Na calçada da Rua Che Guevara, em Durban, centenas de refugiados têm vivido por quase dois meses após fugirem de violência xenófoba alegada. Ao discutir suas experiências com a publicação IOL, eles relataram as condições de vida insuportáveis e a violência enfrentada.
Condições de vida e pedidos dos refugiados
Entre as pessoas que vivem no acampamento improvisado está Raymond Ramsey, um homem de 36 anos da República Democrática do Congo (RDC). Ele relatou que ele e centenas de outras pessoas não têm moradia adequada há semanas. Ramsey afirmou que o único pedido do grupo é que o governo forneça um local seguro para morar.
Tchomba Kasongo, de 51 anos, observou que as circunstâncias atuais prejudicaram seriamente seu estado físico e mental, pois ele permanece longe de sua família. Ele contou ter sofrido após um tiro alegado e teme por sua segurança. Kasongo acrescentou que, desde que foi ferido na perna em uma delegacia de polícia no centro de Durban até hoje, ele se sente mal e sente perda de sanidade.
Ameaças e medos
Em registros obtidos pelo IOL, o homem alerta Kasongo de que sua vida estaria ameaçada, pois pessoas estão procurando por ele. Nesses mesmos registros, afirma-se que existem indivíduos pagos para procurar refugiados ou migrantes. Kasongo compartilhou que recebeu uma ligação de que algumas pessoas estavam procurando por ele para matá-lo, e que elas sabiam onde ele havia deixado seus pertences.
Ele enfatizou que a incerteza o forçou a viver em medo constante e a se preocupar com a família que teve que deixar para trás. A campanha Siyafana Sonke expressou profunda preocupação com a situação dos refugiados.
Crise humanitária e status dos refugiados
Os refugiados afirmam ter sido expulsos de suas casas à medida que a crise humanitária em Durban se aprofunda. A campanha declarou que os refugiados reconhecidos foram forçados a deixar suas residências, apesar de terem status legal. Eles alegam ter sido ameaçados e perseguidos por pessoas que se diziam interessadas nos interesses sul-africanos, o que os forçou a se mudar para espaços públicos sem comida, medicamentos ou abrigo.
A organização observou que a crise é agravada por problemas socioeconômicos mais amplos. Ela apontou que grupos de ódio estão usando o descontentamento das camadas mais pobres da África do Sul, direcionando-o contra os mais vulneráveis. A campanha ressaltou que centenas de refugiados legais, muitos deles famílias com crianças pequenas, estão nas ruas de Che Guevara e precisam de abrigo de emergência, enquanto grupos de autodefesa continuam despejos e perseguições ilegais.
A organização esclareceu que as pessoas na calçada procuram proteção temporária, e não moradia permanente. Ela explicou que as crianças e adultos na Che Guevara são refugiados reconhecidos que não podem retornar aos seus países de origem devido a perseguições e conflitos, e estão sendo novamente expulsos das áreas onde viviam.
Alerta sobre desinformação
Entretanto, o Serviço de Assistência Social para Refugiados alertou sobre a disseminação de informações falsas relativas à ajuda oferecida aos refugiados deslocados. Este serviço refutou o boato sobre a concessão de assistência de aluguel de três meses. Eles explicaram que a informação falsa cria dificuldades adicionais para pessoas vulneráveis e que não possuem recursos para fornecer tal apoio. O serviço pediu ao público que verifique as informações antes de divulgá-las.


