A conferência Standard Bank Africa Unlocked, realizada recentemente, foi dedicada à análise do significativo potencial da África para o crescimento económico. Prevê-se que o PIB do continente atinja 4% neste ano, apesar de vários obstáculos sérios, incluindo tarifas elevadas dos EUA, bem como interrupções nos setores de energia e logística.
Tema da Conferência e Crescimento
Bill Blakey, Diretor Executivo de Banca Comercial e Empresarial no Standard Bank, observou que este é o terceiro encontro com o nome Africa Unlocked. O tema deste ano é 'Built in Africa: Amplifying Continental Growth' (Construído na África: Amplificando o Crescimento Continental). Ele salientou que isto reflete um desenvolvimento baseado em capital africano, empreendedorismo e convicção, que se forma gradualmente, muitas vezes contra o sentimento geral, e este trabalho acumula-se em vários setores, fora das fronteiras e entre gerações.
Exemplos de Negócios Africanos
Blakey recordou a sua visita à África Oriental no início do ano, onde encontrou o cliente Coast Cables. Esta empresa, fundada em 1978 como fabricante de cabos de cobre superesmaltados, transformou-se num grande produtor de cabos de alimentação internos e industriais, fornecendo produtos em toda a região e expandindo-se para a energia solar.
Blakey notou que não foi apenas o negócio em si que o impressionou, mas também a convicção por trás dele. Apesar dos ciclos económicos, flutuações cambiais e problemas de infraestrutura, a empresa continuou a desenvolver-se. No final da visita, o proprietário partilhou a sua experiência, dizendo: 'Se eu soubesse o que sei agora, investiria todo o meu capital aqui, na África Oriental'.
Contexto Global e Comércio Interno
O cenário global continua complexo. Blakey indicou que as tarifas dos EUA estão no nível mais alto em mais de um século, e o conflito no Médio Oriente continua a perturbar os fluxos de energia e as rotas marítimas. Além disso, o sistema de comércio multilateral está ameaçado por choques sem precedentes.
No entanto, espera-se que a África cresça cerca de quatro por cento este ano. No ano passado, o comércio intra-continental aumentou mais de doze por cento, e os ativos de pensões ultrapassaram um trilhão de dólares. Contudo, segundo Blakey, o facto mais importante é que hoje os clientes de banca empresarial negociam entre si dentro do continente mais do que com qualquer parceiro externo individual, superando a China, os Estados Unidos ou a União Europeia.
Mudanças Estruturais na África
Esta mudança é estrutural, e não cíclica. Quarenta e sete países são membros da AfCFTA – a maior zona de livre comércio em termos de número de participantes no mundo. A isto soma-se um volume sem precedentes de projetos de infraestrutura no continente e uma base comercial mais sólida para ambições na transição energética.
Situação na África do Sul
David Hodnett, CEO do Standard Bank of South Africa, afirmou que a África do Sul está passando por um período de sérias discussões sobre a sua direção. Ele reconheceu que existem opiniões que pintam um quadro do país em dificuldades e admitiu honestamente que parte destas dificuldades é real: o crescimento é moderado, os investimentos são insuficientes e as reformas estruturais necessárias estão a ser promovidas, mas não tão rapidamente como muitos gostariam.
Apesar disso, a África do Sul recebeu um aumento na classificação de crédito da S&P Global. O problema de cortes de energia foi resolvido, o país foi retirado da Lista Cinzenta do GAFI, e o Governo da Unidade Nacional está operacional. O setor financeiro é profundo, complexo e tem ligações internacionais, e o sistema legal é independente, e muitos institutos chave operam a nível mundial.
Atividade Internacional do Banco
Hodnett acrescentou que, no mercado sul-africano, embora muito esteja a ser feito a um nível incrível, o setor reconhece áreas que necessitam de melhoria. O banco está focado nestes aspetos. Ele sublinhou que muitos clientes não se limitam à África do Sul, mas desenvolvem-se no resto da África ou noutras regiões de presença internacional, como o Golfo Pérsico, ou gerem operações de tesouraria a partir de jurisdições offshore.
Hodnett concluiu que estes mercados funcionam em ambientes regulatórios completamente diferentes, com moedas distintas, requisitos de conformidade e infraestrutura bancária diferentes. Ele também observou que clientes de todo o continente investem na África do Sul, e o banco faz esforços diários para garantir que, quando um cliente cruza a fronteira, o Standard Bank o acompanha.
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