Durante um teste em uma rodovia de 25 quilômetros de reta, o autor avaliou o Volkswagen Jetta GLI 2026, comparando-o com um BMW 320i. O veículo testado possuía 231 cv e demonstrou bom desempenho em trechos retos, embora o autor notasse que o design frontal parecia mais moderno, mas menos agressivo, podendo ser confundido com um Virtus.
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Comparação com modelos anteriores
Ao sair de São Paulo, o autor ressaltou que o GLI era levado por ser um modelo que não era testado desde 2019, quando estreou no Brasil. Naquela ocasião, o GLI tinha uma dianteira mais agressiva, mas com uma grade exagerada, possuía 1 cv a menos e utilizava câmbio de seis marchas em vez de sete. Atualmente, o GLI é visto como o último representante de um segmento que quase desapareceu.
Ergonomia e dinâmica de condução
Em São Paulo, o autor se familiarizou com os comandos e a ergonomia do carro. Ele constatou que o GLI possui pneus de flancos macios, direção bem ajustada mesmo no modo padrão e uma suspensão dianteira que gera ruído ao abrir os amortecedores, um ruído que se intensifica ao final do curso. Embora ache que o banco do motorista poderia ser mais baixo, ele não considerou o carro perfeito.
Conforme a viagem progredia para áreas mais abertas, o foco mudou para aceleração, trocas de marcha, retomadas e frenagem. Em trechos longos e ondulados, ficou evidente o bom entrosamento entre motor e câmbio. Ao acelerar até o final da quarta marcha, o motor ganha vigor, independentemente de estar no modo manual ou automático. O uso do modo Sport aumenta a direção, torna o acelerador mais sensível e ativa o Soundaktor, um sistema que amplifica as rotações do motor.
Desempenho em curvas e acabamentos
Após uma parada em Franca para reabastecer, a rodovia tornou-se mais sinuosa. Somente após cruzar o Rio Grande e entrar no asfalto mineiro, o comportamento dinâmico do GLI foi plenamente revelado. Apesar de não ser um GTI com porta-malas grande, o GLI mostrou-se um carro divertido de dirigir. O autor observou que os pneus Hankook Ventus S1 225/45 R18, embora esportivos, são inferiores aos Michelin Pilot Sport do GTI, confirmando que os flancos e ombros dos pneus são mais macios e a suspensão ligeiramente mais confortável que a do GTI.
A traseira apresenta um ajuste neutro, auxiliando na direção, mas o destaque em curvas é o diferencial eletrônico. O controle de tração permite retomar a aceleração plena cedo para um tração dianteira de 231 cv, sem sufocar o motor.
Pontos negativos e tecnologia embarcada
Em Araxá, em trechos irregulares, a suspensão expôs sua fraqueza: a extensão total do amortecedor provoca um impacto seco e barulhento. Internamente, o autor não gostou do novo arranjo do painel com tela centralizada, preferindo o design integrado do modelo anterior. A operação de funções como ar-condicionado, luminosidade da tela e ventilação ocorre majoritariamente pela tela ou botões capacitivos, o que foi considerado inconveniente.
O quadro de instrumentos é mais refinado que o do Tiguan, mas limitado ao modo completo com dois mostradores. Os bancos oferecem aquecimento e ventilação, mas não possuem massagem. O pacote ADAS inclui frenagem automática, controle de cruzeiro adaptativo e assistente ativo de permanência na faixa. O assistente de manobra, contudo, é irritante, pois alerta sobre proximidade de colunas ao sair de estacionamentos e substitui o assistente de estacionamento por leituras de chão em rampas.
Crise de identidade e custo-benefício
O autor concluiu que o Jetta GLI sofre uma crise de identidade, apresentando pretensões esportivas (tipografia GLI, detalhes vermelhos, modo Sport, pedal de freio de curso curto), mas questionando por que ele é classificado como Grand Luxury e não como Gran Turismo. Ele argumenta que o conceito original da sigla sugere um carro para viagens longas com conforto e rapidez.
O GLI parece um GTI, mas não o Golf GTI, e pode ser confundido com um Virtus no retrovisor. Além disso, ele não possui a configuração mais potente do EA888, que pertence ao Tiguan R-Line (272 cv), sendo um modelo de geração anterior. Pelo preço de R$ 278.500 (ou R$ 280.690 em outras cores), ele se aproxima do Tiguan, mas permite a compra de um GLI e um Virtus GTS pelo mesmo valor, tornando-o um bom negócio se o comprador não priorizar amenidades modernas ou motores mais econômicos.
Em resumo, o Jetta, apesar de sua idade, demonstra características de um carro de 2026, o que é um elogio significativo, e pode ser a escolha mais racional para um entusiasta que não busca o luxo extremo ou o preço elevado do GTI.