Na XVIII Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo do Mercosul, Santiago Peña anunciou o início das negociações sobre um acordo de livre comércio com o Japão. Ele destacou que este processo é um passo histórico, abrindo portas para uma das maiores economias mundiais, e fortalece a posição do Mercosul na direção asiática.
Posição dos líderes e objetivos do acordo
O líder paraguaio enfatizou que os japoneses são bons amigos e melhores aliados para o bloco, pedindo o avanço do diálogo. Ao se dirigir aos colegas do Brasil, Uruguai, Bolívia, Equador e Chile, Peña expressou esperança em uma cooperação contínua.
A declaração do Mercosul indicou que este acordo permitirá às partes expandir o acesso aos mercados de produtos agrícolas e não agrícolas, além de fortalecer a cooperação mútua e os investimentos, integrando as cadeias de valor entre ambas as economias.
Contexto e acordos anteriores
Os diálogos, iniciados em dezembro do ano passado após a assinatura do Acordo de Parceria Estratégica (APE) Mercosul-Japão, confirmaram que, em um cenário internacional instável, as partes cooperarão para garantir a segurança econômica e alimentar. Essa cooperação inclui a diversificação das cadeias de suprimentos em setores estratégicos como minerais críticos, energia, tecnologia e agronegócio.
O APE unirá a zona de livre comércio para cerca de 400 milhões de pessoas com um Produto Interno Bruto (PIB) agregado de US$ 7 bilhões (613 bilhões de euros). Já o Japão faz parte do grupo dos dez principais parceiros comerciais do Mercosul, realizando um volume de comércio de US$ 13,7 bilhões em 2025.
Outras iniciativas comerciais do bloco
Anteriormente, em 20 de dezembro, os presidentes do Mercosul anunciaram na cúpula de Foz do Iguaçu (Brasil) o início das negociações para alcançar preferências alfandegárias com o Vietnã. Pouco depois, em 17 de janeiro, o bloco assinou um acordo com a União Europeia (UE), que abriu uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores e quase um quarto do PIB mundial.
Além disso, o Mercosul está negociando acordos comerciais com os Emirados Árabes Unidos e Canadá, Reino Unido, Indonésia e Malásia, e também discute a expansão do acordo de preferências alfandegárias com a Índia.
Prioridades do Uruguai no âmbito do Mercosul
O presidente do Uruguai, Yamandu Orsi, declarou na cúpula que, durante sua presidência temporária no Mercosul, a prioridade será a implementação prática dos acordos comerciais recentemente celebrados, com foco especial no acordo com a UE e o EAEU. O Uruguai pretende realizar a primeira reunião do Conselho Comercial sobre o acordo provisório e convocar o primeiro fórum de negócios Mercosul-UE.
Orsi também observou que, durante seu mandato, o Uruguai trabalhará para concluir as negociações com o Canadá e os Emirados Árabes Unidos, bem como promover os assuntos com a Índia e o Vietnã. Ele expressou confiança de que, nos próximos meses, o bloco alcançará um 'contato cada vez mais sólido com o Japão'.
O presidente ressaltou que o Uruguai defenderá a criação de um 'bloco mais moderno, mais dinâmico e mais aberto ao mundo', que, acima de tudo, 'traga resultados concretos aos seus cidadãos'. Ele acrescentou que o Mercosul foi criado não para suprimir interesses privados dos membros, mas para 'transformá-los em força', observando que a integração exige confiança e geração de oportunidades, e não apenas consenso. Também foi destacada a importância da integração transfronteiriça para facilitar a vida dos moradores da fronteira. Ao final do discurso, Orsi expressou solidariedade à Venezuela e reconheceu o trabalho dos órgãos de gestão de riscos dos países do bloco na coordenação da ajuda conjunta.