Pieter-Steph du Toit, um dos maiores jogadores da história dos Springboks, está perto de completar cem pontos por suas atuações pela seleção, e essa homenagem é totalmente merecida. Ele é bicampeão do prêmio de jogador do ano da World Rugby.
O início da jornada e a influência familiar
Quando o jovem du Toit chegou a Durban em 2012, vindo de uma escola rural no Cabo Ocidental, o treinador dos Sharks, John Plamtree, notou suas dimensões físicas incomuns, dizendo que tiveram que trocar equipamentos esportivos devido aos seus braços, que eram 'como tampas de lata'. O especialista neozelandês também previu que este jovem calmo seria especial devido à sua força.
A força de du Toit está muito ligada ao seu avô, Pierre 'Spier' du Toit, que jogou pelos Springboks como jogador de linha central de 1958 a 1961. Em 2013, quando du Toit falava sobre seu avô, ele se lembrava de como jogavam juntos quando criança, apesar de o avô ter falecido em 1996 aos 60 anos após uma maratona.
Herança e tradições da família
Du Toit enfatizou que cresceu com um senso de destino e o valor de sua herança, sentindo responsabilidade por esse sobrenome. Essa fenomenalidade da família não é nova: logo após os primeiros du Toits chegarem à África do Sul nos anos 1690 como refugiados huguenotes da França, surgiu a tradição de nomear o filho mais velho Pieter-Steph du Toit. Desde os anos 1820, oito gerações de Pieter-Stephs têm trabalhado na vinicultura em Boland.
A fazenda familiar, conhecida como Kloovenburg Wine and Olive Estate, está localizada em Riebeek-Castle, no coração do Cabo Ocidental, perto de Cidade do Cabo. O pai de Pieter-Steph é viticultor, e a mãe cultiva azeitonas e produz azeite. Em 2013, o jovem du Toit disse que gostaria de complementar a coleção de botas antigas de seu avô, sentindo que estava seguindo seus passos.
Carreira e lesões
Seis meses após essa entrevista, em 9 de novembro de 2013, Pieter-Steph estreou pela África do Sul contra o País de Gales em Cardiff, em um jogo que os Boks venceram por 24-15. Ele declarou que a fazenda era muito importante para ele e que voltaria à fazenda após o fim da carreira.
O desejo de se dedicar à agricultura foi interrompido por uma série de lesões graves. Em 2019, seis meses antes da Copa do Mundo no Japão, ele sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior, levando os médicos a concluir que seu sonho da Copa do Mundo era inatingível. No entanto, o pai, Pieter du Toit, propôs uma solução incomum: usar um pedaço de seu próprio tendão para fortalecer o joelho do filho. Após essa cirurgia, sete meses depois, os Springboks venceram a Copa do Mundo, e Pieter-Steph foi nomeado Jogador do Torneio e Jogador do Ano da World Rugby de 2019.
Sua carreira subsequente foi obscurecida por outra grave lesão. Em 2020, jogando pelos Stormers, ele sofreu um golpe na coxa que resultou em síndrome compartimental aguda. Sua perna dobrou de tamanho, e o cirurgião alertou o atleta de 27 anos sobre 50-50 chances de amputação. Após um corte de 41 centímetros e duas semanas de ferida aberta, ele perdeu 10 kg, e a perna diminuiu pela metade. Du Toit passou 14 meses de reabilitação na fazenda familiar antes dos jogos contra os Leões Britânicos e Irlandeses em julho de 2021.
Espírito indomável de lutador
Após o retorno, ele adicionou suas camisas Bok à coleção no adega com lágrimas nos olhos. Pieter du Toit observou que, embora tenha sido difícil para o filho, isso lhe deu um espírito muito forte. Ele concluiu: 'Os du Toits são todos lutadores. Nós não desistimos. Nunca desistimos e nunca desistiremos.'


