O legado de esperança da África do Sul está sob ameaça devido ao ressurgimento do xenofobia. O autor, reitor e vice-chanceler da Universidade do Noroeste (NWU), expressa profunda preocupação com a ameaça de violência em grande escala e violações direcionadas a imigrantes ilegais.
Contexto Histórico e Situação Atual
O autor recorda um período em que a África do Sul era o centro das atenções mundiais, buscando ser um exemplo moral após renunciar a repetir sua história sombria. Ele descreve momentos como a libertação de Nelson Mandela em 11 de fevereiro de 1990 e a votação de 27 de abril de 1994, quando o país abriu suas portas a todos os residentes. No entanto, mais de 32 anos depois, o autor está preocupado que os cidadãos novamente ameacem a violência contra estrangeiros, arriscando transformar o país em um pária.
Posição sobre Imigração
Do ponto de vista do autor, não há lugar para a imigração ilegal, pois os recursos são limitados e existe o dever de cuidar dos próprios cidadãos. Ele afirma que os sul-africanos enfrentam uma escolha entre tolerar a xenofobia ou ignorar a imigração ilegal, pedindo que ambos os extremos sejam rejeitados. O autor enfatiza que quando os governos falham em gerir a imigração, os migrantes comuns frequentemente se tornam bodes expiatórios pelos fracassos do Estado, o que é uma injustiça comparável à travessia ilegal de fronteiras.
Papel do Ensino Superior
Citando sua universidade, a NWU, o autor explica que a palavra “universitas” deriva do latim “universitas”, que significa “comunidade unida como um todo”. Na NWU estudam professores, pesquisadores e estudantes de todo o continente, pois os avanços científicos transcendem fronteiras, e as ideias possuem passaportes mais poderosos do que os documentos humanos. Uma universidade que se isola torna-se rapidamente intelectualmente mais pobre, pois os estudantes se desenvolvem através da interação com pessoas que pensam de maneira diferente.
Equilíbrio entre Abertura e Ordem
O autor observa que na visão pública, a linha entre migrantes legais, refugiados, estudantes internacionais e especialistas qualificados e aqueles que violam intencionalmente as leis de imigração se apaga, levando a uma situação tóxica. Como universidades públicas, eles consideram seu dever mostrar que abertura e ordem não são conceitos mutuamente exclusivos, mas sim complementares. A prosperidade é alcançada através da combinação de abertura a pessoas e ideias com responsabilidade, mérito e respeito pelo estado de direito.
Dados Estatísticos sobre Migrantes
Referenciando um artigo da publicação britânica The Economist, o autor apresenta dados que refutam os mitos comuns sobre migração. De acordo com pesquisas do Banco Mundial e OCDE, os residentes estrangeiros representam cerca de 5% da população da África do Sul, e os migrantes são frequentemente criadores líquidos de empregos, estimulando a atividade econômica. Além disso, estudos mostraram que os cidadãos estrangeiros cometem crimes com menos frequência em média do que os cidadãos sul-africanos.
Conclusão sobre o Futuro do País
O autor conclui que a África do Sul não deve escolher entre abertura e ordem; ela precisa de ambos. É necessário rejeitar firmemente a xenofobia, cumprir rigorosamente a legislação de imigração e continuar construindo universidades que acolham ideias de todos os cantos do mundo, mantendo-se firmemente enraizada no estado de direito. Ele apela para a defesa do legado de reconciliação e esperança, para que o mundo veja que a África do Sul não é apenas um ponto no mapa, mas uma ideia a ser buscada.

