O diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a África Ocidental e Central, Gilles Fagninou, alertou sobre o rápido desenvolvimento e propagação do vírus do Ebola durante uma missão realizada em Ituri, província nordeste do Congo, considerada o epicentro da crise.
Desafios de Saúde na Região
Fagninou enfatizou que a epidemia ocorre numa área já afetada por diversos outros problemas de saúde, incluindo questões relacionadas à cólera, poliomielite e dificuldades básicas, como o acesso das mulheres aos serviços de maternidade para dar à luz.
Devido à escassez generalizada de recursos nas infraestruturas de saúde, embora seja necessário intensificar a resposta ao Ebola, o esforço deve ser mantido simultaneamente em todas as outras preocupações sanitárias, defendeu o diretor.
Impacto nos Serviços de Saúde
Como exemplo, o representante da Unicef relatou que, antes do surto, as unidades de saúde em Ituri registravam aproximadamente 130 partos mensais, número que caiu drasticamente para apenas 30 partos por mês atualmente.
Ele mencionou ainda a existência de uma crise de confiança entre as comunidades e os centros de saúde, ressaltando que, apesar da necessidade de foco no Ebola, as doenças tradicionais continuam a causar mortes infantis.
Detalhes da Epidemia
A República Democrática do Congo declarou, em 15 de maio, a sua décima sétima epidemia de Ebola. Esta nova ocorrência é causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual ainda não existem vacinas ou tratamentos estabelecidos, embora recentemente tenha sido iniciado um ensaio clínico para dois tratamentos.
Epidemiologistas e profissionais humanitários expressam receio de que a crise se estenda por vários meses, visto que é difícil determinar a dimensão real da epidemia. De acordo com o último relatório oficial das autoridades sanitárias congolesas, divulgado na quinta-feira, a doença já infectou 1.792 pessoas e resultou em 625 óbitos.



