Para um número significativo de residentes da África do Sul, a parte mais difícil do dia de trabalho não é uma caixa de correio lotada, clientes exigentes ou um longo trajeto para o trabalho. Em vez disso, a dificuldade reside em manter a calma externa, escondendo a luta interna contra a ansiedade ou depressão.
O adoecimento mental continua a ser um dos problemas de saúde mais incompreendidos no país, especialmente no ambiente de trabalho. Muitos funcionários temem o julgamento, considerando-se fracos, não confiáveis ou incapazes se decidirem falar abertamente sobre seus problemas.
Uma pesquisa realizada pelo South African Depression and Anxiety Group (SADAG) demonstrou a ampla prevalência de problemas de saúde mental no local de trabalho. De acordo com seu Relatório de Vida no Trabalho de 2024, mais da metade dos funcionários entrevistados relatou ter um diagnóstico relacionado à saúde mental. Entre os diagnósticos mais comuns estão depressão, estresse, transtorno de ansiedade generalizada, esgotamento e trauma.
Mitos sobre ansiedade e depressão
Existem seis crenças populares que continuam a cercar a ansiedade e a depressão no ambiente de trabalho. Um dos maiores equívocos é que as pessoas que sofrem de ansiedade ou depressão simplesmente devem 'ser mais fortes'. Especialistas em saúde mental enfatizam que ambos os estados são doenças médicas reconhecidas, influenciadas por fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Assim como não se pode culpar alguém pelo desenvolvimento de diabetes ou pressão alta, pessoas com doenças mentais não devem ser culpadas pelo seu estado.
Também existe o mito de que pessoas com doenças mentais não conseguem realizar seu trabalho. No entanto, muitos funcionários que vivem com ansiedade ou depressão continuam trabalhando diariamente em alto nível. Embora os sintomas possam afetar a concentração, o nível de energia e a tomada de decisões em períodos difíceis, o tratamento adequado, o apoio e a compreensão por parte do empregador permitem que muitas pessoas construam carreiras complexas com sucesso.
Impacto nas funções cognitivas
Pesquisas na África do Sul demonstraram que a depressão pode afetar negativamente funções cognitivas como memória, concentração e capacidade de tomar decisões. No entanto, intervenção precoce e um ambiente de trabalho de apoio podem reduzir significativamente esse impacto. Um estudo publicado no SA Journal of Industrial Psychology (SAJIP) indicou que 'o estresse, a depressão e o esgotamento, juntamente com outros estados ou experiências psicológicas negativas, como ansiedade, fadiga e exaustão emocional, podem diminuir a qualidade de vida, aumentar a vulnerabilidade a doenças físicas, como resfriado, pressão alta e problemas cardíacos, reduzir o funcionamento ideal e dificultar a participação eficaz nas tarefas diárias.'
Invisibilidade da luta e estigmatização
Outro mito afirma que se alguém está sorrindo, não pode estar lutando contra dificuldades. O adoecimento mental é frequentemente invisível. Colegas podem parecer animados em reuniões, rir de piadas de escritório e cumprir prazos, enquanto secretamente vivenciam ataques de pânico, tristeza opressiva ou preocupação constante. Especialistas alertam que muitas pessoas se tornam hábeis em mascarar seus sintomas por medo de estigma ou discriminação.
O SAJIP acrescentou que 'ao depender do funcionamento ideal dos funcionários, as organizações inevitavelmente sofrem com seus problemas de saúde mental'. Ele também observou que 'o estresse, o esgotamento e a depressão colocam em risco o funcionamento contínuo das organizações, pois tendem a diminuir a concentração dos funcionários no trabalho e levam ao presenteísmo — a prática de estar fisicamente presente no trabalho sem conseguir realizar tarefas de forma eficaz.'
Importância do diálogo aberto
Muitos evitam conversas sobre saúde mental por medo de magoar ou agravar os sintomas de alguém. Na verdade, conversas compassivas muitas vezes ajudam as pessoas a se sentirem menos isoladas. Simplesmente abordar um colega perguntando se está tudo bem, ouvir sem julgar e encorajar a busca por ajuda profissional podem fazer uma grande diferença.
Existe um estereótipo comum de que pessoas com ansiedade ou depressão são funcionários não confiáveis, e é isso que faz muitos trabalhadores esconderem seu estado. Na realidade, muitos continuam trabalhando apesar do forte sofrimento emocional, muitas vezes por medo de perder o emprego ou prejudicar sua carreira. Pesquisas sobre depressão no local de trabalho na África do Sul destacaram que o estigma permanece uma das principais razões pelas quais os funcionários preferem não revelar seu estado aos empregadores.
Papel da cultura no bem-estar
Embora os empregadores não possam controlar todos os aspectos da saúde mental de um funcionário, a cultura no local de trabalho desempenha um papel fundamental. Sobrecarga excessiva, prazos irrealistas, assédio, instabilidade no emprego e falta de apoio podem contribuir para o agravamento do bem-estar mental. Criar um ambiente de trabalho psicologicamente seguro, fornecer programas de assistência ao funcionário e incentivar discussões abertas sobre saúde mental beneficia tanto os funcionários quanto as organizações, melhorando o bem-estar e a produtividade.
À medida que as discussões sobre saúde mental crescem na África do Sul, especialistas acreditam que substituir mitos por fatos é uma das maneiras mais eficazes de reduzir o estigma. Ninguém deve ter que escolher entre proteger sua carreira e proteger sua saúde mental. Para milhares de sul-africanos, ansiedade e depressão não são falhas de caráter ou fracassos pessoais, mas condições de saúde que merecem o mesmo cuidado, compreensão e apoio que qualquer outra doença. Um local de trabalho onde os funcionários se sentem seguros o suficiente para pedir ajuda é não apenas mais saudável, mas também mais forte, produtivo e humano.