O Comitê Antigo dos Bispos (Old Diocesan Committee) no Colégio Diocesano dos Bispos (Bishops Diocesan College) decidiu exigir que o Conselho da escola interrompa a exibição da bandeira do orgulho e limite os mastros a três bandeiras oficiais: a bandeira da África do Sul, a bandeira da Bishops e a bandeira de São Jorge.
Origens da disputa sobre as bandeiras
Esta votação, na qual dez votos prevaleceram com um abstenção, formaliza uma posição que vinha se acumulando desde 2022. Foi nesse ano que a escola anglicana para rapazes em Cidade do Cabo chamou a atenção pública pela primeira vez devido à hasteamento da bandeira progressista do orgulho durante o mês do orgulho.
Argumentos do comitê
Em uma carta publicada no recém-lançado site da United Bishops, o ODC afirma que, ao abrir seus mastros para um propósito, abre-os para todos. O comitê enfatizou que tal política implica um compromisso contínuo de definir quais propósitos serão apresentados e quais não serão, e de defender essas decisões perante uma comunidade que nunca concordará totalmente.
No entanto, a carta foi cuidadosamente formulada como uma questão de governança, e não como um apelo antiinclusivo. O ODC garantiu que trata todos os gays e lésbicas na comunidade Bishops da mesma forma que os outros, e deseja que eles saibam que são totalmente bem-vindos lá.
Expansão da discussão
Em seguida, há um ponto que transforma a disputa sobre uma única bandeira em um problema mais complexo para a escola. O ODC escreve que, se o Conselho decidir exibir bandeiras além das três oficiais, a política deve ser aplicada uniformemente a todas as outras bandeiras, incluindo as palestina e israelense, ucraniana, taiwanesa, tibetana e outras.
Posição do diretor e dos alunos
O diretor Tony Riler respondeu aos pais este ano em sua carta negando, afirmando que o terceiro mastro da escola continuará alternando entre bandeiras de diferentes ocasiões, como '16 dias de ativismo', Dia da África, bandeira Bokke, conscientização sobre câncer, Movember, Dia Mundial do HIV e a bandeira do orgulho. Outras escolas anglicanas, como St Andrew's e St John's, também usaram a bandeira do orgulho.
Riler explicou que via a bandeira do orgulho como um símbolo de inclusão, observando que as pessoas são bem-vindas em Bishops e não precisam fingir ser outra pessoa. Ele concluiu com uma citação do Arcebispo Desmond Tutu, antigo convidado de Bishops: 'Todos são bem-vindos: negros, brancos, vermelhos, amarelos, ricos, pobres, educados, não educados, homens, mulheres, gays, heterossexuais, todos, todos, todos.'
Conflito estrutural
O conflito tem um caráter estrutural. Na carta, o ODC faz referência à Lei de Incorporação do Colégio Diocesano em Rondebosch (Diocesan College Council, Rondebosch, Incorporation Act, 1891), que estabelece a governança pelo Conselho, e não pelo Executivo, e pede que se abstenha de exibir bandeiras não oficiais até que o Conselho tome uma decisão. A carta de Riler não aborda esse argumento de governança; ela é endereçada aos pais e alunos, e não ao ODC, e apresenta a oposição como uma 'discordância', e não como um desafio constitucional àqueles que têm o direito de tomar decisões.
Papel de Rob Hersov
Rob Hersov, pai de Bishops e ex-aluno de Michaelhouse, apoiou publicamente a campanha, argumentando em um artigo do BizNews de 7 de julho que a escola deveria adotar a neutralidade institucional. Ele afirmou que isso seria uma declaração de que Bishops pertence igualmente a cada aluno, independentemente de sua raça, religião, política ou sexualidade. Hersov apontou para uma tendência global: até o final de 2024, pelo menos 148 instituições que atendem cerca de 2,6 milhões de alunos adotaram políticas formais de neutralidade.
Os debates ressurgiram em 2024, quando formandos da classe Matricul e membros do Fórum de Representantes de Estudantes escreveram uma carta aberta pedindo que a bandeira do orgulho não fosse hasteada. Eles declararam: 'Não aceitamos símbolos que tentam nos dividir em grupos com base em atributos que não podemos controlar'. Eles acrescentaram que apenas as bandeiras da escola e do país são símbolos que representam todos os alunos. Hersov observou que, em resposta, lhe disseram que ele precisava de mais 'educação' sobre diversidade. Ele rebateu: 'Educação que continua até que os desacordos terminem não é educação. É, na melhor das hipóteses, persuasão por exaustão, e os críticos chamarão isso de doutrinação.'
Assim, as posições das partes estão fixadas: os antigos alunos querem que o Conselho decida. O diretor afirma que o Executivo já tomou a decisão. Os alunos que se opuseram receberam instruções para passar por 'treinamento'. E em algum lugar no mastro de Rondebosch, a terceira faixa continua girando.


