Moradores do assentamento informal Gate 7 em Cidade do Cabo protestam pela insuficiência de serviços. O autor do artigo destaca que conceitos como 'responsabilização' e 'gestão de consequências' são cruciais para melhorar os resultados da auditoria municipal.
Resultados da Auditoria de 2024–2025
Em 24 de junho de 2026, a Auditora-Geral da África do Sul, Tsakanani Maluleke, apresentou um relatório consolidado refletindo os resultados da auditoria para o período de 2024–2025, no cumprimento do seu dever constitucional. Uma das principais observações da auditora foi que a sexta administração, cujo mandato terminou em maio de 2024, não conseguiu alcançar a melhoria desejada na autogovernança local. Isso constituiu uma séria acusação de incapacidade do governo de tomar medidas contra funcionários desonestos.
No relatório da auditora, foi particularmente notável que apenas 39 municípios receberam uma opinião limpa de auditoria, representando apenas 15% de todos os 257 municípios do país. Este índice foi inferior aos 41 municípios que receberam uma opinião limpa no relatório anual anterior.
Problemas nas Grandes Cidades
A Auditora-Geral expressou especial preocupação com o fato de os resultados da auditoria de 2024–25 demonstrarem um declínio acentuado nos municípios capitais em todo o país. As auditorias limpas em Cidade do Cabo, eThekwini e Joanesburgo foram insuficientes para dar esperança de melhoria na situação. Problemas como a ausência de conduta ética e conflitos de interesse afetaram os resultados da auditoria.
Anteriormente, o Município do Cabo foi frequentemente citado como exemplo de gestão municipal eficaz. O Presidente Cyril Ramaphosa provocou um debate acalorado ao reconhecer que os municípios mais bem-sucedidos e bem geridos do país são liderados pelo partido DA, nomeando Cidade do Cabo e Stellenbosch entre eles. No entanto, de acordo com o relatório deste ano, também houve um declínio em Cidade do Cabo, relacionado a problemas descobertos em compras e gestão de contratos que foram conduzidos incorretamente.
Deficiências no Progresso e Promessas
Mesmo nas áreas onde foram relatados resultados positivos no relatório atual, a Auditora-Geral levantou várias questões. Por exemplo, o número de municípios com parecer negado diminuiu de 29 para 8, o que parece um passo positivo. No entanto, sete desses oito municípios são repetições por algum motivo durante três a dez anos consecutivos. Isso indica uma falta de intenção de melhorar a situação e a ausência de consequências pelo não cumprimento do mandato.
O Presidente Ramaphosa declarou repetidamente a preocupação do governo com o estado dos municípios no país e sua incapacidade de fornecer serviços à população. Ele prometeu à nação que o governo interviria e puniria aqueles funcionários municipais que não cumprem seu mandato. Especificamente, comprometeu-se a responsabilizar os gestores municipais pessoalmente pelo não cumprimento das obrigações de prestação de serviços à população.
Medidas Punitivas e Legislação
Exemplos de razões pelas quais os gestores municipais podem ser repreendidos por incapacidade de garantir a liderança incluem escassez de água e uso indevido de fundos de infraestrutura. Ramaphosa informou que processos criminais já foram iniciados contra 56 municípios para estabelecer um precedente. Foi comunicado aos gestores municipais que eles podem enfrentar processos criminais ou até mesmo prisão em caso de incumprimento de seus deveres.
Para reforçar este aviso, Ramaphosa posteriormente assinou a Lei de Emendas à Autonomia Local: a lei dos sistemas municipais. Este ato proíbe gestores municipais e superiores de ocupar cargos políticos em seus partidos políticos. Embora tais mecanismos pareçam promissoras no papel, o problema na África do Sul não é a adoção de leis ou políticas, pois o país provou sua capacidade de fazê-lo. O principal problema é a falta de implementação dessas leis e políticas, causada por mecanismos fracos de monitoramento e avaliação.
Necessidade de uma Abordagem Abrangente
Portanto, nem as ameaças de Ramaphosa nem a legislação alterada levarão automaticamente os nossos municípios para fora da crise atual. São necessárias ações direcionadas e conscientes contra aqueles que contribuem para a obtenção de pareceres de auditoria negativos pelos municípios. É notável que os gestores municipais não são os únicos culpados. Os conselhos municipais e prefeitos nesses municípios são responsáveis pela supervisão. O não cumprimento deste mandato é negligência por parte deles, portanto, aqueles que têm o dever de supervisionar não podem subitamente se isentar de responsabilidade e apontar os gestores municipais como bodes expiatórios.
Em seu relatório de auditoria, o Auditor-Geral observou que essas estruturas de supervisão permanecem ineficazes, levando ao mau funcionamento dos municípios. O auditor lamentou que o controle continuasse a piorar e que 'o não cumprimento da lei muitas vezes se resume a uma questão meramente processual, apesar do risco elevado de fraude em compras e perdas financeiras significativas decorrentes de uma gestão inadequada de contratos'.
Tais observações indicam que o problema é mais sério do que parece. É necessário realizar um trabalho enorme para mudar essa situação. Qualquer tentativa de se concentrar exclusivamente nos gestores municipais, deixando outros participantes sem consequências, não mudará o funcionamento atual dos nossos municípios. Para que esses municípios melhorem seus resultados de auditoria, todas as partes interessadas devem aumentar sua atividade, incluindo tanto a liderança política quanto os administradores municipais.
Embora os gestores municipais desempenhem um papel importante no funcionamento dos municípios, a maioria dos resultados de auditoria está relacionada ao trabalho dos diretores financeiros (CFO). Se estes não conseguirem criar e implementar sistemas, o Auditor-Geral continuará a emitir pareceres de auditoria negativos. Inversamente, em casos em que os CFOs municipais sabem o que fazer, mas não recebem apoio de seus superiores, eles não conseguirão mudar a situação atual. Conceitos como 'responsabilização' e 'gestão de consequências' são cruciais para melhorar o resultado da auditoria municipal, mas se esses conceitos existirem apenas no papel, mas não forem implementados, nenhuma mudança positiva ocorrerá milagrosamente, e nossos municípios continuarão a receber pareceres de auditoria negativos.