A South African Federation of Trade Unions (SAFTU) e a South African Local Government Association (SALGA) exigiram que os funcionários fossem responsabilizados após a decisão do Tesouro Nacional de suspender temporariamente as transferências da quota justa de julho para 69 municípios que não cumpriram as normas financeiras.
Motivos do congelamento dos fundos
O Tesouro explicou sua decisão devido ao incumprimento persistente e grave da Lei de Gestão das Finanças Municipais (MFMA) e suas regras auxiliares, apesar do apoio, gestão, interação e comunicação prestados. O Departamento informou que esses municípios receberam notificação escrita suficiente e um pedido enfático para tomar medidas para alterar sua situação financeira antes do bloqueio dos fundos. Eles também tiveram a oportunidade de justificar por escrito por que seus fundos não deveriam ser retidos.
Escopo dos problemas financeiros
A lista de municípios afetados inclui grandes cidades como Joanesburgo, Buffalo City, Nelson Mandela Bay, Mangaung e Matjambeng, bem como municípios distritais e locais de todas as províncias do país. A distribuição justa é um subsídio incondicional proveniente das receitas nacionais, que garante a capacidade de fornecer serviços básicos gratuitos a famílias carenciadas e manter a base administrativa, mesmo que a base tributária local seja limitada. Apesar de receberem bilhões através das quotas justas, esses municípios encontraram-se em crise.
Relatórios e estatísticas
O Tesouro baseia-se na auditoria recente dos governos locais para 2024/25, realizada pelo Auditor-Geral da África do Sul, que confirma em grande parte as avaliações existentes do Tesouro. Desde 2021/22, os municípios sofreram perdas de 24,12 bilhões de randes em despesas inúteis e desperdiçadoras. No mesmo período, os municípios e suas estruturas incorreram em 145,21 bilhões de randes em despesas irregulares, sendo que apenas 40,14 bilhões de randes foram gastos em 2024/25. Além disso, desde 2021/22, eles revelaram 118,13 bilhões de randes em despesas não autorizadas. Em 2024/25, 116 municípios, ou 45%, aprovaram orçamentos sem financiamento, o que é superior aos 113 municípios (44%) no orçamento do ano anterior. Até o final do ano fiscal de 2024/25, os municípios deviam 3,4 bilhões de randes em juros da Eskom e 1,21 bilhão de randes em juros dos conselhos de água. Pagamentos em atraso também afetaram órgãos governamentais e terceiros. O Tesouro acrescentou que 48 municípios tinham retenções de terceiros em atraso há mais de um mês.
Exigências da SAFTU
O secretário-geral da SAFTU, Zwelinzima Vavi, declarou que a corrupção, a má gestão, o comportamento financeiro impróprio e o desvio de recursos municipais destruíram a prestação de serviços e traíram milhões de trabalhadores e comunidades pobres. Vavi observou que o último relatório do Auditor-Geral revelou a chocante dimensão da crise na autogovernança local, mostrando falhas constantes na gestão, comportamento financeiro impróprio generalizado, fraco controlo interno, aumento de despesas irregulares e incapacidade contínua de muitos municípios de prestar contas adequadamente sobre os recursos públicos. Ele enfatizou a necessidade de medidas decisivas contra a corrupção e o comportamento impróprio, exigindo que gestores municipais, diretores financeiros principais, contabilistas e líderes políticos que violam as leis de gestão financeira enfrentem consequências pessoais reais, incluindo processos criminais quando necessário.
Vavi também apelou ao Tesouro Nacional para abandonar o programa de austeridade e reverter o corte constante nas transferências para os governos locais. Ele acredita que o colapso dos municípios não pode ser resolvido apenas com medidas fiscais punitivas enquanto os municípios operam em condições de desemprego em massa, desindustrialização e redução da base tributária. Ele propôs ao governo a implementação de um programa abrangente para a recuperação da autogovernança local através de administração profissional, fiscalização financeira reforçada, investimentos no desenvolvimento económico local, industrialização, expansão da infraestrutura e criação de empregos.
Posição da SALGA
Por sua vez, a SALGA expressou preocupação com o facto de o Tesouro ter citado o não pagamento de contribuições para fundos de pensões, contribuições UIF e retenções PAYE, que já foram deduzidas dos salários dos trabalhadores. A associação afirmou que esses fundos não pertencem aos municípios e nunca devem ser usados para outros fins, pois tal comportamento mina os direitos dos funcionários, a confiança pública e expõe os municípios a riscos financeiros e legais. A SALGA insiste na tolerância zero para o comportamento financeiro impróprio e o incumprimento contínuo, exigindo que os conselhos, contabilistas e estruturas de supervisão investiguem despesas irregulares, responsabilizem os culpados e compensem os danos de acordo com a lei.
Avaliação de especialistas da situação
O especialista em gestão Andre Duvenhage observou que, apesar da incerteza sobre a estratégia política subjacente, a atividade atual não pode continuar em modo normal. Ele descreveu o cenário nacional atual como um ponto crítico alcançado, alertando que este limiar será em breve ultrapassado em muitos municípios locais.


