O Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião para debater o status da Resolução 2231, que endossava o acordo nuclear de 2015 entre o Irão e as principais potências globais, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA).
Posicionamentos e Contestações
A sessão enfrentou oposição da China e da Rússia. A representante da Federação Russa, amparada pelo delegado chinês, contestou a realização da reunião, alegando que a Resolução 2231 já não estava em vigor.
Anna Evstigneeva argumentou que, desde 17 de outubro de 2025, o Conselho de Segurança não possuía autoridade para tratar desses temas. Ela fez referência ao mecanismo de 'snapback', ativado no ano anterior por França, Alemanha e Reino Unido, o qual reativou seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU relativas ao programa nuclear e mísseis balísticos do Irão, restaurou sanções econômicas e reiniciou a suspensão de todo o enriquecimento de urânio.
Relatório da ONU sobre o JCPOA
A diplomata russa acusou certos Estados-membros de infringirem as normas do Conselho de Segurança por motivos políticos e solicitou uma votação sobre a pauta, sendo que a maioria votou a favor da realização do encontro.
Durante a reunião, Rosemary DiCarlo, subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, apresentou o relatório mais recente do secretário-geral sobre a Resolução 2231, cobrindo os eventos de 15 de dezembro de 2025 até 19 de junho passado. O relatório apontou que a AIEA não conduziu nenhuma inspeção no território iraniano, conforme estabelecido pelo Acordo de Salvaguardas do Tratado de Não Proliferação Nuclear, instrumento que anteriormente permitia à agência fiscalizar o cumprimento do JCPOA por Teerã.
DiCarlo informou que a agência também registrou uma deterioração considerável de sua capacidade de monitoramento após os ataques perpetrados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, iniciados em 28 de fevereiro de 2026. Ela declarou que houve uma perda de continuidade do conhecimento em todas as instalações nucleares declaradas do Irão.
A representante da ONU enfatizou que essa perda de continuidade afetou tanto a produção quanto o estoque atual, especificamente de água pesada e concentrado de minério de urânio, e que a agência avaliou que esse conhecimento não poderia ser recuperado.
Perspectivas e Reações Internacionais
DiCarlo defendeu a urgência de novas negociações diante do recrudescimento dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão. O JCPOA, assinado em julho de 2015 em Viena, é um pacto nuclear envolvendo o Irão e o grupo P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha), além da União Europeia. Seu propósito era assegurar que o programa nuclear iraniano fosse estritamente pacífico, limitando o enriquecimento de urânio em troca da suspensão de sanções econômicas.
Donald Trump havia retirado os Estados Unidos do acordo em maio de 2018, durante seu primeiro mandato na Casa Branca, e reimposto sanções ao regime iraniano. Na sessão do dia, Moscou condenou uma suposta postura 'anti-iraniana' do Conselho, afirmando que os países ocidentais culpavam injustamente Teerã pelo colapso do acordo, quando na verdade o pacto foi prejudicado pela saída dos Estados Unidos em 2018.
Anna Evstigneeva acrescentou que Reino Unido, França e Alemanha agravaram a situação ao apoiarem os ataques dos Estados Unidos contra o Irão. A delegada russa sustentou que as apreensões sobre o programa nuclear iraniano são infundadas, observando que a AIEA jamais verificou a transferência de material nuclear para fins militares no país.
Por sua vez, o representante da China incentivou Teerã e Washington a retomar as conversações, a 'eliminar distrações', a tratar das preocupações legítimas de ambos os lados e a suspender as sanções contra o Irão o mais breve possível. O representante de Pequim defendeu que, embora o Irão deva cumprir seus compromissos do Tratado de Não Proliferação Nuclear, ele retém o direito de utilizar a energia nuclear para fins pacíficos.
A representante norte-americana presente na reunião declarou que, embora Washington prefira a diplomacia, os Estados Unidos responsabilizarão o Irão por violar a paz internacional. Tammy Bruce alertou: 'Se vocês atirarem contra alvos civis ou navios, nós responderemos'. Por fim, a Alemanha assegurou estar pronta para apoiar a remoção das sanções ligadas ao programa nuclear, contanto que o Irão implemente 'medidas concretas e verificáveis' em relação ao seu programa e retorne a cumprir integralmente suas obrigações sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear.
