O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os Estados Unidos seriam conhecidos como o 'Guardião do Estreito de Ormuz' devido à escalada de tensões entre os EUA e o Irã.
Ações militares e bloqueio
Os Estados Unidos iniciaram a terceira noite de ataques militares contra o Irã. O presidente Donald Trump planejava restaurar o bloqueio aos portos iranianos na terça-feira e propôs impor uma taxa de 20% sobre as cargas no vital Estreito de Ormuz.
Apesar dos ataques, Trump afirmou que alcançar um acordo com a República Islâmica ainda era possível. Isso ocorreu depois que o Irã atacou duas embarcações em uma rota marítima estratégica, resultando na morte de um membro da tripulação, segundo os Emirados Árabes Unidos.
As forças armadas dos EUA relataram que sua missão de cinco horas atingiu alvos em todo o território iraniano, incluindo as cidades costeiras de Bushehr e Bandar Abbas, com o objetivo de 'reduzir a capacidade do Irã de atacar navios comerciais'. Após esses ataques, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou ter lançado mísseis e drones contra Bahrein, visando um prédio residencial onde estavam forças dos EUA, bem como outros alvos.
Ameaças e consequências econômicas
Na segunda-feira, a Casa Branca, Trump declarou: 'Esta noite nós os atacaremos fortemente, e amanhã nós os atacaremos fortemente'. Seu anúncio sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz veio após ataques dos EUA e do Irã de uma escala sem precedentes desde o cessar-fogo de abril no conflito do Oriente Médio, aumentando as dúvidas sobre a possibilidade de uma paz definitiva.
O Irã começou a bloquear o estreito após ataques dos EUA e Israel em fevereiro, o que provocou o bloqueio dos portos de Teerã por parte de Washington. No entanto, as restrições enfraqueceram após as partes concordarem com um acordo preliminar em junho.
Na segunda-feira, Trump informou que os Estados Unidos 'assumiriam' o controle do estreito e imporiam uma cobrança de 20% sobre todas as cargas que passam por ele. Esta declaração gerou ridicularização pelo Irã e acusações de 'pirataria'. O comando dos EUA no Comando Central (CENTCOM) declarou que os portos iranianos nesta rota marítima seriam bloqueados das 20:00 GMT de terça-feira.
Os preços do petróleo subiram drasticamente mais de nove por cento na segunda-feira devido aos temores de reinício do conflito, e subiram novamente mais de um por cento na terça-feira. O petróleo Brent foi negociado a US$ 83 por barril na manhã de terça-feira.
Expansão do conflito e diplomacia
Teerã lançou ataques contra outros aliados dos EUA na região, incluindo a Jordânia, que relatou o abate de quatro mísseis lançados pelo Irã. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que seus ataques foram direcionados às forças dos EUA em uma base aérea e pediu aos jordanianos que apresentassem uma 'exigência séria pela remoção das bases americanas de ocupação da região'.
Esses ataques ocorreram depois que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou ataques na segunda-feira contra Bahrein, Jordânia, Kuwait e Omã. O Irã insiste que visa apenas os interesses dos EUA no Golfo Pérsico, mas seu analista militar afirmou que qualquer cooperação dos países do Golfo com os Estados Unidos seria considerada um 'ato de guerra'.
Trump notificou formalmente o Congresso sobre a retomada do conflito militar contra o Irã na semana passada, conforme confirmado pela Casa Branca à agência AFP, concedendo ao Pentágono mais 60 dias para operações na região sem aprovação do Congresso. Além das medidas no Ormuz, o presidente dos EUA também ameaçou destruir o Monte Peakex, um local nuclear subterrâneo perto de Natanz, onde a inteligência ocidental suspeita que o Irã esteja criando uma instalação de enriquecimento não declarada.
Ele disse ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt: 'Diga aos iranianos para estarem preparados. Deixe-os saber que estamos indo (e) que eles não podem fazer nada a respeito'. Trump também publicou no Truth Social uma declaração de que os Estados Unidos seriam 'conhecidos como 'GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ'' e imporiam uma taxa de 20% sobre todas as cargas transportadas por esta rota marítima. Ao mesmo tempo, Trump esclareceu que 'todos os outros países terão uso justo e aberto do estreito'.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu sarcasticamente no X que Trump estava 'absolutamente certo' de que o garantidor de passagem segura deveria receber compensação, mas Teerã pegaria menos. Ele observou: '20% é claro demais'. Washington se opõe veementemente ao desejo de Teerã de cobrar tarifas no estreito, o que geralmente é proibido pelo direito internacional.
Possibilidade de resolução
Apesar de todos os sinais do contrário, Trump declarou na segunda-feira que um acordo com Teerã para acabar com a guerra ainda era possível. Um representante do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Bakaei, havia informado na segunda-feira que o memorando de entendimento de junho, que servia de base para negociações e levantamento do bloqueio dos EUA, estava 'em crise'. Bakaei acrescentou que o Irã ignoraria seus compromissos no acordo se Washington fizesse o mesmo, mas também informou que Teerã continua negociando com mediadores do Catar, Paquistão e Omã para evitar uma escalada adicional. Bader Al-Saif, pesquisador do Chatham House, sugeriu que a intensificação dos ataques apenas adiará um acordo permanente, pois 'ambas as partes querem pôr fim ao impasse em seus próprios termos, e está ficando cada vez mais difícil para elas fazer isso'.