À medida que os países africanos continuam a ser eliminados dos playoffs da Copa do Mundo da FIFA, Hugo Broos acredita que o problema não é mais talento, compreensão tática ou experiência. Na opinião do técnico do 'Bafana Bafana', a verdadeira razão reside na falta de concentração.
Momentum e problemas das equipes
A África continental chegou ao torneio com um impulso sem precedentes. Nove de dez representantes do continente avançaram da fase de grupos no formato expandido de 48 equipes, o que foi um feito histórico e demonstrou um aumento significativo na competitividade global. No entanto, as seleções africanas sofreram derrotas dolorosas de forma consistente, muitas vezes depois de parecerem ter controle sobre o jogo ou, pelo menos, conseguir lidar com ele.
Broos vê um padrão claro nesses eventos. Ele observou: 'Eu acho que é uma questão de concentração e foco. Quando você vê a DR Congo perder o jogo, quando você vê o Senegal perder o jogo, é simplesmente perda de foco, perda de concentração.'
Aspecto psicológico do jogo
O tático belga não excluiu sua própria equipe dessa crítica. O 'Bafana' também passou por momentos perigosos durante todo o torneio e acabou perdendo por um gol no tempo de acréscimo para o Canadá, encerrando sua participação histórica na Copa do Mundo. Broos admitiu: 'E nós também tivemos esses momentos, no início do jogo, no último jogo, no final do jogo.'
Na opinião dele, o problema vai além da tática; é a resistência psicológica — a capacidade de manter o controle emocional e a disciplina tática durante todo um jogo de alto nível de playoff. Ele enfatizou: 'Então eu acho que sim, um pouco, como dizer, as equipes africanas sofrem com isso. Manter o foco durante 90 ou 120 minutos.'
Composição e exemplos do torneio
Esta observação torna-se ainda mais evidente ao analisar a composição das equipes africanas modernas. Diferentemente de épocas passadas, muitos desses coletivos são agora formados quase inteiramente por jogadores que atuam em clubes e ligas europeias de alta intensidade todas as semanas. Broos explicou: 'Até mesmo as equipes africanas com todos os jogadores que jogam na Europa. Porque estamos falando aqui de equipes que não têm nenhum jogador do campeonato local em seus elencos.'
Ele acrescentou que isso é uma área para trabalhar. Exemplos do torneio atual apenas reforçam seu argumento. O Senegal cedeu a posição dominante tardiamente em seu jogo de playoff, e o Zaire e a RDC também colapsaram depois de não conseguirem lidar adequadamente com os momentos decisivos. Broos comentou: 'Porque sim, se você perde um jogo como Senegal 2-0 toda vez, a vantagem é zero. E então, 10 minutos depois, eles perdem o jogo. Os últimos 10 minutos do jogo.' Ele também mencionou: 'Zaire 17 (últimos 17 minutos do jogo). Então, sim, é nisso que precisa trabalhar.'
Conclusão sobre o progresso
Para Broos, a decepção reside no fato de que essas derrotas eram evitáveis. A lacuna de qualidade está diminuindo: as equipes africanas competem cada vez mais fisicamente, taticamente e tecnicamente com as maiores potências mundiais. No entanto, a incapacidade de manter a concentração em momentos críticos continua minando o progresso. Ele alertou: 'E sim, se isso não desaparecer, você terá jogos que perderá desnecessariamente.'
Ele concluiu que Senegal, Zaire e DR Congo não deveriam ter perdido esses jogos, e que a África não está mais lutando pela participação na Copa do Mundo, mas tentando concluir o que começou.


