende e o movimento que pode executar.
A empresa cria todo o complexo de tecnologias: desde a fabricação e os sistemas embarcados até o ajuste fino dos modelos e o design, utilizando um local em Kochi, Kalamassery. Lá, um corredor de cerca de 24.000 pés quadrados permite que os robôs aprendam tarefas por repetição.
Essa integração vertical é uma vantagem chave, bem como uma política de preços que permite iniciar o uso dos sistemas a partir de aproximadamente US$ 10.000, significativamente abaixo do custo de humanoides importados. Em janeiro de 2025, a iHUB tornou-se a primeira empresa indiana selecionada para o Programa de Robótica Humanoide da NVIDIA.
Vendas Domésticas e Exportação
A iHUB vende principalmente seus produtos para empresas em setores como hospitalidade, saúde, educação, bancos, manufatura e logística, e também possui uma linha separada para os campos de defesa e segurança. A empresa assinou memorandos de entendimento com a EY Global e a SAP Alemanha, bem como com várias empresas indianas de TI e industriais.
A Tara Gen-1 foi exportada para os Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Atualmente, a empresa é financiada pelos lucros de projetos iniciais e protótipos, e não por grandes investimentos externos. Em março de 2025, ela atraiu 4,3 crore de rúpias em uma rodada de pré-seed funding de anjos de negócios americanos. Esses fundos serão usados para construir a maior fábrica de humanoides da Índia, segundo a descrição da empresa.
Os próximos planos incluem a expansão da produção, a obtenção de subsídios de pesquisa e a criação de um centro de P&D para humanoides industriais em Bengaluru, com planos de contratar mais de 150 funcionários em dois anos. Além do hardware, os fundadores pretendem estabelecer a Escola de Treinamento iHub para capacitar estudantes em robótica e IA.
O objetivo mais amplo, embora difícil de ser alcançado, permanece inalterado: a Índia deve produzir humanoides por conta própria, em vez de importá-los.