Um macaco selvagem foi capturado, completamente coberto de tinta azul da cabeça à cauda, e depois devolvido ao território do seu grupo em Nelson Mandela Bay. Atualmente, o animal está tentando limpar o revestimento tóxico aplicado por uma pessoa desconhecida.
Reação dos defensores dos animais
O grupo de caridade Monkey Matters Eastern Cape informou que o macaco foi visto no Parque Dyer na última segunda-feira. O grupo alertou que a tinta pode causar envenenamento e levar a uma 'morte lenta e dolorosa' do animal.
De acordo com os representantes do grupo, o animal não foi capturado porque se move muito rápido para que os socorristas o encontrem, mas o grupo observou que a condição do animal parecia satisfatória.
Mito sobre assustar a alcateia
Charlene van der Mecht, cofundadora da Monkey Matters Eastern Cape, que trabalha na resgate de primatas na província há mais de 25 anos, explicou que este ato foi motivado pelo equívoco de que pintar o macaco afastaria o seu grupo. Van der Mecht declarou ao IOL na segunda-feira que algumas pessoas acreditam que pintar animais de branco ou, neste caso, de azul, fará com que a alcateia tenha medo e abandone o território.
Ela refutou categoricamente isso, chamando-o de 'mito antigo' e um ato de crueldade contra um animal capaz de causar morte lenta e dolorosa. Na sua opinião, pintar um macaco de qualquer cor não fará com que o seu grupo o rejeite, afirmando que é ignorância disfarçada de conselho.
Van der Mecht enfatizou que a tinta pode envenenar o animal e danificar sua pele, olhos e pelos, forçando-o a tentar desesperadamente limpá-lo. Ela descreveu tal comportamento como um 'ato de covardia contra um ser que não pode se defender' e expressou decepção com a organização ao ver várias formas de maus-tratos a primatas.
Apelos ao respeito pela vida selvagem
A ativista Marizanne Kemp Ferreira também expressou preocupação com este ato de crueldade, afirmando que os animais não invadem o espaço humano, mas sim os humanos expandem seus limites para o território deles. Ferreira descreveu os primatas como seres inteligentes, sociais e sensíveis que tentam sobreviver em um ambiente alterado pelo homem, e insistiu que causar-lhes dano por sua existência não é justificável nem humano.
Steve Smith, fundador da Monkey Helpline em Durban, observou que pintar macacos é mais comum em KwaZulu-Natal. Ele sugeriu que essa prática surgiu entre os colonos que pintavam babuínos para proteger as colheitas. Smith explicou que a crença inicial era que o animal pintado voltaria para a alcateia, que então deixaria o território, eliminando o problema de predação nas plantações. No entanto, segundo ele, essa ideia falsa não funciona, pois o macaco seria atacado e tentaria se limpar sozinho, sofrendo no processo.
Dados científicos e legislação
Smith também relatou que, às vezes, macacos pintados são atingidos com dardos, e algumas pessoas tratam isso como uma brincadeira, pedindo que todos que fazem ou acham divertido isso sejam processados criminalmente. Ele acrescentou que os macacos pintados resgatados estavam sempre entre seus grupos, o que refuta o mito de seu exílio. Ele concluiu que esta prática é cruel, ilegal e sem sentido.
Sandra Swart, historiadora da Universidade de Stellenbosch, que pesquisou a história dos babuínos e humanos na África do Sul, observa que os humanos frequentemente demonstram mais agressividade contra os primatas do que os próprios primatas contra eles, vendo os animais como um substituto para ansiedades humanas mais amplas sobre invasão e segurança. Pesquisas científicas confirmam o dano da pintura: um estudo publicado em 2024 no periódico Mammalian Biology documentou casos de danos intencionais a macacos através de ataques físicos, envenenamento e pintura, que os autores usaram como prova de crueldade no conflito homem-macaco.
É importante notar que os vervetes são animais altamente sociais, vivendo em grupos onde se lambem por horas para remover parasitas e sujeira, o que fortalece os laços dentro do grupo. Além disso, estudos mostraram que as fêmeas de vervet são residentes permanentes do território de nascimento, o que significa que os grupos estão ligados a essa área por gerações e não podem simplesmente ir embora à vontade humana. A espécie é protegida na África do Sul e listada na Lista Vermelha da IUCN como menos vulnerável, embora em áreas urbanas e agrícolas seja frequentemente considerada uma praga, onde foram documentados disparos de retaliação e envenenamentos. Causar dano intencional ou pintar um animal selvagem é uma infração de acordo com a Lei de Proteção Animal.