Pesquisadores britânicos analisaram restos humanos extraídos durante escavações de uma vila romana na Ilha de Wight. Eles concluíram que os ossos dispersos de várias pessoas são provavelmente resultado de um ou mais incidentes violentos ocorridos entre 250 e 400 d.C.
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Hipótese das Repressões
Uma das hipóteses levantadas sugere que os habitantes da vila poderiam ter sido vítimas de severas repressões organizadas pelo imperador Constâncio II contra antigos apoiadores do usurpador Magnêncio. Esta informação foi publicada na revista científica Britannia.
História da Vila de Brayding
Na Ilha de Wight, no Estreito da Mancha, em 1879, foram descobertos os restos de uma magnífica vila romana, nomeada Brayding. Os primeiros trabalhos de estudo deste monumento começaram em 1880-1881 e continuaram repetidamente. As pesquisas mostraram que a primeira residência rural neste local surgiu em meados do primeiro século d.C. Com o tempo, a vila se expandiu e melhorou, o que provavelmente foi impulsionado pelo aumento da riqueza de seus proprietários. No terceiro século, ela sofreu um grande incêndio, e no quarto, pelo menos um ou vários danos.
Mosaicos e Achados
A vila de Brayding é particularmente conhecida por seus belos mosaicos. Um deles, encontrado há quase 150 anos, ainda gera debates sobre seu tema. Este mosaico retrata uma estrutura com escada, ao lado da qual estão dois animais quadrúpedes com caudas longas e possivelmente asas. Do lado oposto do edifício, há uma grande figura antropomórfica com cabeça de galo. Os cientistas propuseram inúmeras interpretações da composição, mas ainda não há uma resposta definitiva.
Análise dos Restos Humanos
Michael Fulford, da Universidade de Reading, e Derek Hamilton, da Universidade de Glasgow, concentraram sua atenção nos restos humanos encontrados durante os trabalhos na vila de Brayding. Anteriormente, durante as primeiras escavações, os pesquisadores encontraram ossos humanos no fundo de um poço antigo junto com os restos de três cães jovens. Mais tarde, outros restos humanos dispersos foram descobertos no local da vila.
Além dos ossos de um adolescente do poço, a coleção de achados inclui mais de dez fragmentos de esqueletos de diferentes pessoas. Em um osso da coxa de um adulto, foram observados sinais de dentes de animal, e na escápula, cortes deixados por ferramenta ou arma. Um corte semelhante foi encontrado na costela do adolescente do poço. Para confirmar a idade antiga desses achados, quatro ossos foram enviados para análise de carbono-14, que determinou que todos os restos datam do período entre 250 e 400 d.C., correspondendo ao tempo do domínio romano na Grã-Bretanha. Esses dados indicam que os ossos estão relacionados a eventos ocorridos em um período relativamente curto.
Hipóteses Consideradas
Os pesquisadores apresentaram uma série de suposições sobre as causas da morte das pessoas. Primeiramente, no final do terceiro século d.C., o problema do piratismo aumentou no Estreito da Mancha, o que poderia ter levado a ataques de bandidos francos ou saxões à vila, localizada perto da costa. Em segundo lugar, considerou-se a possibilidade de envolvimento das pessoas e da própria residência nos eventos de 296, quando a frota romana conduziu uma campanha contra o usurpador Galo Allecto, que governava a Grã-Bretanha e parte da Gália entre 293 e 296. No entanto, essas versões não foram confirmadas pelos dados arqueológicos, pois as moedas encontradas na vila indicam que os eventos provavelmente ocorreram no século IV.
Cenário Mais Provável
A comparação dos dados de datação por carbono-14 dos ossos com a análise das moedas permitiu aos cientistas sugerir que os trágicos eventos poderiam ter ocorrido na vila entre 330 e 348 d.C. ou um pouco depois. Em 343, o exército romano sob o comando do imperador Constâncio marchou para a Grã-Bretanha, onde ocorreram combates. Existe a hipótese de que a vila e seus habitantes possam ter sido afetados durante esta campanha militar.
Além disso, se entre os achados havia moedas emitidas antes da década de 350, pode-se supor que a vila foi afetada após a derrota militar do usurpador Magnêncio em 353 e seu suicídio. O imperador Constâncio II iniciou a perseguição a todos que apoiavam seu inimigo, e os habitantes da Grã-Bretanha não escaparam disso. O historiador romano antigo Amiano Marcelino mencionou que, por volta de 354-355, muitos habitantes da Grã-Bretanha, incluindo inocentes, foram torturados, presos, executados e seus bens confiscados. Os autores do artigo consideram esta hipótese a mais provável, sugerindo que os habitantes da vila de Brayding foram vítimas dessas repressões.
Outros Achados na Grã-Bretanha
Atualmente, vilas romanas continuam sendo descobertas na Grã-Bretanha. Por exemplo, em 2020, uma família britânica no condado de Leicestershire encontrou acidentalmente um objeto antigo. Escavações subsequentes revelaram as ruínas de uma vila antiga com termas e mosaicos, em um dos quais são retratadas cenas da Guerra de Troia, que, segundo especialistas, não se baseiam na 'Ilíada' de Homero, mas sim na obra 'Friegos' de Ésquilo.
Também, a arqueóloga britânica Hillary Cole, da Barbican Research Associates, analisou um achado do período romano descoberto em York em 1983-1984. Especialistas do Fundo Arqueológico de York encontraram um fragmento de recipiente de vidro datado, presumivelmente, do final do século II d.C. Segundo Cole, este recipiente poderia ter sido usado para armazenar kohl, o que ela escreveu na revista Britannia.