O projeto Além da Casa Pátio, desenvolvido pelo RCAB Studio, foi concebido em um lote de esquina de 407 metros quadrados situado em um bairro residencial da cidade de Jacarta.
O projeto Além da Casa Pátio, desenvolvido pelo RCAB Studio, foi concebido em um lote de esquina de 407 metros quadrados situado em um bairro residencial da cidade de Jacarta.
A residência possui uma localização privilegiada, voltada diretamente para um parque público estabelecido e coberto por volumosas árvores tropicais. Em vez de considerar a vegetação vizinha apenas como um cenário distante, o projeto integra essa paisagem ao próprio espaço habitável, fazendo com que o ambiente fora dos limites do terreno faça parte da rotina diária dos moradores.
O cliente expressou o desejo de ter uma casa inundada de luz natural, garantindo uma ventilação cruzada eficiente e um vínculo profundo com a natureza. Além desses aspectos de bem-estar ambiental, havia a ambição de criar uma moradia onde os materiais como aço, madeira e paisagismo convivessem em harmonia, resultando em um clima que fosse ao mesmo tempo moderno e acolhedor.
Considerando a atuação do proprietário no setor siderúrgico, elementos de aço aparente foram incorporados como parte essencial da identidade arquitetônica da casa. Esses componentes metálicos são cuidadosamente balanceados por materiais naturais mais suaves, criando um equilíbrio estético no design.
A equipe de projeto descreveu a Casa de los Patios como uma residência que não interfere na paisagem circundante, mas sim a integra. O conceito baseia-se em uma série de volumes baixos dispostos pelo terreno, criando um ambiente que fomenta a tranquilidade e a ligação com elementos naturais.
O lote, que possui formato de leque, está situado em Estancias del Pilar. Ele se insere em uma vasta área de campo antigo, oferecendo amplas vistas para o campo de golfe em seu lado mais extenso, além de uma lagoa ao fundo e um parque público posicionado na frente. O terreno é caracterizado por ser plano, mas apresentar colinas suaves, sendo descrito como generoso e vibrante, possuindo uma essência e um ritmo próprios.
Os clientes apresentaram o desafio de criar um projeto singular para este terreno, capaz de maximizar suas potencialidades visuais. O ponto de partida do projeto foi o apreço e a história dos clientes com o campo e a natureza, garantindo que todas as decisões fossem tomadas em sintonia com a busca por uma atmosfera de serenidade. A intenção primordial era conceber uma moradia que pertencesse ao local sem se sobrepor a ele, considerando a topografia existente, as árvores estabelecidas e a escala humana do ambiente rural.
O desafio transcendeu o aspecto técnico, tornando-se sensorial: como edificar um refúgio de alta qualidade sem isolar o mundo externo? A solução encontrada foi a dispersão. Em vez de concentrar todas as funções em um único bloco, a casa se desdobra em módulos baixos que se espalham pelo terreno e são interligados por passarelas. Entre esses volumes, foram inseridos pátios.
Os pátios desempenham um papel central no projeto, funcionando como o núcleo da residência. Eles estabelecem um trajeto que conduz do exterior para os espaços mais privados da casa, gradualmente modulando a passagem entre o público e o íntimo, entre o exposto e o protegido. Cada pátio possui uma função específica, e cada árvore contribui com uma cor distinta, resultando na fusão entre a construção e a paisagem.
A distribuição das áreas segue a função. A partir da rua, acessa-se um espaço de conexão que dá acesso à área social mais aberta, como o espaço gourmet equipado com churrasqueira. Este espaço conecta-se ao pavimento superior, onde estão localizados ambientes de lazer e atividades lúdicas, como o ateliê e a sala de jogos. Através de uma grande passarela, o fluxo direciona-se para a área social privada e de uso cotidiano da família, incluindo a cozinha, a sala de estar e a sala de jantar. Seguindo outra passarela e passando por mais um pátio, chega-se à seção dos quartos infantis. Finalmente, uma passarela culmina no hall da suíte principal, onde todos os cômodos são projetados com foco em ventilação cruzada, iluminação natural e belas vistas.
Os materiais escolhidos carregam uma memória particular. Na parte externa, a madeira foi submetida a um tratamento artesanal japonês conhecido como shou sugi ban, após ser queimada, para alcançar a tonalidade e textura ideais que aumentam sua durabilidade e conforto sem perder sua natureza orgânica. Internamente, o carvalho americano passou por diversos testes para atingir o brilho, o aconchego e o tom desejados.
Os limites entre o interior e o exterior são dissolvidos: as paredes externas continuam presentes no interior, e os acabamentos internos se estendem e se transformam em mobiliário, permitindo que um único elemento resolva todas as necessidades funcionais. O texto conclui que a experiência proporcionada pela casa é a expansão da sensação temporal na natureza, inspirando calma e conexão. A luz não apenas ilumina, mas revela, e a obra convida o habitante a fazer parte dela, devolvendo a quem vive nela a experiência de pertencimento ao lugar.