As florestas da Índia possuem um valor imenso, mas frequentemente negligenciado, estimado em cerca de US$ 2,5 trilhões por ano. Este capital natural inclui água potável, ar respirável, serviços de polinização, proteção contra inundações, sequestro de carbono e plantas medicinais.
Ativo Nacional Não Contabilizado
No entanto, este 'cofre bancário' de ativos naturais não é refletido nos balanços nacionais; seu conteúdo é frequentemente fornecido gratuitamente, e o governo periodicamente autoriza sua destruição para a construção de estradas e mineração. Um novo estudo, publicado na revista Environmental and Sustainability Indicators, forneceu pela primeira vez uma avaliação financeira precisa do valor das florestas indianas em nível nacional abrangente.
Metodologia do Estudo
O estudo foi conduzido por M. Balasubramanian, do Instituto de Mudanças Sociais e Econômicas (Isec), em colaboração com colegas do Conselho Indiano de Pesquisa Florestal e da Universidade Charles Darwin na Austrália. Os autores analisaram 45 trabalhos de avaliação publicados entre 2000 e 2024, padronizando todas as avaliações com base nos preços dos EUA de 2023.
Balasubramanian informou ao TOI que eles utilizaram o método de meta-regressão para combinar os resultados de vários estudos e determinar os fatores que influenciam a variabilidade dos valores declarados. As variáveis incluídas no modelo foram PIB per capita, densidade populacional, cobertura florestal, tipo de serviço ecossistêmico avaliado e método de avaliação utilizado. O modelo explicou 74% da variação nos custos totais dos serviços ecossistêmicos.
Custo Geral e Específico das Florestas
Os resultados mostraram que as florestas da Índia fornecem serviços ecossistêmicos cujo custo médio é de US$ 31.001 por hectare por ano. Considerando aproximadamente 827.000 km² de cobertura florestal e arbórea no país, esse valor atinge cerca de US$ 2,5 trilhões anualmente. Isso equivale a quase dois terços da economia formal da Índia em 2023, cujo PIB total era de cerca de US$ 3,7 trilhões, sendo que grande parte desse valor permanece não contabilizada.
Diferenças Entre Tipos de Floresta
O estudo detalha o custo por tipos de floresta, o que deve ajudar na tomada de decisões sobre uso da terra. As florestas tropicais decíduas secas, que cobrem vastas áreas do centro e da península da Índia, valem cerca de US$ 703 bilhões por ano, devido às suas enormes extensões, que somam quase 281.000 km². Vale notar que o custo dessas florestas por hectare aumentou de US$ 22.400 em 2019 para US$ 25.045 em 2023, apesar da redução da área.
As florestas tropicais espinhosas de Rajastão e Deccan têm um alto custo por hectare — mais de US$ 158.000, graças aos serviços indispensáveis de prevenção da erosão do solo e desertificação. As florestas alpinas e pastagens na região do Himalaia são avaliadas em US$ 111.539 por hectare, pois regulam o escoamento de água para irrigação nas regiões norte da Índia. As manguezais, ameaçadas pelo desenvolvimento costeiro, geram US$ 58,5 bilhões por ano em serviços, incluindo proteção contra ciclones, servindo como berçários de peixes e prevenindo a erosão costeira.
Importância dos Serviços Reguladores
Uma conclusão importante foi que a maior contribuição para o custo total das florestas não vem da madeira ou outros produtos comercializáveis, mas sim dos serviços reguladores. A meta-regressão mostrou que o sequestro de carbono, a purificação da água, a regulação de inundações e a estabilização climática têm uma ligação estatística mais forte com o custo total dos serviços ecossistêmicos do que os recursos produtivos.
Balasubramanian observou que os serviços culturais, como ecoturismo e conservação da biodiversidade, ocupam o segundo lugar após os serviços de provisão de recursos. Isso é crítico, pois a política atual muitas vezes se concentra em prioridades inversas, e os pagamentos do Fundo de Recuperação Florestal são calculados por fórmulas que não consideram o valor das funções regulatórias e culturais.
Paradoxo do PIB e Pressão Populacional
O modelo identificou um paradoxo: um PIB mais alto correlaciona-se positivamente com as avaliações de serviços ecossistêmicos, mas essa relação não é estatisticamente significativa. Os autores sugerem que isso está mais relacionado ao aumento dos investimentos em conservação da natureza do que a um mecanismo de mercado automático.
No entanto, a densidade populacional apresenta um quadro mais preocupante: um aumento de 1% na densidade populacional está associado a uma diminuição de 11,3% no custo dos serviços ecossistêmicos. Isso ocorre devido à expansão das terras agrícolas, desmatamento ilegal e fragmentação de corredores florestais. A densidade populacional da Índia de 464 pessoas por km² exerce uma enorme pressão estrutural sobre as florestas remanescentes.
Necessidade de Inclusão na Economia
A tese principal do artigo é que, enquanto o valor econômico dos serviços ecossistêmicos não for incluído na contabilidade nacional de receitas e na avaliação de projetos, a Índia continuará subestimando sistematicamente as decisões que levam à destruição do capital natural. Os autores pedem a adoção do Sistema de Contas Ambientais e Econômicas (SEEA), desenvolvido pela ONU, que já está sendo implementado por países como Reino Unido, Holanda e Austrália.
A aplicação prática dessa abordagem significa que, ao planejar a realocação de 500 hectares de florestas tropicais decíduas secas para uma nova rodovia, a avaliação econômica deve considerar a perda de US$ 12,5 milhões anuais em serviços ecossistêmicos. Balasubramanian enfatizou que iniciativas existentes, como CAMPA e Green India Mission, podem ser fortalecidas, mas carecem de dados sistemáticos de avaliação que este estudo agora fornece.
