A Meta suspendeu, nesta sexta-feira (10), um novo recurso de inteligência artificial (IA) dentro do Instagram. Esta funcionalidade permitia a criação de imagens baseadas em perfis públicos da plataforma.
Motivos da remoção do recurso
A decisão ocorreu logo após o lançamento da ferramenta, em resposta a uma forte onda de críticas vindas de usuários, artistas e representantes da indústria do entretenimento. As preocupações centravam-se na questão da privacidade e no uso de imagens sem o devido consentimento.
Este recurso fazia parte do lançamento do Muse Image, o gerador de imagens por IA da empresa, que havia sido apresentado na terça-feira (7). De acordo com a Meta, a função era acionada automaticamente para todos os usuários que mantinham perfis abertos no Instagram. Na prática, isso significava que a aparência dessas pessoas podia ser usada para gerar imagens por IA sem que houvesse autorização prévia.
Reconhecimento e feedback da Meta
Diante das reclamações sobre direitos autorais e privacidade, a Meta emitiu um comunicado reconhecendo que a ferramenta não foi bem aceita. A empresa declarou que sua intenção original era oferecer uma ferramenta criativa útil e permitir que as pessoas controlassem se seu conteúdo público seria referenciado dessa maneira. Por isso, o recurso foi retirado do ar.
Reações da indústria e usuários
Pouco tempo após o lançamento, milhares de usuários utilizaram as redes sociais para expressar sua apreensão com a utilização de suas imagens. Muitos começaram a compartilhar dicas sobre como evitar o uso da funcionalidade, como mudar o perfil para privado ou ajustar certas configurações do aplicativo.
A reação também alcançou a indústria do entretenimento nos Estados Unidos. A Creative Artists Agency (CAA), uma das grandes agências de talentos de Hollywood, contatou a Meta em nome de seus clientes, classificando a iniciativa como irresponsável. Em nota divulgada na quarta-feira (8), a CAA enfatizou que os artistas devem ter autonomia para decidir como e se sua imagem e trabalho serão usados, exigindo consentimento e a possibilidade de definir seus próprios termos.
Adicionalmente, o SAG-AFTRA, o maior sindicato de atores dos Estados Unidos, declarou na quinta-feira (9) que a inclusão automática dos usuários no recurso pela Meta representou um «erro completo de avaliação do sentimento público» em relação ao uso de IA.
Disponibilidade do Muse Image e contexto da IA
Apesar da retirada do Instagram, a Meta comunicou que o Muse Image permanece acessível no WhatsApp e no aplicativo Meta AI, que funciona como um chatbot independente da companhia. Outras funcionalidades de IA introduzidas naquela semana para o Instagram continuam operacionais, incluindo filtros exclusivos criados pelo próprio Muse Image.
Este incidente insere-se em uma série de controvérsias ligadas a ferramentas de IA capazes de manipular ou criar imagens. A OpenAI já enfrentou questionamentos similares sobre direitos autorais após lançar o gerador de vídeos Sora em setembro do ano passado. Embora a empresa tenha feito acordos com estúdios para usar conteúdo protegido, ela encerrou o aplicativo em março.
Outra plataforma mencionada é o X, que bloqueou este ano a conta do chatbot Grok após a disseminação de milhões de imagens manipuladas de mulheres e crianças com pouca ou nenhuma vestimenta. Empresas como o Google também foram alvo de críticas relativas à maneira como seus sistemas de IA geram imagens.
Estratégia contínua da Meta em IA
Mesmo com a suspensão da ferramenta no Instagram, a Meta assegurou que seu investimento em IA prossegue. Na quinta-feira, a empresa lançou uma nova versão de seu modelo de IA, o Muse Spark, e anunciou planos de disponibilizar um gerador de vídeos por IA nos próximos meses.