A petição apresentada no Tribunal Superior de Kerala em junho de 2022, exigindo acesso a um medicamento vital contra o câncer de mama, Ribociclib, foi agendada para audiência final 57 vezes desde janeiro de 2023, mas o caso nunca foi julgado.
Apelo para acelerar o processo judicial
O grupo de trabalho sobre acesso a medicamentos recorreu ao Chefe de Justiça da Índia solicitando medidas para acelerar as audiências, a fim de garantir justiça para aqueles que necessitam urgentemente deste medicamento. Após a morte da requerente em estágio inicial do processo, o Tribunal Superior decidiu continuar o caso por conta própria (suo motu) devido ao maior interesse público.
Estatísticas e necessidade de tratamento
O grupo de trabalho, composto por defensores dos direitos dos pacientes, grupos de pacientes, organizações da sociedade civil e cientistas e advogados, enfatizou que o câncer de mama é um dos tipos de câncer mais comuns entre as mulheres na Índia. De acordo com o Relatório Global de Oncologia de 2022, mais de 190 mil novos casos e 98.300 mortes foram registrados na Índia.
Na carta endereçada ao Chefe de Justiça, foi indicado que dados oficiais apresentados pelo Ministério da Saúde e Bem-Estar Social ao parlamento no início de fevereiro de 2026 previam 240 mil casos. Entre eles, pacientes com câncer de mama tipo Luminal A (HR+/HER2-), que é um subtipo invasivo capaz de se espalhar pelo corpo, necessitam de terapia-alvo, como Ribociclib e Abemaciclib, para salvar vidas.
Problema de custo e licenciamento
Esses medicamentos são cruciais para pacientes do tipo HR+HER2-, pois podem ser usados em estágios iniciais da doença. No entanto, são extremamente caros, pois estão sob proteção de patente (Ribociclib custa mais de 78.400 rúpias por mês, e Abemaciclib custa de 47.700 a 95.500 rúpias por mês). A petição exigia a emissão de um acordo de licenciamento governamental de acordo com a Seção 100 da Lei de Patentes, o que poderia garantir o acesso ao Ribociclib a preços acessíveis.
O grupo explicou na carta que a licença governamental promove a produção local de genéricos a baixo custo, que são frequentemente 90-95% mais baratos que os medicamentos originais. Apesar do reconhecimento da eficácia do medicamento, o governo recusou a concessão dessa licença, alegando que o câncer de mama não é uma questão de urgência nacional. Além disso, o grupo observou que o governo não forneceu uma resposta fundamentada sobre o acesso a medicamentos vitais e a implementação do direito à saúde.
Andamento do processo judicial
Após a decisão de prosseguir com o caso por conta própria, o tribunal nomeou um amicus curiae, e vários réus, incluindo a União Indiana, apresentaram respostas detalhadas. Os fabricantes de medicamentos também foram envolvidos no caso e apresentaram suas objeções. A carta observou que todas as partes interessadas foram ouvidas e todos os relatórios solicitados pelo tribunal foram apresentados. No entanto, a carta afirmava que os documentos processuais estavam concluídos, mas as questões constitucionais sobre as obrigações do governo em relação ao acesso a medicamentos, de acordo com o Artigo 21, permaneciam sem resposta.
A carta concluiu afirmando que a morte prematura da requerente neste caso evidencia os custos humanos devastadores dos atrasos judiciais em casos relacionados ao acesso a medicamentos que salvam vidas, e que a resolução rápida da situação daria esperança a outros que sofrem dessa doença, mas não têm condições de recorrer à justiça.
