A Associação Nacional de Fabricantes de Componentes Automotivos e Empresas Afins (NAACAM) insiste que o governo obrigue os fabricantes internacionais de automóveis a aumentar a participação de conteúdo local nos veículos montados na África do Sul para 60%.
Problemas do Plano Mestre
Atualmente, o Plano Mestre Automobilístico Sul-Africano (SAAM) 2035 está sendo revisado, pois com o ritmo atual é extremamente improvável que ele atinja a meta estabelecida de aumentar o conteúdo de produção local para 60%, o que deveria criar 224.000 empregos.
Posição da NAACAM
O diretor executivo da NAACAM, Renay Mutilial, declarou em entrevista ao representante do sindicato MISA, Fakimile Khlubi-Majole, que a localização é a alavanca mais eficaz para estimular a economia interna, criar empregos e desenvolver habilidades locais, visto que a produção de componentes gera o maior emprego na cadeia de valor da indústria automotiva.
Mutilial citou o Brasil, Tailândia e Turquia, onde os governos impõem condições obrigatórias aos fabricantes originais de equipamentos (OEM). Nessas regiões, o cumprimento dos requisitos de localização estabelecidos pelo estado não é uma opção, mas uma condição para a venda de carros.
Ele enfatizou: «Não devemos pedir desculpas por isso. A localização garante efetivamente que você obtenha um valor agregado significativo dos OEMs. O padrão global de localização é de 60%. Na África do Sul, estamos presos em 40%, e merecemos mais. Os OEMs na África do Sul recebem muito apoio do governo e da classe trabalhadora. Sentimos que devemos ser decisivos. 60% é a meta no Plano Mestre».
Na opinião de Mutilial, essa meta existe apenas no papel e carece da vontade política necessária para garantir seu alcance.
Apoio dos Sindicatos e Opinião Especializada
A MISA, o principal sindicato da indústria de varejo automotiva e representando 79.000 membros, apoia o ponto de vista da NAACAM. O sindicato observou que a criação de empregos dignos e sustentáveis está no centro do Plano Mestre.
O diretor executivo de operações da MISA, Martle Kater, afirmou em um comunicado que «não é infundado exigir dos OEMs que produzem localmente e recebem incentivos significativos do governo que assumam o compromisso de criar empregos de produção reais».
Marin Firi, diretora da Oxyon People Solutions, observou no início deste ano que as marcas chinesas de automóveis lideram o mercado de veículos elétricos (VE) em todo o mundo e pretendem permanecer na África do Sul. No entanto, segundo ela, a oportunidade reside em encorajar essas marcas a utilizar empresas existentes, trabalhadores locais qualificados e fornecedores locais.
Isso permitiria passar da importação de carros para sua produção local, o que está alinhado com os objetivos de crescimento da indústria verde. Firi acrescentou que a localização da África do Sul dá acesso aos mercados sul-africanos sem tarifas dentro da Zona de Livre Comércio Continental Africana, e os acordos comerciais abrem portas para a Europa e além. Com uma cadeia de suprimentos confiável, o país pode se tornar uma base para a produção de VE, se a política apoiar isso.
No entanto, Firi apontou que os custos de produção na África do Sul são mais altos do que na China. Embora os recentes incentivos fiscais para investimentos em veículos de combustível de hidrogênio e VE sejam um bom começo, é preciso mais. «Precisamos de descontos para empresas que contratam moradores locais e cumprem as regras de conteúdo. Além disso, deve haver financiamento para a modernização das fábricas e para ajudar os fornecedores na transição para peças de VE. Sem um plano de redução de custos, os investimentos irão para outros países», declarou Firi em seu comunicado.