A peça 'Something Rotten!' demonstra que os musicais podem proporcionar prazer tanto ao público quanto aos atores. Ela celebra este gênero, pois os estudantes da Waterfront Theatre School apresentam números com grande entusiasmo no pequeno palco do Arena Theatre.
Enredo e Produção
O diretor Paul Griffiths provavelmente gostou de trabalhar com esses futuros artistas estelares. A ação da peça se passa em 1595 e narra a história de Nick Bottom, um dramaturgo inglês fictício, que está desesperado para ofuscar seu contemporâneo mais famoso, William Shakespeare.
O irmão de Bottom, Nigel, e ele próprio, Nick, tentam criar o próximo sucesso para o palco. Nick recorre ao sobrinho do famoso vidente Nostradamus — que leva o mesmo nome — para saber sobre o que escrever para alcançar o sucesso futuro.
Previsão e Conflito
A resposta recebida por Nick foi inaceitável para a época: musicais. Nostradamus prevê que peças em que os atores cantam seus diálogos se tornarão extremamente populares. Assim, uma luta irrompe entre Bottom e Shakespeare, repleta de caos e comédia.
O roteiro é espirituoso e faz referências a vários musicais, incluindo 'O Rei Leão' e 'O Fantasma da Ópera'. Os irmãos americanos Carey e Wayne Kirkpatrick começaram a trabalhar nesta ideia na década de 1990, e a estreia do musical ocorreu no teatro St. James em Nova York em 2015, após o que o espetáculo foi apresentado em muitos países.
Estreia na África do Sul
A Waterfront Theatre School apresenta sua estreia sul-africana. O Arena é um dos pequenos teatros do Artscape, o que permite que os atores atuem muito perto do público. Graças a essa proximidade com os artistas, toda a experiência se torna mais imediata. Griffiths garantiu uma transição impecável entre as cenas, alcançando a execução perfeita de cada movimento de dança e de cada nota.
Atuação e Temática
John Marshall, no papel do protagonista Nick Bottom, parece pronto para palcos maiores. Ele mantém a atenção do público e transmite os momentos maníacos, alegres e mais sérios da jornada de seu personagem, sem exagerar. Andrew Woods, no papel de Nostradamus, é, ao contrário, excêntrico em cada gesto e frase proferida; seu alcance vocal também é impressionante.
Lilita Sibonda transforma Shakespeare em uma superestrela moderna com ego inflado. Parece que Griffiths buscou inspiração para algumas cenas na imagem de um dos maiores showmen de música pop, Freddie Mercury. O corpo de baile também parece bem preparado, e é uma ótima maneira para os estudantes aprimorarem suas habilidades. Com figurinos luxuosos e maquiagem criativa, eles encarnam uma história sincera.
No centro de tudo está uma boa história. Embora a peça possa se passar em 1595, já que foi escrita séculos depois, sua inclinação feminista a torna notavelmente progressiva. A esposa de Nick, Bea, decide procurar emprego para sustentar sua família em dificuldades, que em breve incluirá um recém-nascido. Bea lembra ao marido na canção 'don't be a sexist pig', e depois se disfarça de homem para conseguir um emprego.
Pensamentos do Diretor
Griffiths observou que, para seus alunos, esta peça representa um 'próximo passo natural na conversa contínua... sobre identidade, autenticidade e autoconhecimento, porque o sucesso raramente é alcançado fingindo ser outra pessoa'. Ele acrescentou que 'está em uma jornada muitas vezes difícil, mas profundamente útil, de se tornar mais você mesmo.'