O Centro de Previsão e Aplicações Climáticas da IGAD (ICPAC), em colaboração com a organização Action Against Hunger (ACF), apresentou um novo programa regional. O objetivo desta iniciativa é proteger cerca de 250.000 pessoas na Etiópia, Somália e Djibuti do impacto combinado das alterações climáticas e dos conflitos.
Detalhes do projeto IMPAACT
O projeto, denominado Institutionalizing Interoperable Multi-Hazard Anticipatory Action (IMPAACT), tem uma duração de 24 meses. Ele prevê o fortalecimento dos sistemas de resposta antecipada com apoio de financiamento no valor de 4,5 milhões de dólares americanos. Isso garantirá a aplicação oportuna de previsões climáticas e dados de risco para a realização de intervenções humanitárias antes que ocorram desastres.
O Chifre da África é uma das regiões mais vulneráveis a desastres naturais no mundo, onde as crises humanitárias se agravam constantemente devido a secas, inundações, conflitos e deslocamentos populacionais. Apesar de melhorias significativas nos sistemas de alerta precoce nos últimos anos, as agências humanitárias observam uma lacuna persistente entre a previsão de riscos e a prestação de ajuda coordenada no terreno.
Objetivos e resultados da iniciativa
O projeto IMPAACT visa preencher essa lacuna expandindo os sistemas de ação antecipatória geridos a nível nacional para os níveis regional, subnacional, transfronteiriço e urbano nas três nações. Durante os próximos dois anos, a iniciativa alcançará quatro resultados chave. Estes incluem o fortalecimento da estrutura regional de ação antecipatória, o aumento da prontidão nas áreas fronteiriças da Etiópia e Somália, a melhoria da preparação para desastres em centros urbanos de Djibuti, e a criação de um mecanismo de resposta rápida a crises, capaz de entregar ajuda dentro de 48 horas após o atingimento de limiares de alerta previamente acordados.
Posições dos participantes do projeto
Rotimi Jossa, diretor de influência da Action Against Hunger, declarou na cerimónia de lançamento que o projeto representa uma mudança significativa na resposta humanitária da região. Ele salientou que este programa constitui uma alteração fundamental na abordagem à resolução de crises humanitárias, mudando o foco da resposta reativa para a proteção proativa. Segundo ele, superar a lacuna entre os dados de alerta precoce e a ação rápida e coordenada permitirá alcançar os grupos populacionais mais vulneráveis antes que ocorra o desastre. Jossa acrescentou que a verdadeira resiliência é alcançada não apenas pela sobrevivência ao próximo crise, mas pela construção de sistemas institucionais que evitam que a situação se transforme numa catástrofe.
A nível regional, o ICPAC liderará o desenvolvimento das estruturas de ação antecipatória do projeto. Isto incluirá a validação de matrizes de gatilho transfronteiriças, a garantia de conformidade política na Etiópia, Somália e Djibuti, e o alinhamento da implementação com as plataformas de coordenação regionais existentes, incluindo o Grupo de Trabalho Técnico Regional da IGAD sobre Ação Antecipatória. A iniciativa foi concebida para reforçar os mecanismos nacionais e regionais existentes de apoio à preparação para desastres, segurança alimentar e sustentabilidade a longo prazo no Grande Chifre da África, e não para criar sistemas paralelos.
Apelos à ação e alcance
O diretor do ICPAC, Dr. Abdi Fidar, observou que a crescente frequência e gravidade dos desastres climáticos tornam a ação antecipatória uma prioridade urgente. O Dr. Fidar afirmou que investir na preparação para desastres através da ação antecipatória não é mais uma opção, mas uma necessidade. Ele enfatizou que esta iniciativa surgiu num momento crítico para acelerar as medidas antecipatórias na região, dando aos governos a capacidade de liderar, possuir e sustentar decisões que protegem vidas, meios de subsistência e conquistas de desenvolvimento.
Durante o período de dois anos de implementação do IMPAACT, espera-se que ajude diretamente 243.801 pessoas: 86.261 na Etiópia, 105.332 na Somália e 52.208 em Djibuti. Os princípios de proteção, inclusão social, sensibilidade aos conflitos e sustentabilidade ambiental estão integrados em todas as atividades do projeto para garantir que a ajuda chegue aos grupos populacionais mais em risco e fortaleça a resiliência das comunidades. Prevê-se que o projeto dure até maio de 2028, e os parceiros esperam que sirva como um modelo escalável de ação antecipatória para todo o Chifre da África e além.

