A participação histórica da seleção do Uzbequistão na Copa do Mundo de Futebol atraiu enorme atenção do público internacional, o que levou as estruturas governamentais a iniciar uma campanha ativa para promover a imagem turística do país. No entanto, permanece incerto qual foi o custo financeiro exato desta apresentação.
Busca por dados de despesas
Não há um orçamento unificado em fontes abertas que permita avaliar o custo total da preparação da equipe, incluindo despesas com passagens aéreas, hospedagem, acampamentos de treinamento, trabalho de pessoal e outros custos organizacionais. A redação do Podrobno.uz tentou reconstruir este quadro, estudando a experiência internacional no financiamento de seleções nacionais, analisando compras governamentais e declarações oficiais.
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Um pedido oficial foi enviado à Associação de Futebol do Uzbequistão (AFU) para obter informações sobre os gastos relacionados à participação da seleção nacional. A resposta chegou em 7 de julho. A AFU confirmou a existência dos documentos solicitados, mas recusou-se a fornecê-los, alegando que grande parte das informações está protegida por condições de confidencialidade estipuladas nos contratos. A Associação indicou que a divulgação desses dados poderia afetar negativamente os interesses comerciais dos parceiros, as condições dos acordos, bem como violar dados pessoais e obrigações contratuais vigentes, citando o artigo 10 da Lei 'Sobre os princípios e garantias da liberdade de informação'.
Financiamento: FIFA versus países
Nem todo o ônus dos gastos recai sobre o orçamento do estado ou da associação de futebol. De acordo com o regulamento da Copa do Mundo, tanto o país anfitrião quanto a FIFA assumem a cobertura das condições básicas para os participantes. Especificamente, a FIFA paga os voos internacionais da delegação oficial dentro da cota estabelecida (até 50 pessoas), organiza a logística interna entre estádios, hotéis e bases de treinamento, fornece campos de treinamento e garante a acomodação da delegação em hotéis designados pelos organizadores.
Além disso, a FIFA cobre os custos relacionados à realização do próprio torneio: operação do sistema de acreditação, segurança nas instalações oficiais, acompanhamento médico dos jogos, atividades de voluntários e necessidades operacionais da infraestrutura. Praticamente todos os outros gastos são suportados pela própria associação nacional ou pelo estado. Estes incluem acampamentos preparatórios, aluguel de bases adicionais, expansão das delegações, voos de jogadores e funcionários fora da cota oficial, hospedagem de pessoal adicional, pessoal médico e analítico, seguro, compra de equipamentos, transporte de material, bem como bônus para jogadores e treinadores.
As diferenças no custo final de participação de cada seleção são determinadas pela duração da preparação, número de membros da delegação, nível de pagamento e distância até o local do torneio. Análises internacionais mostram que a maioria das federações de futebol não publica o custo total, apresentando apenas componentes individuais, como subsídios governamentais ou valor dos prêmios.
Experiência internacional de financiamento
Um exemplo é a Nigéria, que destinou cerca de 2,8 bilhões de nairas nigerianas antes da Copa do Mundo de 2018 para a preparação e participação da equipe (o que equivale a aproximadamente 8 a 9 milhões de dólares naquela época). Após o torneio, surgiram debates públicos sobre o uso desses fundos. A história da Gana na Copa do Mundo de 2014 tornou-se um escândalo financeiro: para evitar um boicote, o governo enviou urgentemente cerca de 3 milhões de dólares americanos em dinheiro em um voo fretado para o Brasil para pagar bônus prometidos, sendo que os gastos governamentais totais da Gana naquele mundial somaram cerca de 9 milhões de dólares.
Em alguns países europeus, como a Alemanha, a federação de futebol anunciava antecipadamente os prêmios, por exemplo, 400 mil euros para cada jogador pela vitória na Copa do Mundo de 2022, além de prever pagamentos por avançar para diferentes fases de mata-mata. Associações da Inglaterra, França e Austrália utilizam práticas semelhantes. Outras federações, como a Federação Japonesa de Futebol, publicam relatórios financeiros anuais, mas esses documentos não permitem destacar uma rubrica de despesa específica para a participação na Copa do Mundo.
Receitas do Uzbequistão com a participação
Ao avaliar os custos, é necessário considerar também as receitas. A participação na Copa do Mundo garante à associação nacional de futebol pagamentos da FIFA, compensando parte dos custos. Inicialmente, em dezembro de 2025, o Conselho da FIFA aprovou um pacote de 727 milhões de dólares para 48 participantes, o que previa um pagamento mínimo garantido de 10,5 milhões de dólares para a seleção (9 milhões pela participação e 1,5 milhão pela preparação).
No entanto, menos de dois meses antes do início, a FIFA ajustou o programa financeiro, aumentando o volume total de pagamentos para 871 milhões de dólares. Consequentemente, o pagamento garantido para cada seleção aumentou para 10 milhões de dólares pela qualificação e participação, mais 2,5 milhões de dólares para a preparação. Subsídios e aumento de cotas de ingressos foram adicionados, totalizando mais de 16 milhões de dólares. Assim, a Associação de Futebol do Uzbequistão recebeu garantidamente não menos de 12,5 milhões de dólares da FIFA, sem contar as compensações pelo suporte à delegação.
O sistema de premiação da FIFA prevê valores diferentes dependendo da colocação: equipes das posições 33 a 48 recebem 10 milhões de dólares, participantes dos oitavos de final (posições 9 a 16) recebem 15 milhões de dólares, quartas de finalistas recebem 19 milhões de dólares, a equipe classificada em quarto lugar recebe 27 milhões de dólares, o terceiro colocado recebe 29 milhões de dólares, o vice-campeão recebe 33 milhões de dólares e o campeão mundial recebe 50 milhões de dólares. É importante notar que a FIFA transfere os fundos para a associação nacional, e a forma como eles são distribuídos (entre organização, prêmios ou desenvolvimento de infraestrutura) é determinada pela própria federação.
Efeito positivo para o país
O impacto da primeira aparição no cenário mundial revelou-se multifacetado. A Copa do Mundo tornou-se uma grande plataforma para apresentar o Uzbequistão não apenas como uma potência esportiva, mas também como um destino turístico. Paralelamente aos jogos, o Comitê de Turismo lançou uma campanha publicitária internacional que alcançou mais de 1,07 bilhão de visualizações. Mais de três mil mídias estrangeiras publicaram materiais sobre o Uzbequistão, e o engajamento geral do público ultrapassou 52 milhões de interações.
De acordo com o Comitê de Turismo, o interesse pela busca 'Uzbekistan' aumentou em 40%, e as pesquisas relacionadas a viagens ao país aumentaram ainda mais em 10%. Publicações sobre o potencial turístico apareceram em publicações mundiais líderes, como BBC, ESPN, MSN, The Guardian, Fox News, Daily Mail, NDTV e VnExpress. A promoção também foi realizada offline: estandes nacionais foram instalados nas cidades sedes da Copa do Mundo, eventos culturais e zonas de fãs foram organizados para apresentar a cultura e as possibilidades da república aos torcedores estrangeiros. Especial atenção foi dada à apresentação do Uzbequistão no Aeroporto Internacional de Atlanta.
Apesar de todas as conquistas, o cálculo completo do custo da participação da seleção do Uzbequistão na Copa do Mundo permanece inacessível, visto que a Associação de Futebol se recusou a divulgar os documentos financeiros, citando confidencialidade, e não existe um orçamento unificado disponível publicamente.
A seleção do Uzbequistão jogou na última partida da fase de grupos da Copa do Mundo contra a seleção da República Democrática do Congo. Apesar de os representantes do Uzbequistão terem aberto o placar aos 25 segundos do jogo, o gol foi anulado por impedimento. Aos 10 minutos, Eldor Shomurodov marcou um belo gol após assistência de Abbozbek Faizullaev. Aos 68 minutos, Yan Vissa empatou o jogo, convertendo um pênalti. No entanto, 10 minutos após esse gol, a equipe do Congo assumiu a liderança, e no último minuto do tempo regulamentar, Vissa marcou um hat-trick. O placar final do jogo foi de 3:1 a favor da República Democrática do Congo, o que lhes permitiu avançar para os playoffs.