Uma escultura do século XII de Dhara, localizada na parte sudoeste de Madhya Pradesh, foi venerada por muito tempo por estudiosos como Saraswati. No entanto, graças à análise digital e à descoberta da ausência de um leque, descobriu-se que esta imagem pertence à deusa Gayatri, que personifica o Mantra Gayatri e a sabedoria védica, tornando-a uma das representações mais raras conhecidas desta divindade na Índia.
Decodificação dos traços iconográficos
Nova documentação digital e mapeamento tridimensional de alta precisão da escultura em arenito avermelhado no Museu Estadual de Bhopal ajudaram os arqueólogos a decifrar detalhes iconográficos que haviam passado despercebidos por séculos. O resultado não foi apenas a correção da etiqueta do museu, mas a restauração de um capítulo esquecido da arte sagrada indiana.
Sinais que apontam para Gayatri
O arqueólogo Ramesh Yadav, ligado à gestão de arqueologia, arquivos e museus, observou que 'a imagem corresponde às descrições clássicas de Gayatri nos Shilpashastras'. Ele explicou que a deusa de quatro braços é retratada na pose Lalitasana, segurando contas de oração, um lótus e os Vedas. Um gamsa finamente esculpido ao lado dela simboliza a sabedoria sagrada, e os portadores de guirlandas celestiais confirmam sua divindade. Esses atributos apontam inequivocamente para Gayatri, e não para Saraswati.
Diferença chave de Saraswati
O historiador e arqueólogo BK Lokhande enfatizou que o fator decisivo foi a ausência de um leque nesta escultura. Ele informou que, desde o período Gupta (320–550 d.C.), Saraswati é quase sempre retratada com um leque. Em vez disso, esta imagem exibe os Vedas e o lótus, o que corresponde totalmente às descrições no Śrīmad Devī Bhāgavata Purana e nos Shilpashastras. Embora Gayatri, Savitri e Saraswati personifiquem o conhecimento, a iconografia não deixa dúvidas de que se trata de Gayatri.
Contexto histórico e legado
A escultura foi encontrada em Dhara, capital da dinastia Parmar (séculos IX–XIV). Ela combina uma clara influência dos Western Chalukyas em sua modelagem e ornamentação graciosas, ao mesmo tempo que reflete com precisão as descrições clássicas de Gayatri. O Rigveda preserva o Mantra Gayatri, o Satapatha Brahmana glorifica Gayatri como fonte de conhecimento sagrado, e os Puranas posteriores a veneram como Vedamata, Mantramata, Brahmanvidya e Jaganamata.
Legado digital do estado
O ícone descoberto torna-se um modelo para a missão de patrimônio digital de Madhya Pradesh. O Comissário de Arqueologia Madan Kumar Nagargodge declarou que modelos tridimensionais autênticos e plataformas digitais permitirão que as pessoas estudem uma das representações mais raras de Gayatri na Índia.
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