Os moradores do bairro Observatório expressaram descontentamento e exigiram esclarecimentos sobre a implementação do projeto de criação de instalações esportivas privadas — um campo de futebol de cinco pessoas e quadras de pádel — em terra pertencente ao estado e utilizada pela escola para surdos.
Questões de transparência e participação pública
Os moradores que vivem perto da Escola para Surdos Mary King entraram em contato oficialmente com o Departamento de Educação do Cabo Ocidental solicitando justificativas por escrito para a aprovação da proposta de desenvolvimento desses espaços esportivos no terreno da escola. Os moradores enfatizaram que não são contra a melhoria da escola, mas acreditam que o processo de tomada de decisão deixou sérias preocupações entre eles.
Um representante do grupo de moradores declarou que apoia a escola e seus alunos, reconhecendo a importância da melhoria da infraestrutura e da sustentabilidade financeira da instituição. No entanto, a principal preocupação está relacionada à falta de transparência e à participação pública insuficiente, visto que são vizinhos e desejam participar de um processo legal e construtivo.
Processo de aprovação e ações legais
O grupo apresentou uma solicitação oficial de acordo com a Lei de Auxílio à Justiça Administrativa (PAJA), exigindo explicações por escrito. Eles também contestaram a posição do departamento de que o ministro que tomou a decisão perdeu suas atribuições após a emissão do decreto. Segundo os moradores, a construção do clube começou em maio de 2025, depois que supostamente foram informados sobre a obtenção das licenças de uso do solo e planos de construção. Após isso, solicitaram cópias das licenças da Cidade, mas os documentos não foram fornecidos após a objeção do construtor.
Posição do Departamento de Educação
Em resposta ao Weekend Argus, o Departamento de Educação do Cabo Ocidental informou que avaliou o pedido de acordo com a Circular 0018/2024, que regula o uso de propriedade escolar de acordo com a Seção 36 da Lei de Escolas da África do Sul. O WCED observou que a proposta recebeu o apoio do Ministro Provincial da Educação devido ao potencial benefício para a comunidade escolar, desde que todos os requisitos legais e regulamentares aplicáveis sejam cumpridos. O Departamento esclareceu que sua aprovação não isenta a escola ou o construtor de obter quaisquer outras permissões necessárias.
O Departamento também explicou que tais pedidos são considerados antes da conclusão dos processos municipais de aprovação, e as escolas são notificadas sobre a necessidade de obter todas as permissões municipais e legais exigidas antes do início de quaisquer trabalhos de desenvolvimento. Quanto ao pedido dos moradores sob a PAJA, o WCED afirmou que qualquer solicitação formal desse tipo será considerada e respondida de acordo com as disposições da Lei e os procedimentos legais aplicáveis.
Resolução da questão de zoneamento
O vice-prefeito e membro do Comitê Municipal de Planejamento Espacial e Meio Ambiente, Eddie Andrews, informou que o zoneamento atual do terreno permite a implementação das instalações esportivas propostas. Ele explicou que, dentro do zoneamento atual (Zona Pública 1), as quadras de pádel e o futebol de cinco pessoas correspondem à definição de espaço aberto de acordo com o Plano Municipal-Lei. Assim, as únicas permissões emitidas de acordo com o MPBL referem-se à construção de estruturas dentro da Zona de Proteção do Patrimônio (HPOZ).
Andrews acrescentou que nenhum pedido de alteração de uso do solo foi apresentado, pois o zoneamento permite tal desenvolvimento. Ele também afirmou que o processo de participação pública não é necessário, pois o zoneamento da Zona Pública 1 permite a instalação de quadras de pádel e futebol de cinco pessoas neste terreno por direito. No entanto, Andrews confirmou que as reclamações foram recebidas após o processamento do pedido relacionado à HPOZ e foram investigadas e respondidas.
Preocupações remanescentes dos moradores
Apesar das declarações das autoridades, os moradores permanecem preocupados com o possível ruído, poluição luminosa, aumento do tráfego, problemas de estacionamento e extensão dos horários de funcionamento na área residencial adjacente. Um representante dos moradores reiterou que seu objetivo não é o conflito, mas sim garantir um processo transparente onde todas as partes interessadas sejam ouvidas e as decisões sejam tomadas com base na lei.
