A Dra. Sara Al Matari, uma médica de 44 anos que sofria de falta de ar por quase onze anos, mesmo durante atividades diárias simples, agora respira normalmente. Ela se tornou a primeira paciente nos Emirados Árabes Unidos a passar por um procedimento inovador para tratar uma doença pulmonar rara no Medicare Hospital em Sharjah.
Natureza da doença e tratamento anterior
Seu estado foi causado pela Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crônica (HPTC) — uma forma rara de hipertensão pulmonar que ocorre devido ao bloqueio das artérias nos pulmões por trombos crônicos. Esta doença força o coração a trabalhar excessivamente para bombear sangue e, sem tratamento, pode levar à insuficiência cardíaca progressiva.
Apesar de a Dra. Sara ter passado por uma cirurgia cardíaca grave em 2017 e viajado para o Reino Unido para realizar angioplastia tromboendovascular pulmonar, seus problemas persistiram. Os bloqueios residuais nos pequenos vasos profundos dos pulmões continuavam a causar dificuldade respiratória mesmo com esforço físico mínimo.
Novo procedimento minimamente invasivo
Recentemente, uma equipe multidisciplinar do Medicare Hospital em Sharjah realizou o primeiro procedimento de Angioplastia Pulmonar com Balão (APB) no país. Este método minimamente invasivo oferece nova esperança aos pacientes com esta grave condição. Diferentemente da cirurgia tradicional, a APB é realizada através de uma pequena incisão na perna usando um cateter e um balão miniatura direcionado às artérias pulmonares obstruídas para restaurar o fluxo sanguíneo, eliminando a necessidade de uma grande cirurgia.
O Dr. AB Gopalamurugan, cardiologista intervencionista que liderou este avanço, explicou a importância do procedimento: «Considerando seu histórico médico e cirurgias anteriores, outro procedimento grande acarretaria um risco significativo. Foi por isso que determinamos que a APB era a opção de tratamento mais adequada».
Resultados da intervenção e recomendações
O procedimento foi concluído com sucesso e sem complicações. Durante a intervenção, os médicos registraram uma redução imediata da pressão pulmonar, enquanto a paciente permaneceu consciente. Já no dia seguinte, ela conseguiu andar e foi rapidamente liberada.
O Dr. Jishan Madathil enfatizou a importância do diagnóstico precoce, observando que a HPTC é frequentemente diagnosticada incorretamente, pois sintomas como falta de ar e fadiga podem ser confundidos com asma ou má forma física. Ele afirmou que o encaminhamento oportuno e o diagnóstico precoce podem melhorar significativamente os resultados do tratamento.
Sara relata uma melhora perceptível: «Ficar respirar ficou mais fácil, e sinto mais otimismo em relação ao futuro. Embora seja necessário mais alguns meses para uma avaliação completa da melhoria a longo prazo, já estou sentindo mudanças».
Para os especialistas, este sucesso significa mais do que apenas a recuperação de uma paciente. Anteriormente, pacientes que necessitavam de tratamento tão especializado tinham que viajar para o exterior, como Reino Unido ou Estados Unidos. Agora, futuros pacientes têm a oportunidade de receber ajuda mais perto de casa.
