A Palestine Solidarity Campaign expressou profunda preocupação com o aumento da islamofobia nas redes sociais. Este aumento foi observado após membros da comunidade muçulmana prestarem ajuda a imigrantes supostamente vítimas de ataques xenófobos, bem como após a nomeação de Yusuf Kassim como vice-ministro da educação superior.
Causas do aumento da hostilidade
O coordenador da PSC, Professor Usuf Chikte, afirmou que os recentes ataques online refletem uma tendência mais ampla de retórica anti-muçulmana. Essa retórica intensificou-se em meio a discussões sobre imigração, Palestina e a política externa sul-africana.
Chikte sustenta que as 'redes sionistas' utilizam há muito tempo a islamofobia como ferramenta, apresentando qualquer pessoa que desmascare o genocídio e o apartheid israelenses como uma ameaça à segurança, mascarando tais ataques com linguagem de terrorismo e deslealdade. Ele apontou para a convergência de vários fatores que alimentam a hostilidade online: sentimentos anti-imigração, críticas ao caso da África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça contra Israel, ataques a organizações humanitárias muçulmanas e críticas a figuras públicas muçulmanas.
Ameaças à atividade humanitária
Chikte acrescentou que as organizações que apoiam a Palestina se tornaram um alvo frequente de campanhas coordenadas destinadas a minar seu trabalho. Ele relatou que a PSC, o Conselho Judicial Muçulmano (MJC) e outras organizações humanitárias foram alvo de campanhas difamatórias e litígios estratégicos destinados a silenciá-las. Embora não tenha fornecido provas, ele também mencionou que parte da atividade direcionada aos muçulmanos poderia ter origem em contas automatizadas.
Em relação ao recente caso da PSC no Tribunal Superior do Cabo Ocidental, Chikte alegou que manifestantes muçulmanos estavam sofrendo perseguição islamófoba, e que o jornalista Anwar Omar foi atacado durante a cobertura da audiência. Ele também mencionou críticas ao trabalhador humanitário Dr. Imtiaz Sulaiman, observando que os ataques a assistentes de ajuda demonstram a politização da atividade humanitária.
Apelos à ação e reação pública
Chikte alertou que a hostilidade na internet pode ter consequências fora das redes sociais, pois narrativas constantes que ligam muçulmanos à imigração ilegal, terrorismo ou lealdade dividida podem levar à normalização da discriminação. Ele enfatizou que a África do Sul sabe pela sua história quão perigosas se tornam as narrativas desumanizadoras quando saem das redes sociais para a vida pública.
Ele criticou as tentativas de julgar muçulmanos pela fé e não pelos atos, citando exemplos de ataques a organizações de caridade muçulmanas, jornalistas e funcionários públicos. Chikte declarou que quando organizações de caridade muçulmanas são atacadas por seu trabalho humanitário e vice-ministros são criticados por serem muçulmanos e não por seu histórico profissional, isso envia um sinal de que os muçulmanos devem constantemente provar sua patriotismo.
Apelando à ação, Chikte insistiu que os líderes políticos rejeitassem preconceitos religiosos, que as plataformas sociais aplicassem consistentemente suas regras contra o discurso de ódio, e que as autoridades policiais investigassem casos em que a incitação online presumida se transforma em crime criminal.
Opiniões de analistas e políticos
O analista político e de defesa Ryan Cummins também expressou preocupação com o que considera um padrão emergente de hostilidade contra a comunidade muçulmana sul-africana, questionando se não se trata de uma campanha coordenada para disseminar sentimentos de ódio e preconceito.
Após o anúncio da nomeação de Kassim, a Presidência notou a presença de elementos de sentimento anti-muçulmano nas redes sociais do ministério. O candidato a prefeito Tshwane da Democratic Alliance (DA), Kliers Brink, defendeu a comunidade muçulmana e Kassim, descrevendo-o como um 'servidor público honesto e trabalhador' e um 'orgulhoso membro desta comunidade', acrescentando que ele 'não precisa pedir permissão a ninguém para servir ao seu país'.
O porta-voz nacional dos Economic Freedom Fighters (EFF), Sivanzo Tambo, também condenou os ataques online a Kassim e expressou preocupação com o crescente clima de intolerância religiosa. Ele observou que Kassim é sul-africano e frequentou a mesma escola que ele em Witzenheim (agora Cariega) no Cabo Oriental. Tambo afirmou que a atual atmosfera de hostilidade é sem precedentes, comparando-a com a islamofobia nos EUA, e apelou para que todos condenassem os ataques a este indivíduo, independentemente de virem de sionistas ou de pessoas que consideram que metade da população da África do Sul são estrangeiros.

