Biólogos dos EUA conduziram um estudo que identificou a transmissão materna de pesticidas em abelhas melíferas. Este mecanismo foi descoberto sob condições de exposição crônica a toxinas na colmeia, quando as capacidades de defesa das abelhas operárias estavam enfraquecendo. Nessas situações, as rainhas acumulavam pesticidas em seus ovários e depois os transmitiam aos ovos. Embora um processo semelhante seja conhecido em outros animais, ele nunca havia sido registrado em abelhas.
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O impacto dos pesticidas nos polinizadores
Os pesticidas representam uma ameaça aos insetos polinizadores, cuja quantidade e diversidade estão diminuindo em todo o mundo. A exposição a essas substâncias pode prejudicar a memória, a capacidade de orientação, o sistema imunológico e as funções reprodutivas dos insetos, mesmo que não cause a morte imediata de uma colmeia inteira. Nas abelhas melíferas (Apis mellifera), as forrageiras que coletam néctar e pólen trazem pesticidas para a colmeia, onde são encontrados no corpo de outros indivíduos, na cera e no mel.
Mecanismos de defesa e acúmulo de toxinas
Apesar de as abelhas terem um número limitado de genes para desintoxicação, existe uma hipótese popular de que as operárias tentam proteger os membros mais vulneráveis e importantes da colmeia — a rainha e a cria. Um estudo anterior demonstrou uma redução nos níveis de pesticidas ao serem movidos das forrageiras para as abelhas alimentadoras e larvas. No entanto, o mecanismo exato dessa proteção permaneceu obscuro e é incerto se as abelhas possuem outras formas de resistir às toxinas.
Resultados do estudo experimental
Biólogos da Universidade da Califórnia, liderados por Sasha Niklich, realizaram experimentos em mini-colônias de insetos usando substâncias marcadas. Já no segundo dia de processamento de alimentos pelas operárias, a concentração de pesticida caiu 95% em comparação com o alimento inicial. No décimo dia, essa redução atingiu 86%, o que indicava uma diminuição na capacidade das operárias de proteger a colmeia. No segundo dia, os pesticidas não eram encontrados nos corpos das rainhas, mas no décimo dia, sua concentração atingia 16–23 partes por bilhão, significativamente abaixo dos níveis nos alimentos.
Transmissão de toxinas para os ovos
No entanto, nos ovos, no décimo dia, o nível de pesticidas aumentou para 81–141 partes por bilhão, indicando que as rainhas estavam ativamente transmitindo toxinas aos ovos, possivelmente para sua própria proteção. A concentração de pesticidas nos corpos das operárias no décimo dia era maior nas colmeias com rainhas, e acumulava-se durante dez dias, bem como na cera. Os cientistas associam isso ao fato de as operárias responsáveis pela construção das células para os ovos consumirem mais alimento, bem como ao potencial efeito dos feromônios da fêmea reprodutiva.
Conclusões e limitações do trabalho
Os autores concluíram que a primeira linha de defesa da colmeia de abelhas melíferas contra pesticidas é fornecida pelas operárias, que metabolizam as toxinas com enzimas e eliminam parte delas na cera. No entanto, com a exposição prolongada a pesticidas, as substâncias nocivas começam a se acumular nos ovos em concentrações 4 a 6 vezes superiores ao conteúdo no corpo da rainha. Isso constituiu a primeira prova da transmissão materna de toxinas em abelhas melíferas. Segundo os pesquisadores, este processo pode ser a causa da morte em massa de colmeias meses após o tratamento de campos com pesticidas. Os cientistas também destacaram as limitações de seu estudo: foram usadas pequenas amostras, mini-colônias irrealistas, apenas um pesticida foi estudado, e o destino dos ovos contaminados permanece desconhecido.