Um grande estudo conduzido por cientistas britânicos estabeleceu a ausência de uma relação significativa entre o uso de anestesia epidural durante o parto e o desenvolvimento de distúrbios neurológicos em bebês. Além disso, a aplicação deste tipo de analgesia não afeta a probabilidade de sepse nem a taxa de mortalidade dentro de 28 dias.
Mecanismo de Ação e Preocupações
A anestesia epidural é reconhecida como o método mais eficaz para alívio da dor durante o parto. Além de aliviar o sofrimento da mãe, ela facilita uma transição mais suave para a anestesia geral necessária para uma cesariana. Supõe-se que a analgesia ajuda a reduzir o estresse da parturiente, prevenindo a liberação de cortisol e catecolaminas, hiperventilação e diminuindo o suprimento de oxigênio ao feto.
Apesar das vantagens óbvias, existe preocupação sobre o potencial impacto negativo da anestesia na saúde das crianças. Como a analgesia pode causar queda na pressão arterial, piorar a perfusão materno-placentária e afetar o ritmo cardíaco do feto, muitas mães continuam a questionar o possível dano aos recém-nascidos, mesmo que os dados observacionais indiquem a segurança do método.
Condução do Estudo de Coorte
Um grupo de pesquisadores liderado por Rachel Kerns, do Royal Hospital of Glasgow, realizou um estudo de coorte populacional para investigar a ligação entre a anestesia epidural e desfechos adversos em recém-nascidos. A amostra incluiu 495.695 parturientes com gestação de um único feto, cujo parto ocorreu entre 24 e 43 semanas, seja vaginal ou por cesariana de emergência. De um total de mulheres, 114.897 receberam anestesia epidural.
Resultados da Análise Estatística
A análise estatística não revelou correlação (risco relativo ajustado de 0,87) entre o uso de analgesia epidural e um risco aumentado de complicações neurológicas graves. Tais complicações incluíram encefalopatia hipóxico-isquêmica, meningite, encefalite, convulsões neonatais, hemorragia intraventricular, leucoaraiose periventricular, icterícia, asfixia ao nascer ou quaisquer outras doenças cerebrais manifestadas até o 28º dia de vida.
Além disso, a anestesia epidural não esteve associada a outros estados graves em recém-nascidos, como trauma obstétrico, acidose ao nascer, lesão do plexo braquial, hipoglicemia, hipotermia, síndrome do desconforto respiratório ou pneumotórax.
Os cientistas também não encontraram ligação entre a analgesia e o aumento do risco de sepse neonatal ou obtenção de pontuação baixa na escala de Apgar aos cinco minutos. O risco de morte infantil nos primeiros 28 dias de vida e o desenvolvimento de paralisia cerebral infantil também não dependiam deste método. No entanto, na análise de subgrupos, foi constatado que em casos de parto prematuro, a anestesia epidural ajudou a reduzir a probabilidade de pontuação baixa na escala de Apgar aos cinco minutos (risco relativo ajustado de 0,59). O método de parto, em geral, não teve um impacto significativo nos resultados obtidos.
Conclusões para a Medicina
Os pesquisadores acreditam que os dados obtidos devem servir de base para convencer tanto pais quanto profissionais de saúde sobre a segurança do uso da anestesia epidural durante o parto para as crianças. Esses resultados permitirão tomar decisões mais ponderadas na escolha dos métodos de alívio da dor.