O empreendimento residencial contemporâneo, composto por quatro casas no condomínio localizado em Abuxarda, Portugal, foi concebido para aproveitar ao máximo a topografia do local, a iluminação natural e a paisagem ao redor.
O empreendimento residencial contemporâneo, composto por quatro casas no condomínio localizado em Abuxarda, Portugal, foi concebido para aproveitar ao máximo a topografia do local, a iluminação natural e a paisagem ao redor.
As quatro unidades foram dispostas seguindo um projeto escalonado. Essa disposição arquitetônica garante que cada moradia possua privacidade, desfrute de vistas sem obstruções e conte com espaços externos próprios.
Apesar da individualidade de cada casa, o conjunto mantém uma identidade arquitetônica unificada em todas as suas partes, conforme descrito pela equipe de projeto.
A residência Casa Anthill, desenvolvida por Kaushal TaTiya Architects e localizada na cidade de Ahilyanagar, no estado de Maharashtra, apresenta uma área aproximada de 650 m². Seu projeto foi meticulosamente planejado para responder às severas condições climáticas da região, que incluem calor intenso, baixa umidade e alta exposição solar.
O foco principal do projeto reside na mitigação dos ganhos de calor, na estimulação da ventilação natural e na garantia de ambientes internos agradáveis, visando diminuir a necessidade de sistemas mecânicos de climatização. O conceito central bebe na inteligência de um formigueiro, entendendo-o não apenas como um amontoado de terra, mas como um ecossistema complexo, organizado em camadas e moldado por respostas climáticas.
A arquitetura busca uma condição quase topográfica, onde os espaços parecem ter sido escavados e interligados, remetendo às câmaras e corredores de um formigueiro. Em vez de impor formas rígidas ao terreno, a construção surge de maneira orgânica através de terraços escalonados, fortalecendo sua conexão com a paisagem circundante.
A casa é projetada como uma estrutura introvertida, caracterizada pela solidez da alvenaria de tijolos, que oferece proteção externa. Assim como um formigueiro, ela se estrutura por meio de aberturas e vazios que regulam a luz e promovem o equilíbrio térmico naturalmente. Os espaços se conectam de modo contínuo, promovendo uma interação fluida entre o interior e o exterior, em vez de estabelecer barreiras rígidas.
A movimentação dentro da residência é concebida como uma vivência espacial, e não como um trajeto linear. Os moradores transitam por uma sucessão de áreas comprimidas e expandidas, pátios e passagens sombreadas, espelhando o deslocamento das formigas. A sala de estar se desenvolve em torno de um pátio alongado, que garante ventilação cruzada e iluminação natural, auxiliado pela presença de uma lâmina d'água para resfriamento passivo.
Inspirado na estabilidade térmica dos formigueiros, o projeto utiliza diversas táticas ambientais. Paredes de tijolos com aberturas, dutos verticais de ventilação, claraboias, taludes ajardinados e superfícies perfuradas facilitam a circulação de ar e o controle térmico. A inércia térmica dos tijolos reduz a dependência de refrigeração mecânica, enquanto a ventilação cruzada e o efeito chaminé asseguram a renovação constante do ar, filtrando a luz natural de forma ritmada.
A escolha dos materiais enfatiza a autenticidade e a sensação tátil, utilizando tijolos à vista, concreto texturizado, terracota e pedra local. As superfícies exibem um aspecto artesanal e estratificado, ecoando os processos naturais de formação de um formigueiro. A paleta de cores, majoritariamente terrosa e monocromática, reforça a ligação com o solo, permitindo que luz e sombra sejam elementos centrais na composição.
Seguindo a organização dos formigueiros, o projeto define uma hierarquia clara: as áreas comuns ocupam grandes cavidades centrais, enquanto os espaços privados ficam em setores mais tranquilos. As áreas de serviço são integradas discretamente. Cada quarto foi pensado para um uso intuitivo e complementado por móveis de madeira, oferecendo tanto janelas menores para ventilação quanto varandas para apreciação da paisagem.
A forma geral da residência sugere uma massa compacta, moldada pelo tempo, como se tivesse sido esculpida pelo vento e integrada ao terreno. Grandes lajes em balanço, medindo cerca de 3,7 metros, são sustentadas pela alvenaria em compressão, acentuando a aparência monolítica. A identidade arquitetônica é construída através da textura, dos jogos de sombra e da adaptação topográfica, reinterpretando os tradicionais chhats em varandas alternadas.