No primeiro andar do departamento de botânica no campus da Universidade de Kerala em Kariyavattom, existe um espaço verde especial. Aqui, a luz solar intensa é filtrada, vegetação exuberante cresce em vasos de terra, uma pequena cachoeira murmura ao fundo, o vento tilinta em sinos e o chão é coberto de seixos. Este local, chamado Viridescent Haven, serve como uma área tranquila para descanso e recuperação dos visitantes, equipado com cadeiras e poltronas para estudantes.
Pesquisa e objetivos do projeto
Este canto foi criado pela mestranda Reshma PR, cuja dissertação trata de plantas que purificam o ar em ambientes internos, sob o título de trabalho 'Verificação da eficácia das plantas na remoção de poluentes internos comuns'. Reshma foca principalmente no formaldeído como poluente interno. Ela descobriu que certas plantas capazes de purificar o ar podem eliminar compostos de formaldeído presentes em tintas, detergentes e outros elementos. Reshma observa que as pessoas passam a maior parte do tempo em ambientes fechados, seja em casa, escritórios ou veículos. Essas plantas absorvem formaldeído e aumentam o oxigênio, limpando assim a atmosfera.
Orientação científica e escolha das plantas
A criação deste jardim interno foi realizada sob a orientação da Dra. Bindu R Nair, professora do departamento de botânica. Os interesses da Dra. Nair incluem biosistemática, taxonomia baseada no estudo da evolução genética de plantas e animais, fitoquímica — um ramo da química que estuda produtos vegetais — e biologia molecular. O jardim vertical inclui várias espécies locais de plantas purificadoras de ar, como sansevieria, lirio-teia, hemigraphis, drósera e bambu feliz. Elas foram selecionadas por suas propriedades purificadoras, com base em estudos da NASA citados por Reshma. Além disso, o espaço está em conformidade com o 'protocolo verde' da universidade, o que significa que os vasos e outros elementos utilizados são biodegradáveis e ecologicamente corretos.
Efeito terapêutico da natureza
Reshma enfatiza que o principal valor deste jardim reside na capacidade das plantas e outros elementos naturais de reduzir os níveis de poluentes do ar em ambientes fechados. Estudos mostram que o cérebro utiliza 20% do oxigênio do corpo para funcionar, e um ar mais puro contribui para clareza mental, melhora da concentração e foco. Reshma descreve esta área de 50 pés quadrados, financiada pela universidade, como um jardim terapêutico interno. A Dra. Bindu acredita que jardins terapêuticos são um conceito popular em países estrangeiros e, combinados com medicamentos, ajudam os pacientes a se recuperarem mais rapidamente. Eles promovem a cura tanto física quanto mental e são especialmente benéficos para pacientes após longas internações. Os jardins terapêuticos permitem que os pacientes experimentem um alívio temporário dos sintomas e proporcionam uma sensação geral de bem-estar e esperança.
Conceito e benefícios para a saúde
A Dra. Bindu explica que os jardins terapêuticos são geralmente criados no exterior, especialmente em hospitais, e existem muitas variedades, como jardins de hospitais psiquiátricos e lares de idosos. Por isso, decidiram adaptar este conceito para um jardim doméstico para desfrutar do poder curativo das plantas. O Viridescent Haven é posicionado como um 'conjunto de elementos curativos da natureza'. Cada aspecto do espaço foi projetado para relaxamento e restauração espiritual, oferecendo cura mental. A recuperação mental ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse, melhorar o humor, promover pensamentos mais claros, aumentar a autoestima, melhorar os relacionamentos e diminuir o risco de depressão. Também afeta positivamente o estado físico, aguçando a memória, aumentando o nível de energia e melhorando o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), que melhora a neurotransmissão.
Práticas de relaxamento no jardim
Os visitantes são aconselhados a deixar seus telefones celulares e relaxar conscientemente neste espaço por pelo menos meia hora. Além de desfrutar do agradável aroma e das vistas das plantas, o som dos sinos de vento tem um efeito calmante. Uma pequena cachoeira interna também se alinha a essa ideia. Reshma cita a teoria da 'mente azul', segundo a qual ouvir água corrente pode reduzir o estresse, diminuir os níveis de cortisol e melhorar o sono, conforme descrito no livro 'Blue Mind' de Wallace J. Nichols em 2014. Os visitantes também devem tirar os sapatos e caminhar descalços pelo jardim coberto de seixos. Reshma explica que isso visa alcançar um efeito de acupuntura da terra, o que é benéfico para o sistema nervoso. Este método é chamado de Eletroterapia ou Contato com a Terra, o que implica contato direto da pele com a superfície da terra. A conexão com os elétrons da terra causa mudanças fisiológicas, como melhoria do sono, redução da dor e do estresse, diminuição da viscosidade sanguínea e normalização do ritmo circadiano do cortisol. A Dra. Bindu observa que as pessoas que vêm à biblioteca estão frequentemente sobrecarregadas e podem encontrar paz aqui.
Conclusão e perspectivas
Existem muitos benefícios em ter tal jardim terapêutico interno, mas o mais importante é sua capacidade de reduzir o estresse, o que é crucial no mundo moderno e em rápida mudança. A Dra. Bindu conclui que o jardim oferece cura física e mental, possui poderes restauradores e serve como uma distração positiva. Passar tempo na natureza também estimula a criatividade e renova a mente e o corpo. Reshma lembra que a humanidade sempre dependeu da natureza — desde ar puro até água fresca para satisfazer todas as necessidades. Com seu modelo, ela espera popularizar o conceito de jardins terapêuticos internos em oposição às áreas urbanas gerais, para que as pessoas possam se beneficiar da natureza, em vez de se concentrarem apenas na beleza estética.

