A equipe de projeto descreveu a Casa de los Patios como uma residência que não interfere na paisagem circundante, mas sim a integra. O conceito baseia-se em uma série de volumes baixos dispostos pelo terreno, criando um ambiente que fomenta a tranquilidade e a ligação com elementos naturais.
Localização e Contexto do Terreno
O lote, que possui formato de leque, está situado em Estancias del Pilar. Ele se insere em uma vasta área de campo antigo, oferecendo amplas vistas para o campo de golfe em seu lado mais extenso, além de uma lagoa ao fundo e um parque público posicionado na frente. O terreno é caracterizado por ser plano, mas apresentar colinas suaves, sendo descrito como generoso e vibrante, possuindo uma essência e um ritmo próprios.
Desafio do Projeto e Solução Arquitetônica
Os clientes apresentaram o desafio de criar um projeto singular para este terreno, capaz de maximizar suas potencialidades visuais. O ponto de partida do projeto foi o apreço e a história dos clientes com o campo e a natureza, garantindo que todas as decisões fossem tomadas em sintonia com a busca por uma atmosfera de serenidade. A intenção primordial era conceber uma moradia que pertencesse ao local sem se sobrepor a ele, considerando a topografia existente, as árvores estabelecidas e a escala humana do ambiente rural.
O desafio transcendeu o aspecto técnico, tornando-se sensorial: como edificar um refúgio de alta qualidade sem isolar o mundo externo? A solução encontrada foi a dispersão. Em vez de concentrar todas as funções em um único bloco, a casa se desdobra em módulos baixos que se espalham pelo terreno e são interligados por passarelas. Entre esses volumes, foram inseridos pátios.
Função dos Pátios e Fluxo Interno
Os pátios desempenham um papel central no projeto, funcionando como o núcleo da residência. Eles estabelecem um trajeto que conduz do exterior para os espaços mais privados da casa, gradualmente modulando a passagem entre o público e o íntimo, entre o exposto e o protegido. Cada pátio possui uma função específica, e cada árvore contribui com uma cor distinta, resultando na fusão entre a construção e a paisagem.
A distribuição das áreas segue a função. A partir da rua, acessa-se um espaço de conexão que dá acesso à área social mais aberta, como o espaço gourmet equipado com churrasqueira. Este espaço conecta-se ao pavimento superior, onde estão localizados ambientes de lazer e atividades lúdicas, como o ateliê e a sala de jogos. Através de uma grande passarela, o fluxo direciona-se para a área social privada e de uso cotidiano da família, incluindo a cozinha, a sala de estar e a sala de jantar. Seguindo outra passarela e passando por mais um pátio, chega-se à seção dos quartos infantis. Finalmente, uma passarela culmina no hall da suíte principal, onde todos os cômodos são projetados com foco em ventilação cruzada, iluminação natural e belas vistas.
Materiais e Experiência Sensorial
Os materiais escolhidos carregam uma memória particular. Na parte externa, a madeira foi submetida a um tratamento artesanal japonês conhecido como shou sugi ban, após ser queimada, para alcançar a tonalidade e textura ideais que aumentam sua durabilidade e conforto sem perder sua natureza orgânica. Internamente, o carvalho americano passou por diversos testes para atingir o brilho, o aconchego e o tom desejados.
Os limites entre o interior e o exterior são dissolvidos: as paredes externas continuam presentes no interior, e os acabamentos internos se estendem e se transformam em mobiliário, permitindo que um único elemento resolva todas as necessidades funcionais. O texto conclui que a experiência proporcionada pela casa é a expansão da sensação temporal na natureza, inspirando calma e conexão. A luz não apenas ilumina, mas revela, e a obra convida o habitante a fazer parte dela, devolvendo a quem vive nela a experiência de pertencimento ao lugar.