A produção de petróleo dos Emirados Árabes Unidos (EAU) atingiu um máximo histórico no mês passado. Este crescimento ocorreu em meio ao enfraquecimento das preocupações sobre o controle do Irã no Estreito de Ormuz e graças à saída dos EAU da aliança energética liderada pela Arábia Saudita, a OPEP.
Crescimento da Produção e Comparação de Indicadores
De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), publicado na sexta-feira, em junho os EAU exportaram 4,1 milhões de barris de petróleo por dia (bpd). Este é um aumento significativo em comparação com a média de produção dos EAU em 2025, que era de 3,5 milhões de bpd. O volume atual excede o máximo anterior dos EAU de quatro milhões de bpd, registrado em 2020, quando a OPEP+ vivia uma guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia.
Razões para o Aumento da Produção
O forte aumento na produção reflete a opinião de analistas de que Abu Dhabi sentia restrições impostas pela Arábia Saudita dentro da OPEP por um longo tempo. Os EAU investiram pesadamente na expansão da capacidade de produção, mas reclamavam que a Arábia Saudita impedia o aumento da produção para sustentar os preços. Abu Dhabi deixou a OPEP em maio como parte de uma cisão mais ampla com Riade, que inclui desacordos sobre Iêmen, Sudão e Israel.
Reação e Fatores de Mercado
A saída dos EAU da OPEP foi aprovada pela administração Trump, que monitora de perto o aumento dos preços da energia em meio à guerra entre EUA e Israel contra o Irã. O preço do Brent internacional subiu acima de US$ 100 por barril no pico da guerra, iniciada em 28 de fevereiro, mas não demonstrou o aumento acentuado esperado, apesar dos bloqueios impostos pelo Irã e depois pelos EUA no Estreito de Ormuz. Analistas observam que os preços foram contidos devido à liberação histórica de estoques por países ocidentais e à decisão da China de reduzir suas importações de petróleo bruto em cerca de 30%. A combinação de aumento da oferta e redução da demanda serviu como amortecedor para a economia global, embora os preços dos produtos petrolíferos, como diesel, combustível de aviação e gás liquefeito de petróleo, tenham aumentado.
Exportação e Contorno de Restrições
Compradores na Ásia, altamente dependentes dos recursos energéticos do Golfo Pérsico, enfrentaram preços muito mais altos do que os consumidores nos EUA e na Europa Ocidental. A AIEA alertou em seu relatório que, embora o petróleo bruto esteja retornando ao mercado, os produtos petrolíferos do Golfo permanecem abaixo da metade do nível pré-guerra. No entanto, a capacidade dos EAU de manter as exportações destaca como o país conseguiu contornar o controle do Irã no Estreito de Ormuz. Os EAU possuem um oleoduto que termina no porto de Fujairah, o que permite evitar o Estreito de Ormuz, embora o país permaneça vulnerável a ataques de drones iranianos.
A Reuters relatou em junho que os EAU pagaram bilhões de dólares ao Irã em troca do fim dos ataques ao país. Isso representou uma reviravolta inesperada para o estado do Golfo, que durante a guerra participou de dezenas de ataques contra o Irã juntamente com os EUA e Israel. Especialistas em inteligência marítima afirmam que os EAU também estão enviando petróleo através do Estreito de Ormuz em navios 'fantasma', desligando seus transponders. O estado do Golfo possui sua própria frota de petroleiros e recorreu a proprietários de navios dispostos a arriscar ataques iranianos em troca de taxas de frete mais altas.