Para centenas de milhares de estudantes do ensino médio na África do Sul, o último ano letivo é um dos períodos mais tensos e decisivos de suas vidas. Como a admissão na universidade, as oportunidades de carreira, bolsas de estudo e expectativas familiares muitas vezes dependem de um único conjunto de resultados, muitos alunos sentem uma enorme pressão antes dos exames finais.
O impacto do estresse nos estudos
Especialistas em saúde mental alertam que o estresse crônico, a ansiedade e o esgotamento podem afetar negativamente o desempenho acadêmico, tornando o bem-estar emocional tão significativo quanto o próprio estudo antes das provas finais.
Pertunia Nkomo-Mofokeng, vice-decana de ensino e aprendizagem da Rosebank International, observa: «A pressão sobre nossos jovens é colossal». Ela explica que longas horas de aula, medo do fracasso, comparação com colegas e incerteza sobre o futuro criam um ambiente ideal para o surgimento de ansiedade e estresse, e o dano emocional é sentido não apenas pelos próprios alunos, mas também por suas famílias.
O papel da saúde mental
Segundo Nkomo-Mofokeng, um bom estado de saúde mental contribui diretamente para o desempenho acadêmico, melhorando a concentração, a capacidade de reter informações, as habilidades de resolução de problemas e a resiliência à pressão. No entanto, o estresse prolongado pode ter o efeito oposto, levando ao esgotamento, má concentração e declínio emocional.
Ela enfatiza que os alunos que negligenciam o sono, a nutrição e o equilíbrio emocional frequentemente descobrem que seus esforços de estudo se tornam menos eficazes, iniciando um ciclo vicioso de estresse e queda de resultados. A especialista acredita que é necessário mudar a abordagem, deixando de ver o diploma como o único indicador de sucesso futuro, afirmando que um ano não define o valor ou o potencial de uma pessoa.
Dicas para gerenciar o estresse
Nkomo-Mofokeng aconselha os alunos a se concentrarem na estabilidade, e não na perfeição. Para isso, devem criar um cronograma de estudos realista e evitar a tentação de passar noites sem dormir estudando. Sua recomendação é: «Faça o trabalho, adie a preocupação e confie no processo».
Além disso, ela insiste na importância de dedicar pelo menos sete horas de sono todas as noites, manter uma alimentação saudável e evitar longos períodos de redes sociais ou consumo infinito de conteúdo online. Quando o estresse se torna excessivo, recomenda-se praticar respiração profunda, atenção plena, manter um diário, exercícios físicos regulares ou simplesmente fazer pausas curtas.
Ela adverte: «Afaste-se das redes sociais, onde a comparação rouba sua paz. Você está correndo a sua própria corrida, não o highlight reel de outra pessoa».
Um ponto importante é procurar ajuda a tempo. Se a ansiedade constante, ataques de pânico ou humor deprimido começarem a afetar a vida diária, deve-se conversar com um professor, conselheiro, membro da família de confiança ou profissional de saúde mental, pois buscar apoio não é motivo de vergonha.
O papel dos pais no apoio
Nkomo-Mofokeng também destaca o papel crítico dos pais. Eles podem ter uma influência significativa, criando um ambiente calmo e de apoio em casa durante o período de exames. Em vez de aumentar a pressão sobre os alunos, os pais devem focar no encorajamento, na escuta ativa e na verificação regular do estado emocional dos filhos, evitando a microgestão do processo de estudo.
Ela também pede que as famílias promovam uma rotina saudável: garantindo sono suficiente, nutrição adequada, pausas regulares e tempo fora dos livros. O mais importante, em sua opinião, é que os pais demonstrem eles mesmos formas saudáveis de lidar com o estresse, pois as crianças aprendem muito observando a reação dos adultos à pressão.
A mensagem final, dirigida tanto aos alunos quanto aos pais, é manter a perspectiva sobre o diploma: «Celebre cada pequena vitória no caminho e lembre-se de que seu ano escolar é apenas um capítulo importante, e não a história inteira da sua vida».
