Um popular bar de praia em Moçambique rejeitou alegações de que cidadãos moçambicanos expulsaram turistas sul-africanos do estabelecimento. O bar afirmou que o vídeo viral que mostra um conflito no local foi mal interpretado.
Um popular bar de praia em Moçambique rejeitou alegações de que cidadãos moçambicanos expulsaram turistas sul-africanos do estabelecimento. O bar afirmou que o vídeo viral que mostra um conflito no local foi mal interpretado.
O Pinto's Beach Bar, localizado em Ponta do Ouro, emitiu uma declaração após a ampla disseminação de imagens mostrando uma discussão tensa entre hóspedes da África do Sul e um residente moçambicano. O estabelecimento enfatizou que o incidente, ocorrido em 4 de julho, não foi motivado pela nacionalidade e não resultou na expulsão dos sul-africanos, como sugerido em algumas postagens em redes sociais.
A administração relatou que um grupo de cidadãos sul-africanos chegou ao estabelecimento por volta das quatro horas da tarde com o objetivo de conversar com a gerência. Segundo o bar, alguns membros deste grupo se comportaram de forma desafiadora, «elevando a voz, batendo no balcão e ameaçando os funcionários».
O bar observou que uma mulher moçambicana presente no estabelecimento interveio, pedindo calma e respeito, o que provocou uma discussão verbal entre visitantes de Moçambique e da África do Sul. O vídeo registra apenas parte do confronto; ouve-se nos áudios os sul-africanos insistindo que estão legalmente em Moçambique. Uma das mulheres declarou que eles «não estavam nadando aqui», e outra notou: «Vocês são nossos ajudantes em casa», o que causou riso no residente moçambicano.
O Pinto's Beach Bar informou que o conflito escalou para atos de vandalismo, incluindo a remoção de materiais publicitários das janelas, e interrompeu as operações do negócio. A declaração afirmava: «Vários clientes deixaram o local por receio pela segurança, o que acarretou perdas financeiras para o negócio».
A ordem foi restabelecida após a intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM), que escoltou os envolvidos para fora do local. A gerência também mencionou a tensão na noite anterior, quando os mesmos sul-africanos alegavam ter tido um telemóvel roubado. O bar acrescentou que, embora as imagens disponíveis não tenham confirmado o roubo alegado, as acusações persistiram, criando uma atmosfera de instabilidade.
Rejeitando as acusações de xenofobia, o bar declarou que acolhe clientes de diversas nacionalidades e está comprometido com os princípios de «respeito, igualdade, hospitalidade e coexistência pacífica». A administração negou categoricamente qualquer forma de xenofobia, discriminação ou incitação ao ódio entre povos, enfatizando que o incidente surgiu devido ao comportamento dos participantes naquele momento, e não à sua nacionalidade.
Um vídeo que se espalhou amplamente nas redes sociais demonstra uma discussão tensa entre um grupo de turistas da África do Sul e um morador local de Moçambique, que, segundo relatos, estava legalmente no país. O incidente ocorreu num restaurante costeiro.
Após a confrontação viral em vídeo, o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação (DIRCO) pediu aos viajantes que enfrentam dificuldades para contactar os serviços consulares. Um representante do DIRCO, Crispin Ferry, aconselhou os sul-africanos com sérios problemas no estrangeiro a procurar ajuda através das missões diplomáticas do seu país.
O vídeo mostra um grupo sul-africano envolvido numa troca acalorada de palavras com o morador local. Os sul-africanos alegavam estar no país legalmente. Uma das mulheres afirmou que 'não nadou aqui', enquanto outra ouviu a frase 'Vocês são nossos ajudantes em casa', o que provocou riso no morador local. Como a gravação não mostra o início do confronto, a razão da discussão permanece incerta, mas acredita-se que tenha ocorrido após protestos anti-imigração recentes na África do Sul.
Durante a discussão, o morador local perguntou repetidamente por que os sul-africanos decidiram visitar Moçambique. Uma das mulheres sul-africanas respondeu: 'Por que vocês estão lá (na África do Sul)? Nós estamos aqui para visitar, não para viver, ao contrário de vocês'. O morador local rebateu que 'Somos um país bonito. É por isso que vocês gostam'. A mulher tentou explicar que vieram a Moçambique como turistas e pagaram pela visita.
Outra mulher cobriu a boca e afastou-a, tentando diminuir a tensão. O local continuou a insistir: 'Então por que vocês nos expulsam para lá? Por que vocês nos expulsam? Por que vocês não falam com seus amigos da África do Sul? Por que vocês não foram para o Cabo? Por que vocês vieram aqui, para Moçambique?' Ele continuou a dirigir-se ao grupo, mesmo quando as duas mulheres pararam de responder e sentaram-se. Os membros do grupo gesticularam para que ele continuasse a falar.
O morador local declarou: 'Nós não estamos satisfeitos com vocês. Eu digo a vocês, vocês devem dizer ao seu presidente', antes de informar ao grupo que estava a gravar a interação. Os sul-africanos responderam pedindo-lhe que continuasse a filmagem. Outras pessoas no restaurante foram ouvidas a gritar: 'Tlhele lani Mzansi', que significa 'Voltem para a África do Sul'. Este incidente provocou uma discussão ativa nas redes sociais, onde muitos ligaram o confronto ao crescente descontentamento regional sobre o tratamento de cidadãos estrangeiros na África do Sul.
Shirin Eraman, chefe do programa académico de turismo global na MANCOSA, observou que quando as fronteiras dividem, o turismo sofre, e a África do Sul não pode permitir mais uma crise de confiança. Ela salientou que o turismo baseia-se na confiança, respeito e compreensão cultural, e não apenas em praias e *lodges* de luxo. Quando a tensão política ou a xenofobia penetram nas zonas turísticas, isso ameaça os meios de subsistência e a reputação dos destinos.
Segundo Eraman, este incidente em Moçambique seguiu o aumento da tensão causado pelos ataques xenófobos a cidadãos moçambicanos em certas partes da África do Sul. Ela considera que os problemas sociais e políticos cruzam rapidamente as fronteiras nacionais, e o turismo torna-se uma das primeiras vítimas. Eraman acrescentou que as redes sociais podem disseminar imagens dramáticas instantaneamente, muitas vezes sem contexto completo, o que afeta as decisões de potenciais turistas.
A especialista também apontou o caráter mutuamente benéfico das relações turísticas entre os dois países, visto que milhares de visitantes moçambicanos viajam para a África do Sul por motivos de estudo, medicina e lazer. Concluiu que, apesar dos acontecimentos desagradáveis, existe otimismo quanto ao futuro do turismo, uma vez que as relações entre os países estão enraizadas em um intercâmbio cultural e cooperação económica de vários séculos.