A delegação do Instituto de Pesquisas Estratégicas e Interregionais sob o Presidente da República do Uzbequistão (ISMIS), liderada pelo primeiro vice-diretor do ISMIS, Akromjon Nematov, participou do XIV Fórum Mundial de Paz, realizado de 2 a 4 de julho de 2026 em Pequim.
Evento e Participantes
O fórum foi organizado pela Universidade Tsinghua com o apoio do Ministério das Relações Exteriores da República Popular da China e reuniu mais de 400 delegados de 60 países. Entre os participantes estavam representantes de círculos políticos, diplomáticos e acadêmicos dos EUA, Rússia, Europa, Ásia, América Latina, África e Oriente Médio.
Posição da China e do Uzbequistão
Na cerimônia de abertura, o vice-presidente da República Popular da China, Han Zheng, discursou sobre as principais abordagens de Pequim para a formação de uma nova arquitetura de segurança internacional, enfatizando a importância da cooperação multilateral diante da crescente instabilidade geopolítica.
No âmbito da sessão dedicada às perspectivas de interação no âmbito da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), Nematov apresentou a concepção uzbeque para o desenvolvimento futuro da Organização. Ele citou o Presidente Shavkat Mirziyoyev, destacando que para o Uzbequistão, a SCO não é apenas um palco para a política externa, mas uma ferramenta para garantir a segurança, o desenvolvimento sustentável e a cooperação mutuamente benéfica.
Importância da Interação Regional
Segundo o especialista, em um cenário de profundas mudanças no sistema mundial, a importância dos mecanismos de interação regional está crescendo. Nematov observou que, em situações em que as instituições globais de governança enfrentam falhas e nem sempre podem responder prontamente aos novos desafios, o papel dos formatos regionais aumenta, o que objetivamente eleva a importância da SCO.
Ao mesmo tempo, o especialista ressaltou que a SCO mantém sua singularidade. Ele afirmou que a Organização não é um bloco militar e nunca foi concebida como uma alternativa às estruturas internacionais existentes. Sua peculiaridade reside na união de estados com diferentes sistemas políticos e interesses, ao mesmo tempo em que mantém a capacidade de desenvolver abordagens comuns. Em um mundo fragmentado, a capacidade de manter o diálogo por si só torna-se um recurso estratégico.
Economia e Segurança
Grande atenção foi dada à transformação dos problemas modernos. O especialista acredita que as questões de segurança e desenvolvimento não podem mais ser vistas isoladamente: «Sem uma economia sustentável, não é possível garantir a segurança, e sem segurança, não é possível alcançar o desenvolvimento sustentável».
Por essa razão, o Presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, defende consistentemente a criação de um novo modelo de parceria econômica no âmbito da SCO, baseado na interconexão e sustentabilidade. Isso não significa o isolamento da região, mas sim o fortalecimento de seu potencial para enfrentar conjuntamente choques econômicos externos através do desenvolvimento da cooperação industrial, conectividade de transporte e digital, expansão do comércio e formação de cadeias de produção sustentáveis.
O representante do ISMIS acrescentou que «a interdependência econômica é não apenas uma fonte de crescimento, mas também um elemento de segurança coletiva».
Nova Agenda e Confiança
Assim, o primeiro vice-diretor do ISMIS concluiu que a evolução futura da SCO deve se basear em uma nova agenda, onde as questões de segurança, integração econômica, conectividade de transporte e desenvolvimento tecnológico são consideradas elementos complementares de uma estratégia única para garantir estabilidade e sustentabilidade no espaço da Organização.
Foi também destacada a necessidade de manter uma atmosfera de confiança dentro da Organização. Segundo Nematov, «em meio à crescente tensão internacional, é importante prevenir a transferência de contradições externas para dentro da Organização. Portanto, a cultura do diálogo torna-se não apenas um valor, mas uma condição para o desenvolvimento da SCO». Reconhecendo a inevitabilidade de divergências entre os estados, ele enfatizou que são necessários diálogo, consultas e mecanismos de fortalecimento da confiança para que estas não minem a agenda geral.
Ásia Central como Núcleo da SCO
Ao descrever as abordagens do Uzbequistão para o desenvolvimento da Organização, o representante do ISMIS enfatizou que a república «apoia consistentemente o caráter aberto e neutro da SCO e o fortalecimento da boa vizinhança».
A mensagem chave da fala foi a afirmação de que a Ásia Central deve permanecer como o núcleo estratégico da SCO. Como Nematov salientou, «isso está consagrado na Declaração de Tianjin, adotada na cúpula em Pequim em 2025. Mas o que é mais importante, isso reflete a realidade estrutural objetiva da cooperação euroasiática».
Ele explicou que a Ásia Central garante a coesão interna da Organização, pois do ponto de vista geográfico, econômico e de segurança, é evidente que é a Ásia Central que garante essa coesão. A região serve como um nó de trânsito chave para a Eurásia, através do qual passam rotas que conectam a Ásia Oriental, o Sul, a Rússia e o Oriente Médio. Além disso, os princípios do «espírito de Xangai» são implementados de forma mais consistente aqui, e os países da região estão passando do fortalecimento da confiança para a implementação de projetos de infraestrutura em grande escala.
Como exemplo, o ISMIS citou a ferrovia chinesa-quiriqo-uzbeque, afirmando que «esta não é apenas uma linha de transporte. É um corredor estratégico capaz de mudar a arquitetura da conectividade regional».
Ele também lembrou que a Cúpula da SCO em Samarcanda em 2022 foi um «verdadeiro ponto de viragem», após o qual foram definidos «contornos estratégicos e conceituais da nova arquitetura econômica da SCO».
Segurança e Afeganistão
Os elementos chave do sistema de segurança da Organização estão concentrados na Ásia Central: a Estrutura Antiterorista Regional em Tashkent, bem como novos centros em Dushanbe e Bishkek. Nematov resumiu: «essencialmente, hoje a Ásia Central desempenha a função de estabilizador sistêmico para toda a Organização».
Um lugar especial em seu discurso foi dedicado aos problemas do Afeganistão. O especialista do ISMIS observou que a capacidade da SCO de agir como um ator responsável na governança global depende diretamente da eficácia da garantia de estabilidade em seu próprio espaço. Ele declarou que «o Afeganistão é um elemento chave da segurança regional. Sua instabilidade afeta toda a vasta região euroasiática — desde o terrorismo e o tráfico de drogas até a conectividade de transporte e a integração econômica».
Nesse sentido, o primeiro vice-diretor do ISMIS apontou a necessidade de passar de discussões para ações práticas. Ele enfatizou que é importante não apenas manter a atenção às questões afegãs, mas também avançar para mecanismos práticos de interação. É necessária a retomada do trabalho do Grupo de Contato da SCO sobre Afeganistão, bem como o desenvolvimento do diálogo com as autoridades afegãs e o apoio aos esforços de reconstrução da economia do país. Sem a recuperação econômica do Afeganistão, não se pode falar em estabilidade de longo prazo na região.
Diálogos com Especialistas Chineses
Paralelamente ao fórum, a delegação do ISMIS realizou reuniões com líderes de importantes centros de análise e universidades chinesas, incluindo Sun Zhuangzhi, diretor do Instituto Russo, Europa Oriental e Ásia Central do CASS; Ding Xiaosin, diretor do Instituto de Estudos Euroasiáticos do CICSR; Xu Baofeng, chefe do Centro Mundial de Sinologia, e o professor Yan Xuetong, diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade Tsinghua.
Durante essas conversas, os especialistas chineses chegaram unanimemente à conclusão de que, graças à política do Presidente Shavkat Mirziyoyev, as relações uzbeque-chinesas atingiram o nível de «parceria estratégica abrangente em todas as condições». Eles também destacaram o papel do líder do Uzbequistão no fortalecimento da boa vizinhança na Ásia Central, na promoção da integração regional e na formulação do conceito de «Nova Ásia Central». Como resultado, hoje a região é percebida pela China como um espaço de novas oportunidades e um dos principais centros da cooperação euroasiática.
Simultaneamente, planeja-se dar atenção especial à área de alta tecnologia; em particular, o lado chinês expressou disposição para expandir ainda mais a cooperação com o Uzbequistão em áreas como economia digital, inteligência artificial, inovação e intercâmbio de especialistas.