De acordo com informações fornecidas pelo laboratório nacional congolês e uma fonte de saúde, um novo caso de Ebola foi detectado na província de Haut-Uélé, localizada na fronteira com o Sudão do Sul e a República Centro-Africana.
Detalhes do Surto em Ituri
A Agência France-Presse (AFP) relatou que o indivíduo infectado havia viajado a partir de Bunia, capital da província vizinha de Ituri. Ituri é considerada o epicentro da epidemia, que foi oficialmente declarada em 15 de maio. Até o momento, este surto resultou em 360 óbitos em 1.274 casos confirmados, conforme informou uma fonte do Instituto Nacional de Investigação Biomédica (INRB) à AFP, validando os dados divulgados anteriormente pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da República Democrática do Congo (RDCongo).
Expansão Geográfica da Doença
Embora o surto tenha começado em Ituri, uma província limítrofe com Uganda e Sudão do Sul, ele também se disseminou para as províncias orientais congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Além disso, a epidemia alcançou Uganda, onde foram identificados 20 contágios confirmados, sendo 15 deles classificados como importados da RDCongo, gerando duas mortes nesse país.
Casos Internacionais e Dados Atuais
Adicionalmente, o Governo francês confirmou a detecção do primeiro caso positivo de Ebola em seu território, envolvendo um médico que retornava de uma missão na RDCongo. No domingo, o INSP da RDCongo atualizou o registro de mortes e casos confirmados relacionados ao vírus. Segundo o boletim mais recente do INSP, com dados coletados até 27 de junho, a taxa de letalidade atual é de 28,3%. O rastreamento de contatos atingiu 87,1%, e 178 pacientes se recuperaram, enquanto 502 indivíduos permanecem em isolamento ou hospitalizados.
Alertas e Características do Vírus
O INSP emitiu um alerta sobre os desafios contínuos no acesso precoce aos cuidados de saúde e na identificação de novos contágios sem origem definida, o que pode sinalizar uma expansão geográfica que requer investigação mais aprofundada. A epidemia em questão pertence à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade oscila entre 30% e 50%, e para a qual não há vacina ou tratamento específico autorizado, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS avalia o risco de expansão do surto na África subsaariana como alto, mas globalmente como baixo.
Contexto Histórico da Epidemia
A OMS estimou que o vírus circulava em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia em 17 de maio como uma «emergência de saúde pública de importância internacional». Este evento já representa a terceira pior epidemia de Ebola registrada até hoje. Ela fica atrás da epidemia que afetou a África Ocidental entre 2014 e 2016, responsável por cerca de 11.000 mortes e 28.000 infecções, e de outra ocorrida no leste da RDCongo entre 2018 e 2020, que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.
Transmissão e Sintomas
O vírus do Ebola é transmitido através do contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, manifestando-se com febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas.