Aparna Tyagarajan, cofundadora e diretora de produto da empresa, declarou que a Índia não busca mais se fundir com outras culturas. Estas palavras foram proferidas por ela no evento de encerramento do MSME Sparks 2026, realizado em 26 de junho no ITC Gardenia, em Bengaluru.
Caminho para o mercado global
Ao fazer uma apresentação principal de abertura intitulada «Woven for the World: Taking Indian Traditions Global» (Tecido para o Mundo: Levando Tradições Indianas ao Global), Tyagarajan compartilhou sua história. Ela começou na infância, costurando uma saia festiva com restos de tecido de sari no início dos anos 90, o que levou à criação da Shobitam — a maior plataforma étnica transfronteiriça nos EUA e Canadá.
Ela recorda que sempre tentou se destacar, incorporando um pedaço da Índia em seus silhuetas ocidentais, e isso despertava interesse e orgulho pela identidade cultural nas pessoas. Tyagarajan enfatizou que a Shobitam se distingue por apresentar todo o espectro das tradições têxteis indianas, incluindo saris de Caxemira, Sangudi de Madurai, estampas Ajrakh e tecelagem Jamdani, em vez de focar apenas em alguns estilos populares.
Escalabilidade e experiência do cliente
Atualmente, a plataforma colabora com mais de 75 parceiros e realiza entregas aos clientes em seis continentes, incluindo locais remotos como Fairbanks, no Alasca, e Wellington, na Nova Zelândia. Tyagarajan observou que muitos clientes globais consideram a empresa local, pois a Shobitam se esforça para estar perto do comprador, independentemente da localização geográfica, garantindo entrega global rápida e gratuita e um forte foco na experiência do cliente.
A empresa acumulou mais de 13.000 avaliações cinco estrelas, tantas que o sistema de avaliações periodicamente exige a exclusão de registros antigos para liberar espaço. Ela também mencionou o papel da narrativa e da representação da marca, nomeando a atriz Vidya Balan como embaixadora global da Shobitam. Tyagarajan compartilhou que Vidya Balan conseguiu unir pessoas de todas as direções — norte, sul, oeste e leste — e possui um apelo global, o que é importante para a marca, e não apenas para a publicidade do produto.
Cinco pilares para PMEs internacionalmente
Tyagarajan enfatizou o papel central das pequenas e médias empresas (PMEs) na economia indiana, notando que este setor representa quase metade das exportações do país, cerca de 30% do PIB e sustenta aproximadamente 330 milhões de empregos. Ela apresentou cinco princípios chave necessários para o crescimento internacional das PMEs.
O primeiro princípio é a integração na cadeia de valor global, ou seja, encontrar um elo forte em uma cadeia existente, em vez de tentar controlar toda a cadeia. O segundo é a infraestrutura digital, que ela chamou de indispensável para a escalabilidade, bem como uma abordagem clara para escolher entre desenvolver uma solução própria ou comprar tecnologia, dependendo da singularidade do processo de negócios. O terceiro é a excelência operacional, pois a disciplina necessária para gerenciar uma pequena equipe não é mantida automaticamente com o crescimento do negócio.
O quarto pilar está relacionado ao financiamento comercial e à navegação na política global. Mencionando tarifas de 50% introduzidas pelos EUA no ano passado, ela aconselhou os negócios a manterem a flexibilidade, seja criando entidades legais em jurisdições com tarifas mais baixas ou monitorando cuidadosamente as mudanças políticas para compensar custos após a redução das tarifas. O quinto princípio é a combinação de herança com estética global.
Tyagarajan explicou que não se pode presumir que uma mulher na Austrália amará instantaneamente um determinado sari ou joia apenas porque agradava à sua mãe. Ela acrescentou que muitas mulheres da geração atual nem sabem como drapear um sari corretamente. Portanto, a empresa desenvolve inovações, como o sari pronto para vestir, que parece tradicional, mas é vestido em um minuto. Ao desenvolver qualquer produto, é sempre necessário considerar a relevância.
Tyagarajan resumiu a abordagem da Shobitam com a frase «look good, do good, feel good» (parecer bem, fazer o bem, sentir-se bem). Esta abordagem baseia-se no trabalho com artesãos locais no setor de tecelagem manual da Índia, que ela chamou de segunda maior indústria do país depois da agricultura. Trabalhando diretamente com mestres e eliminando completamente intermediários, a empresa apoia ambos os lados da cadeia de suprimentos — produtores e consumidores — com o objetivo comum de levar a Índia ao cenário mundial.

