O Professor Thole Mokoena, Comissário de Saúde, emitiu uma declaração sobre os problemas agudos no sistema de saúde público sul-africano após a investigação das trágicas mortes de seis profissionais de saúde em KwaZulu-Natal. Ele apelou veementemente por reformas imediatas e por um reforço do apoio ao pessoal médico.
Conclusões da Investigação e Reações das Partes
A investigação conduzida pelo Comissário de Saúde sobre a morte dos seis especialistas gerou reações mistas. Organizações médicas, o sindicato do setor público e o partido DA concordaram que o relatório expõe sérias deficiências no sistema de saúde pública, mas divergem sobre a conclusão de que o assédio no local de trabalho contribuiu para essas mortes.
Embora o Professor Thole Mokoena não tenha encontrado uma ligação direta entre as mortes e o assédio no local de trabalho, perseguição ou más condições de trabalho, aqueles que reagiram ao relatório observaram que ele destacou problemas profundamente enraizados que exigem intervenção urgente do governo.
Exigências da Associação Médica
A Associação Médica Sul-Africana (SAMA) declarou que o relatório deve servir de base para transformações significativas. O presidente da SAMA, Dr. Mvuyisi Mzukwa, observou que mesmo que a morte desses médicos não tenha sido causada pelas condições de trabalho, milhares de outros profissionais de saúde continuam a trabalhar em condições precárias.
Ele acrescentou que os resultados da investigação confirmam as preocupações que a SAMA tem levantado há anos sobre o declínio do setor público de saúde. Mzukwa enfatizou que os departamentos provinciais de saúde não podem continuar a congelar vagas esperando que um número menor de especialistas atenda mais pacientes com recursos limitados, presumindo que não haverá consequências.
Pressão sobre o Pessoal e Recomendações
Uma das descobertas chave da investigação foi que muitos médicos, especialmente internos, sentiam pressão para não tirar licença médica, temendo prolongar o estágio ou aumentar a carga de trabalho dos colegas. Isso sublinha a necessidade de melhorar os programas de bem-estar dos funcionários. Mzukwa afirmou que nenhum médico deve sentir que cuidar da sua própria saúde é feito em detrimento dos pacientes ou colegas, pois um sistema que não permite aos seus médicos serem pacientes está sob grave pressão.
Ele apelou veementemente às autoridades nacionais e provinciais de saúde para implementarem imediatamente as recomendações do Comissário. Mzukwa salientou que o relatório não deve permanecer apenas um documento empoeirado; cada recomendação deve ser acompanhada de planos de implementação claros, prazos mensuráveis e responsabilização.
Posições do DA e PSA
O partido DA em KwaZulu-Natal saudou o relatório, observando que ele esclareceu uma questão de ampla preocupação pública após a morte de seis profissionais de saúde que trabalhavam em hospitais provinciais. O representante provincial de saúde, Dr. Imran Kika, afirmou que, embora a investigação tenha excluído uma ligação direta entre as mortes e o assédio no local de trabalho ou condições adversas, as conclusões não devem ser vistas como uma aprovação do sistema de saúde provincial. Kika alertou que isso não deve ser interpretado como um relatório puro sobre o estado do sistema de saúde de KZN, mas sim como um mandato para a implementação urgente das recomendações do Comissário e a resolução de problemas antigos que minam o bem-estar do pessoal e o atendimento ao paciente.
No entanto, o Sindicato dos Funcionários Públicos (PSA) expressou 'profunda decepção e preocupação' com a conclusão do Comissário que excluiu o assédio no local de trabalho como fator que contribui para as mortes de profissionais de saúde em KwaZulu-Natal. Reconhecendo o papel do Comissário, o sindicato afirmou que as conclusões negligenciaram o impacto de um ambiente de trabalho tóxico, intimidação, perseguição, sobrecarga e práticas de gestão inadequadas na saúde mental dos funcionários.
O PSA também criticou a sua exclusão da investigação e observou que os trabalhadores da saúde pública continuam a enfrentar escassez crônica de pessoal, falta de recursos, aumento do fluxo de pacientes e suporte psicossocial insuficiente. O sindicato alertou que as conclusões podem desmotivar os profissionais de saúde a denunciar assédio e abusos, e apelou ao Departamento de Saúde de KwaZulu-Natal para reforçar as medidas contra o assédio, melhorar os canais de denúncia confidenciais, expandir os serviços de bem-estar dos funcionários e responsabilizar os gestores em casos de perseguição ou abuso de poder.
Problemas Gerais do Sistema
A investigação foi iniciada após o Ministro da Saúde, Dr. Aaron Motsoaledi, e o ex-presidente do comité parlamentar de saúde, Dr. Sibongiseni Dhlomo, expressarem preocupação após as mortes de profissionais de saúde nos hospitais Prince Mshiyeni Memorial, Addington, Port Shepstone, Ngwelezane, Benedictine e Vryheid. Embora a investigação não tenha encontrado provas de uma ligação direta entre as mortes e as condições de trabalho, ela revelou problemas generalizados no setor de saúde pública, incluindo escassez de pessoal, vagas congeladas, sobrecarga, escassez de equipamentos e consumíveis médicos, serviços inadequados de bem-estar dos funcionários, infraestrutura obsoleta e problemas de segurança. O Comissário recomendou o reforço dos programas de bem-estar dos funcionários, a melhoria dos serviços de apoio ao pessoal, o aumento da supervisão e da responsabilização, bem como a resolução de problemas de segurança. O monitoramento da implementação dessas recomendações será realizado pela Diretoria de Conformidade de Padrões de Saúde.



