Um incidente dentro do OpenMandriva Linux, envolvendo o desenvolvedor Davide Beatrici e o mantenedor AngryPenguin, levantou alegações de sabotagem contra a distribuição.
Um incidente dentro do OpenMandriva Linux, envolvendo o desenvolvedor Davide Beatrici e o mantenedor AngryPenguin, levantou alegações de sabotagem contra a distribuição.
O OpenMandriva surgiu em 2012, sucedendo o Mandriva Linux. Este último, por sua vez, nasceu da fusão dos projetos Mandrake Linux, originário da França, e Conectiva Linux, vindo do Brasil. Atualmente, a OpenMandriva Association mantém a iniciativa, focando primariamente em usuários domésticos e entusiastas.
Recentemente, o desenvolvedor conhecido como “AngryPenguin”, um dos responsáveis pela manutenção do projeto, utilizou o fórum do OpenMandriva para denunciar o que ele percebeu como uma tentativa de sabotagem à distribuição. Segundo o relato, a controvérsia envolvia Davide Beatrici, desenvolvedor notório por manter o aplicativo de mensagens instantâneas de código-fonte aberto Mumble.
Beatrici havia se integrado ao OpenMandriva e, como parte de sua contribuição, propôs migrar os repositórios da distribuição Linux do GitHub para uma instância privada hospedada na OneDev. Embora houvesse preocupações sobre direcionar a infraestrutura de um projeto extenso para um serviço controlado por um indivíduo, a proposta foi aceita, visto que, como observou AngryPenguin, Beatrici era uma figura bastante reconhecida.
Outras duas pessoas também se juntaram ao projeto junto com Beatrici. Os problemas, segundo AngryPenguin, começaram com uma dessas pessoas, que passou a exibir um comportamento conflituoso com outros membros. Tais transtornos foram tão significativos que levaram outros colaboradores a abandonar o sistema operacional.
A pessoa em questão foi banida de um dos canais principais do fórum do projeto. No entanto, Beatrici não concordou com essa decisão e, consequentemente, optou por cessar sua colaboração com o OpenMandriva. Diante desse cenário, os mantenedores decidiram que não fazia mais sentido manter os repositórios da distribuição Linux na infraestrutura privada de Beatrici. AngryPenguin relatou que isso irritou Davide, que, utilizando privilégios administrativos remanescentes, supostamente sabotou a distribuição durante a madrugada.
Essa suposta sabotagem consistiu na exclusão de certos repositórios e na publicação de um pacote vazio, o qual, segundo AngryPenguin, tornou obsoletos todos os pacotes do Gnome e do Cosmic.
Em resposta ao The Lunduke Journal, Davide Beatrici negou qualquer intenção de sabotar a distribuição. Ele admitiu ter modificado os pacotes do Gnome e do Cosmic, mas alegou que tal ação foi decorrente de uma falha na comunicação. Beatrici argumentou que a medida foi tomada porque o OpenMandriva sempre priorizou o KDE e o LXQt, filosofia que a maioria da equipe apoia, exceto alguns membros.
Adicionalmente, ele mencionou que esses mesmos membros haviam excluído um arquivo de automação de diversos repositórios na OneDev sem consultar previamente, sugerindo que sua intervenção foi necessária por razões de segurança.
Os mantenedores informaram que os repositórios que foram apagados estão em processo de restauração, assim como as funcionalidades dos pacotes que ficaram obsoletos. O incidente serve como um alerta sobre a importância de estabelecer hierarquias claras em projetos como o OpenMandriva e de evitar a concentração de recursos vitais nas mãos de um único indivíduo, visto que conflitos interpessoais podem representar riscos de segurança graves, superando, por vezes, ataques externos.
A OpenAI está enfrentando um novo desafio em uma disputa judicial movida por veículos de imprensa, que a acusam de infringir direitos autorais. Os autores da ação, liderados pelo The New York Times, solicitaram ao tribunal a imposição de «sanções sérias» contra a companhia. A alegação central é que a OpenAI manteve provas ocultas por vários anos, impedindo a análise de milhões de registros do ChatGPT em busca de evidências de que os usuários estavam replicando artigos protegidos por paywalls.
Esses registros são considerados um dos elementos probatórios mais cruciais do caso. Eles poderiam servir tanto para comprovar a violação de direitos autorais pela OpenAI quanto para fortalecer a defesa da empresa de que o ChatGPT utiliza o conteúdo jornalístico de maneira justa e transformadora.
Em uma petição apresentada nesta quinta-feira (9), as organizações jornalísticas alegaram que a OpenAI mentiu reiteradamente ao longo de dois anos para esconder evidências que poderiam prejudicar sua defesa. Essas supostas falsidades vieram à luz após o tribunal designar um novo depoimento do engenheiro de privacidade da OpenAI, Vincent Monaco, que inicialmente foi visto como uma «testemunha mal preparada». Durante um novo interrogatório em abril, Monaco teria revelado que a empresa induziu o tribunal a erro ao alegar, por dois anos, que seria tecnicamente complexo e custoso investigar os registros do ChatGPT.
Os autores argumentam que uma descoberta fundamental foi a alegação da OpenAI de não possuir capacidade técnica para analisar grandes amostras anonimizadas de conversas do ChatGPT, mesmo tendo realizado tal pesquisa antes do início do litígio. Segundo os jornais, a retenção dessas informações essenciais atrasou a fase de produção de provas, elevou os custos do processo e sobrecarregou o tribunal.
Em resposta às acusações, um porta-voz da OpenAI declarou que o pedido de sanções do The New York Times constituiria uma tentativa tardia de acessar mais registros, o que violaria a privacidade de usuários não envolvidos no processo. O representante da empresa também sugeriu que a desistência recente do jornal de algumas alegações indicaria o enfraquecimento da ação judicial. O porta-voz afirmou: «À medida que o caso do Times enfraquece e eles foram forçados a abandonar alegações contra nós, persistem em seus esforços para invadir a privacidade de pessoas que nada têm a ver com este caso, inclusive fazendo essas alegações flagrantemente falsas». Ele acrescentou: «Continuaremos defendendo a privacidade de nossos usuários e os princípios há muito estabelecidos de uso justo».
No entanto, no mês anterior, o porta-voz do The New York Times, Graham James, rebateu essa visão. Ele explicou que a retirada de certas alegações não enfraqueceu o processo, mas o tornou mais focado ao incluir acusações contra a Microsoft. James declarou: «Nossas alegações centrais permanecem as mesmas desde o dia em que ajuizamos este processo — que a Microsoft e a OpenAI roubaram milhões de obras protegidas por direitos autorais do Times para competir com nossos produtos e se enriquecer ilegalmente».
Embora grande parte da moção esteja sob sigilo, os autores informam que Monaco revelou a existência de duas vastas bases de dados já anonimizadas, contendo cerca de dez milhões e setenta e oito milhões de registros do ChatGPT. Os jornais alegam que essas amostras poderiam ter sido disponibilizadas desde o começo do processo para agilizar a coleta de provas. Eles sustentam que a OpenAI nunca divulgou a existência desses conjuntos de dados durante os dois anos de litígio, apesar de a empresa já ter pesquisado essas bases previamente para encontrar conteúdo do The New York Times enquanto desenvolvia um filtro contra a reprodução de material protegido.
Os autores acusaram a empresa de tornar a fase de descoberta «o mais onerosa possível», pois a OpenAI estava disposta e capaz de pesquisar seus registros de saída «quando isso a beneficiava». Ian Crosby, advogado principal do The New York Times, declarou à Ars Technica que a OpenAI dificultou intencionalmente o acesso aos registros para proteger sua defesa baseada no uso justo. Crosby afirmou: «Por mais de dois anos, a OpenAI mentiu para o Times, para os autores do Daily News, para o público e para o tribunal».
Em vez de fornecer as amostras anonimizadas, a OpenAI forçou as organizações jornalísticas a trabalharem por oito meses em um ambiente controlado (sandbox), onde apenas uma amostra fortemente censurada de vinte milhões de registros podia ser consultada. Este volume era consideravelmente menor que os aproximadamente cento e vinte milhões de registros inicialmente solicitados pelos autores. A situação foi agravada porque a OpenAI usou inteligência artificial (IA) para aplicar cerca de dezenove bilhões de censuras nessa base de dados. Segundo os jornais, o volume de ocultações foi tão grande que o próprio tribunal classificou a amostra como «inutilizável». Embora parte dessas censuras tenha sido removida posteriormente, os autores alegam que domínios, nomes e outros campos relevantes para a investigação continuam ocultos, enquanto a OpenAI detém uma amostra de setenta e oito milhões de conversas anonimizadas.
Os autores também apontam que as reuniões de negociação de buscas de dados foram excessivamente longas, causando atrasos na produção de provas. Próximo ao fim da fase de descoberta, a OpenAI teria comunicado que a amostra de setenta e oito milhões de registros estava disponível para inspeção há mais de um ano. Para os autores, essa informação contradiz a postura da empresa durante todo o processo, quando insistia que o acesso a registros extras colocaria em risco a privacidade dos usuários.
Adicionalmente, a OpenAI é acusada de deletar aleatoriamente partes da amostra limitada de vinte milhões de registros e de excluir ou compactar bilhões de conversas que deveriam ter sido preservadas por ordem judicial. O The New York Times relatou que Monaco disse que a empresa simplesmente optou por não cumprir a ampla ordem de preservação do tribunal, considerando-a difícil de ser executada. Os autores enfatizaram: «Não pode haver dúvida quanto à intencionalidade da conduta da OpenAI, nem qualquer desculpa para seu descumprimento. Segundo o Sr. Monaco, a OpenAI pensou em cumprir a Ordem de Preservação do Tribunal, mas depois decidiu não fazê-lo».
As organizações jornalísticas ressaltam que suas solicitações de sanções não são feitas levianamente, mas sim porque a gravidade da conduta alegada exige punições que desencorajem práticas similares por outras empresas de IA. Entre os pedidos feitos ao tribunal, está a proibição de a OpenAI utilizar a amostra de vinte milhões de registros, cuja produção gerou disputa. Os autores também exigem que o tribunal reconheça que os registros de saída continham reprodução substancial de conteúdos protegidos por direitos autorais e impeça a OpenAI de negar isso.
Outro pleito é que o júri seja notificado sobre o apagamento de bilhões de registros, reforçando a tese de que a empresa agiu para esconder evidências sobre o impacto de sua tecnologia no mercado jornalístico. Os autores argumentam que «sanções menores não seriam eficazes», defendendo que «sanções sérias são especialmente apropriadas» devido à suposta má conduta ser «consciente e intencional». Caso o tribunal determine a conduta inadequada, a restrição de acesso imposta às organizações jornalísticas poderia enfraquecer drasticamente sua defesa na disputa de direitos autorais. Os autores concluíram que a discussão sobre se o treinamento de modelos de IA com conteúdo protegido constitui uso justo dependerá, em grande parte, da capacidade de provar danos ao mercado, sendo a posição da OpenAI afetada se a amostra de registros amplamente censurada for descartada pelo tribunal.
A IBM foi novamente alvo de um processo movido pela Xinuos, sob a alegação de que a empresa utilizou código-fonte pertencente à SCO em um projeto baseado no Unix. Este litígio judicial tem raízes em 2003, foi reativado em 2021 e, após ser encerrado em 2025 por prescrição de direitos autorais, foi trazido novamente à justiça em junho de 2026 pela Xinuos, que contesta a interpretação do juiz.
A controvérsia remonta a 1998, quando a Santa Cruz Operation (SCO) e a IBM estabeleceram uma colaboração com o objetivo de desenvolver uma implementação do Unix compatível com diferentes tipos de processadores. A SCO já possuía uma versão do Unix voltada para chips x86, mas buscava expandir suas capacidades. O resultado dessa parceria foi o Project Monterey, que recebeu o apoio da Intel e tinha como foco inicial os processadores Itanium de 64 bits.
O sucesso do projeto dependeu da união de códigos-fonte fornecidos pela IBM e pela SCO, sendo que esta última contribuiu com códigos do sistema operacional UnixWare. Contudo, o adiamento do lançamento dos processadores Itanium impactou negativamente o Project Monterey. Posteriormente, a IBM percebeu a ascensão do Linux e optou por investir nesse ecossistema, resultando no encerramento da participação da IBM na iniciativa em 2001.
Diante desse cenário, a SCO encontrou dificuldades e vendeu suas operações de Unix para a Caldera Systems, que posteriormente alterou seu nome para SCO Group. Essa nova entidade processou a IBM em 2003, acusando-a de incorporar códigos acessados durante o desenvolvimento do Project Monterey em partes do código-fonte do Linux.
Ao longo dos anos, houve diversas movimentações judiciais. Em 2007, o SCO Group sofreu uma revés significativo, pois um tribunal federal dos Estados Unidos reconheceu a Novell como a detentora legítima dos direitos sobre os códigos Unix contestados pela SCO. A Novell, no entanto, optou por não prosseguir contra a IBM, acreditando que nenhum código Unix havia sido implementado indevidamente no Linux.
Em 2011, o SCO Group, em situação delicada, foi forçado a vender seus ativos, que foram adquiridos por uma empresa recém-criada chamada UnXis, que mais tarde passou a ser conhecida como Xinuos. Por um tempo, a Xinuos concentrou-se em oferecer suporte a clientes que ainda utilizavam sistemas como o UnixWare e em lançar versões do OpenServer, um sistema operacional baseado no FreeBSD.
Mesmo com declarações do CEO da Xinuos de que não haveria intenção de retornar aos tribunais, em 2021, meses antes do encerramento definitivo do processo de 2003, a empresa decidiu mover uma nova ação contra a IBM, juntamente com a Red Hat. A alegação da Xinuos era que ambas as companhias agiram para criar um monopólio destinado a sufocar alternativas como o próprio OpenServer, visto que a IBM havia adquirido a Red Hat em 2019.
O processo se estendeu até 2025, momento em que a Xinuos abandonou a acusação de monopólio, aparentemente por não conseguir sustentar suas alegações. Adicionalmente, um juiz de Nova York determinou que a acusação de violação de direitos autorais, que permaneceu ativa, havia prescrito, dado que se referia à ação iniciada em 2003. Parecia que o caso estava finalizado, mas em 22 de junho de 2026, a Xinuos retornou à Justiça, argumentando que o juiz da decisão de 2025 havia interpretado erroneamente as alegações relativas à violação de direitos autorais.
A IBM manteve sua postura de inocência diante deste novo movimento judicial, e atualmente ambas as corporações aguardam o desfecho da nova decisão, embora a perspectiva de um resultado favorável para a Xinuos pareça improvável.