A ingestão de nicotinamida, que é uma vitamina PP, está estatisticamente associada à redução da probabilidade de desenvolver glaucoma de ângulo aberto em pessoas com pressão intraocular elevada. Esta conclusão foi alcançada por pesquisadores americanos após a análise de dados de prontuários médicos eletrônicos coletados de quase três mil pacientes.
Impacto no Tratamento e Patogênese
Além disso, a vitamina ajuda a diminuir a probabilidade de necessidade de tratamento local voltado para a redução da pressão intraocular, bem como diminui a necessidade de trabeculectomia a laser. Os resultados deste estudo foram apresentados na publicação JAMA Ophthalmology.
O glaucoma de ângulo aberto é caracterizado por um distúrbio no fluxo do humor aquoso, o que leva ao aumento da pressão intraocular e subsequente dano ao nervo óptico e outras estruturas oculares. Geralmente, os oftalmologistas prescrevem terapia para controlar a pressão, mas uma parcela significativa dos pacientes desenvolve neuropatia óptica.
Metabolismo e Prevenção
Pesquisas científicas recentes indicam que a disfunção metabólica da nicotinamida adenindinucleotídeo — um dos cofatores chave nos processos de oxirredução de todas as células vivas — pode ser a causa do desenvolvimento dessa doença. Este cofator participa de processos como glicólise, ciclo do ácido tricarboxílico e beta-oxidação de ácidos graxos. Por exemplo, a deficiência desta substância nas células ganglionares da retina pode causar um desequilíbrio no metabolismo energético.
Estudo de Coorte na Universidade de Utah
Para verificar o efeito preventivo potencial da intervenção nesta parte da patogênese, um grupo de pesquisa liderado por Iqbal Ayka Ahmed da Universidade de Utah conduziu um estudo de coorte, utilizando prontuários médicos eletrônicos de 2920 pacientes com pressão intraocular elevada. Os pesquisadores estudaram o impacto da administração sistêmica de nicotinamida (vitamina PP, vitamina B3), tradicionalmente usada para combater o pelagra, no risco de desenvolver glaucoma. Inicialmente, as características dos participantes foram cuidadosamente balanceadas em todas as variáveis após o procedimento de pareamento.
Durante o período médio de acompanhamento, que foi de 3,7 anos, o uso de nicotinamida correlacionou-se com uma redução na frequência de ocorrência de glaucoma de ângulo aberto. O diagnóstico foi estabelecido em 51 pacientes (3,5 por cento) no grupo que recebeu tratamento, em comparação com 132 pacientes (9 por cento) no grupo de controle (razão de risco de 0,34; p < 0,001), demonstrando uma redução absoluta de risco de 5,5 por cento. Também foi constatado que no grupo de nicotinamida havia menos pacientes necessitando de terapia local para reduzir a pressão intraocular (razão de risco de 0,57; p < 0,001).
A frequência de realização de trabeculectomia a laser, um método para melhorar o fluxo do humor aquoso através da rede trabecular, também foi menor no grupo de intervenção sistêmica com nicotinamida (razão de risco de 0,38; p = 0,003). Além disso, os indicadores de refração e a frequência de consultas oftalmológicas não mostraram diferenças entre os grupos estudados. As análises de sensibilidade realizadas confirmaram as relações identificadas anteriormente.
Conclusão e Próximos Passos
Os autores do estudo acreditam que a ingestão de nicotinamida pode servir como uma estratégia adicional acessível para prevenir o desenvolvimento de glaucoma de ângulo aberto em pessoas com alta pressão intraocular. No entanto, para a implementação prática deste método, são necessários ensaios clínicos prospectivos que confirmem sua segurança e eficácia.
Análise Adicional da Carga Global de Doenças
Vale ressaltar o trabalho de Yuanyuan Du da Universidade Médica de Chongqing e seus colegas da China, Singapura e Reino Unido. Eles analisaram dados da colaboração Global Burden of Disease (GBD) no período de 1990 a 2023. Suas conclusões mostraram um aumento constante na prevalência de infertilidade entre mulheres de 35 a 49 anos, com previsão de aumento de quase uma vez e meia até 2036. O trabalho utilizou o conjunto de dados GBD 2023, abrangendo 204 países e territórios, e com o auxílio de análise multinível de tendências e modelagem bayesiana, foi feita uma projeção até 2036. Esses resultados foram publicados no periódico The Lancet Obstetrics, Gynaecology, & Women's Health.