O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, fez um apelo urgente à comunidade global, alertando que alcançar os objetivos educacionais internacionais é impossível sem uma mudança fundamental na abordagem ao trabalho e na compensação dos quadros pedagógicos.
Educação no centro das reformas
Ao discursar na Cúpula de Transformação Educacional (TES+4) em Paris, Ramaphosa enfatizou que a profissão de professor está no centro de qualquer transformação significativa no setor da educação. No entanto, ele observou que os educadores em todo o mundo continuam a trabalhar em condições cada vez mais insustentáveis.
Ramaphosa apontou várias questões sistémicas, incluindo a falta de remuneração adequada, desenvolvimento profissional insuficiente, sobrecarga nas salas de aula e o grave fardo emocional associado à crescente crise de saúde mental entre os jovens. Ele afirmou que os professores estão a tentar cumprir os seus deveres em circunstâncias extremamente difíceis.
Necessidade de igualdade e ações decisivas
O Presidente da África do Sul insistiu que a transformação da educação exige a melhoria das condições de trabalho dos professores e a restauração do respeito por esta profissão. Ele especificou que a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 depende de um compromisso claro e direcionado com os princípios de inclusão e igualdade. Isso garante que cada aluno, independentemente do género, capacidade física, local de residência ou situação socioeconómica, tenha acesso a uma educação de qualidade.
Ramaphosa alertou que, sem a centralização da igualdade na política educacional global, as reformas podem apenas reforçar a desigualdade estrutural existente. Uma vez que a comunidade internacional está a meio caminho entre os compromissos assumidos na cimeira de 2022 e o prazo de 2030, o líder sul-africano declarou que o tempo para ajustes políticos insignificantes passou, exigindo medidas urgentes e transformadoras para acelerar o progresso.
Ele salientou que não é hora de mudanças rotineiras ou de manter o status quo, mas sim de uma transformação sistémica ousada, que crie sistemas educativos mais resilientes, adaptáveis e preparados para o futuro. Ramaphosa acrescentou que a verdadeira sustentabilidade significa construir sistemas que não sejam 'galhos frágeis que se dobram com o vento, mas sim florestas robustas com raízes profundas e capacidade de autorregeneração'.
Vontade política e financiamento
Para alcançar esta visão, segundo Ramaphosa, são necessários esforços globais diversificados: apoio político constante ao mais alto nível, implementação de fontes de financiamento inovadoras e sustentáveis, e a participação ativa das vozes dos jovens no processo de formulação de políticas.
Concluindo o seu discurso, Ramaphosa apresentou um exemplo do seu próprio país para demonstrar o potencial da educação na luta contra a ignorância e no desenvolvimento do potencial humano. Apesar das dificuldades sistémicas, a África do Sul alcançou recentemente a taxa mais alta de conclusão do ensino secundário na sua história democrática. É importante notar que a maioria dos estudantes que se candidataram à universidade provinham de classes desfavorecidas.
Ramaphosa destacou que esses jovens poderão realizar os seus sonhos na universidade, colégio técnico ou profissional escolhido, sublinhando a pedra angular da política social do país: o ensino será gratuito.


