A decisão do Banco Estatal do Paquistão (SBP) de cancelar dois esquemas de incentivo para bancos não deve resultar na interrupção dos fluxos de remessas ou no aumento dos custos das transações para paquistaneses no exterior que enviam fundos dos Emirados Árabes Unidos e de outros países.
Mudança no sistema de incentivos
A partir de 1º de julho, o banco central do Paquistão suspendeu o Programa de Incentivo a Transferências Telegráficas (TTCIS) e o Programa de Remessas Sohni Dharti (SDRP). Esses programas anteriormente previam o reembolso aos bancos das despesas com o processamento de remessas domésticas correspondentes gratuitamente. No âmbito do TTCIS, o SBP compensava os bancos pelos custos telegráficos de transferências aceitáveis, garantindo operações gratuitas para remetentes e recebedores.
Quanto ao SDRP, ele recompensava os paquistaneses no exterior com pontos pelo uso de canais bancários oficiais. Os pontos acumulados até 30 de junho podem ser usados até 30 de junho de 2027, após o que o SDRP será totalmente encerrado.
Novas condições para os bancos
O SBP instruiu os bancos e empresas de câmbio a continuar fornecendo serviços de transferência que se enquadrem nos critérios gratuitamente para os clientes, apesar da interrupção dos subsídios governamentais. Isso significa que o ônus dos custos é efetivamente transferido para as próprias instituições financeiras. Além disso, o programa de Iniciativa de Remessas do Paquistão, que é um programa separado e maior, no qual os bancos recebem uma remuneração percentual sobre os volumes de remessas, permanece inalterado.
Volume de remessas
De acordo com o Khaleej Times, na quinta-feira, as remessas de paquistaneses no exterior aumentaram em 8,6%, atingindo um recorde de US$ 41,6 bilhões durante o ano fiscal de 2025-26. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos lideraram esse crescimento. O Primeiro-Ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, expressou na quinta-feira sua gratidão aos paquistaneses no exterior pelo aumento do volume de fundos enviados.
Dados do SBP mostraram que os paquistaneses na Arábia Saudita enviaram mais de US$ 9,78 bilhões, seguidos pelos Emirados Árabes Unidos (US$ 8,80 bilhões), Reino Unido (US$ 6,32 bilhões), EUA (US$ 3,62 bilhões) e Itália (US$ 1,54 bilhão). Mais de 15 milhões de paquistaneses vivem no exterior e enviam dinheiro para casa mensalmente para sustentar suas famílias. Um número significativo dessas pessoas trabalha e reside em seis países do Golfo Pérsico: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Omã, Bahrein e Kuwait.
Opinião de especialistas sobre o impacto
Ali Al Najjar, diretor executivo da Al Ansari Exchange, respondendo à pergunta sobre se a decisão do SBP afetará as casas de câmbio e as remessas dos Emirados Árabes Unidos, afirmou que, neste momento, não espera um impacto significativo da decisão do SBP nas operações da Al Ansari Exchange ou no mercado mais amplo de remessas nos Emirados Árabes Unidos. Ele observou que o Paquistão continua sendo um dos maiores corredores de remessas para a empresa, e esta política parece se referir a incentivos sistêmicos dentro do sistema bancário do Paquistão, e não a aspectos fundamentais da demanda transfronteiriça ou infraestrutura.
Al Najjar também supôs que os paquistaneses no exterior provavelmente continuarão a usar os canais existentes para enviar dinheiro. Ele acrescentou que, atualmente, não se espera que esta decisão afete os fluxos de remessas para o Paquistão, pois os paquistaneses continuarão a enviar dinheiro para casa para sustentar suas famílias e cumprir obrigações financeiras regulares, enquanto os canais estabelecidos, incluindo plataformas digitais, permanecerão acessíveis.
Questão sobre o aumento de custos
Respondendo à questão principal sobre se o cancelamento dos incentivos levará ao aumento dos custos das remessas para os paquistaneses dos Emirados Árabes Unidos, Al Najjar informou que os clientes dificilmente sentirão quaisquer mudanças. Ele enfatizou que os relatórios indicam que as remessas domésticas para o Paquistão devem permanecer gratuitas tanto para remetentes quanto para recebedores. Ele esclareceu que a responsabilidade por este acordo agora recai sobre as instituições receptoras no Paquistão, e os clientes podem continuar a enviar dinheiro como de costume. Ele concluiu que quaisquer mudanças que afetem os clientes serão comunicadas através dos canais apropriados.

