O WhatsApp declarou que as alegações de que os usuários podem reservar nomes populares ou conhecidos são falsas. A plataforma enfatizou que a reserva de nomes de figuras públicas conhecidas está disponível exclusivamente para os proprietários legais dessas contas.
Contexto do problema dos nomes de usuário
Esta declaração foi feita no âmbito de uma série de perguntas frequentes (FAQ) publicadas pela Meta, proprietária do aplicativo WhatsApp. O recurso de nomes de usuário gera controvérsia devido a preocupações relacionadas a fraudes e falsificação de identidade.
Reação do Regulador da Índia
Na quarta-feira, o Centro da Índia enviou uma notificação à Meta sobre um recurso planejado no WhatsApp. A notificação expressou preocupações de que este recurso poderia aumentar significativamente o número de fraudes online, phishing, esquemas de prisão digital e ataques de falsificação de identidade. O regulador exigiu a suspensão da implementação deste recurso até que as consultas sobre o assunto fossem concluídas e satisfizessem o Governo.
A Índia é um mercado chave para o WhatsApp, onde mais de 500 milhões de usuários utilizam este aplicativo de mensagens. Algumas personalidades conhecidas usaram recentemente a plataforma X para expressar preocupação após descobrirem que a maioria das variações de seus nomes já havia sido ocupada durante a fase atual de reserva de nomes de usuário.
Exemplos de Preocupação dos Usuários
O ex-vice-ministro de Assuntos de Delhi, Manish Sisodia, publicou uma mensagem no X, expressando surpresa com o fato de que «quase todas as variações» de seu nome e de seu partido AAP pareciam já ter sido reservadas. Outros, como o CEO da MobiKwik, Bipinpreet Singh, também descobriram que versões próximas de seus nomes estavam ocupadas no início do período de reserva de nomes de usuário.
Posição do WhatsApp na Proteção dos Usuários
Especialistas e usuários acreditam que o novo recurso de nomes de usuário do WhatsApp pode desencadear um aumento em fraudes, spoofing e esquemas financeiros. Em sua notificação, o governo expressou preocupação de que o recurso pudesse «aumentar significativamente» os casos de fraude online, phishing, esquemas de prisão digital e ataques de falsificação de identidade, permitindo que criminosos atraíssem e entrassem em contato com vítimas. Exigiu que a Meta explicasse por que não deveria tomar medidas de acordo com a Lei de Tecnologia da Informação e os regulamentos relativos ao novo recurso do WhatsApp, que pode contribuir para crimes cibernéticos.
O Centro também lembrou à Meta que o WhatsApp, sendo um intermediário significativo nas redes sociais, tem o dever de cumprir as obrigações de devida diligência de acordo com a Lei de Tecnologia da Informação e os regulamentos. Em resposta, o WhatsApp emitiu uma declaração na quarta-feira defendendo o recurso, citando os mecanismos de proteção contra fraudes e falsificação de identidade integrados destinados a proteger os usuários.
Mecanismos de Funcionamento do Recurso
Um representante do WhatsApp informou que a funcionalidade de nome de usuário ainda não foi ativada e será implementada gradualmente mais tarde este ano. Ele esclareceu: «Para nos protegermos contra falsificação de identidade, reservamos os nomes mais conhecidos — como figuras públicas, instituições governamentais, celebridades, contas verificadas da Meta — para que apenas os proprietários legais possam reivindicá-los, e também reservamos derivados semelhantes de nomes conhecidos». A Meta acrescentou que os usuários ainda precisam de um número de telefone para usar o WhatsApp e que a empresa implementou vários níveis de proteção contra fraudes no sistema de nomes de usuário.
A empresa também informou que «outros usuários precisam saber o nome de usuário exato para entrar em contato com você. Limitaremos o número de novas pessoas com quem uma conta pode entrar em contato, bloquearemos tentativas repetidas de adivinhar a chave do nome de usuário e criaremos sistemas para detectar e remover atividades que demonstrem padrões comuns de falsificação e abuso». O WhatsApp exibirá se o remetente é uma conta nova, um contato, um membro de um grupo geral ou se está em outro país antes que os usuários respondam.
Posição dos Grupos de Defesa dos Direitos Humanos
No entanto, o Internet Freedom Foundation (IFF) expressou preocupação com a carta do Centro, afirmando que a notificação do WhatsApp não possui uma base legal clara. Este grupo de defesa dos direitos digitais observou: «É uma tentativa do poder executivo de decidir o que uma empresa pode criar e lançar, o que nenhuma lei permite». O IFF também escreveu nas redes sociais: «A notificação trata o lançamento de um recurso legítimo como um erro que a empresa deve justificar. Isso muda a posição usual, especialmente considerando a ausência de qualquer força legal clara. O MeitY não cita nenhuma disposição que lhe permita aprovar um recurso do produto antes do lançamento ou exigir sua retirada, porque não há tal, e as disposições apresentadas não conferem tal autoridade».