De acordo com um novo relatório do Bureau for Economic Research (BER), o colapso das estruturas municipais está a ter um impacto profundamente negativo na economia da África do Sul, e a situação está a deteriorar-se a um ritmo alarmante.
Situação financeira dos órgãos locais
Este relatório foi publicado após o Ministro das Finanças, Enoch Godongwana, anunciar a suspensão da transferência de quota justa para julho de 2026 a 69 municípios. A razão é o incumprimento da Lei de Gestão de Finanças Municipais (MFMA) e a má gestão dos fundos municipais.
A investigadora do BER, Claire Bissaker, observou que cidades e assentamentos em toda a África do Sul estão a falhar devido a anos de subfinanciamento de infraestruturas e serviços. Ela alertou que, se este problema não for contido, o país enfrentará um risco crescente de colapso municipal sistémico, o que acarretará graves consequências sociais e económicas.
Problemas nas grandes cidades
O relatório também indicou que os alicerces de Joanesburgo estão a enfraquecer após uma década de tensão financeira prolongada e investimentos insuficientes em infraestruturas vitais. Bissaker salientou que uma situação semelhante se repete em muitos assentamentos sul-africanos e parece estar a agravar-se.
Além disso, o último Índice Anual de Sustentabilidade Financeira Municipal (MFSI) da agência de classificação Ratings Afrika, baseado nos resultados financeiros dos 128 maiores municípios no ano fiscal terminado em junho de 2025, demonstra uma continuação da deterioração da situação a 'ritmo alarmante'.
Aumento do défice e escassez de liquidez
Segundo o relatório, o défice operacional agregado destes 128 municípios aumentou para 39 mil milhões de randes, em comparação com 35 mil milhões de randes em 2024. O défice agregado de liquidez cresceu para 129 mil milhões de randes, em comparação com 107 mil milhões de randes em 2024 e 55 mil milhões de randes em 2021, representando um aumento de quase 20 mil milhões de randes por ano nos últimos quatro anos.
Leon Classen, diretor executivo da Ratings Afrika, afirmou que estas tendências não são apenas sinais de dificuldades financeiras, mas sim evidência de uma falha sistémica que mina cada vez mais a prestação de serviços, a sustentabilidade das infraestruturas e o crescimento económico. Ele reiterou a preocupação com o risco crescente de colapso municipal sistémico na África do Sul.
Medidas governamentais e disciplina financeira
O Ministro das Finanças, Enoch Godongwana, explicou que a suspensão dos pagamentos é uma medida corretiva, e não punitiva. O objetivo deste passo é implementar a disciplina financeira e garantir a correta gestão dos fundos públicos, bem como responsabilizar os funcionários municipais por despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e dispendiosas.
O relatório também observou que o sistema municipal sul-africano enfrenta uma pressão financeira aguda, o que é confirmado pelo relatório do auditor-geral de 2024/2025, emitido em junho. Este relatório aponta para fragilidades constantes na gestão e má administração financeira, juntamente com classificações frágeis dos órgãos locais pela Moody's e tendências negativas no último relatório do Ministério das Finanças sobre receitas e despesas locais.
Godongwana declarou que muitos conselhos continuam a aprovar orçamentos infundados, não processam despesas não autorizadas através dos seus Comités Municipais de Contas Públicas (MPACs) e negligenciam a gestão de consequências. Ele enfatizou que as deficiências internas, as estruturas de governação fracas, a falta de responsabilidade e o controlo financeiro ineficaz agravam os problemas externos e minam diretamente a prestação de serviços.
O Ministro também informou que, apesar de anos de apoio, liderança e formação, muitos municípios continuam a aprovar orçamentos infundados e a acumular despesas não autorizadas, além de não cumprirem os seus compromissos com a Eskom, as empresas de abastecimento de água, a SARS, o Auditor-Geral e os fundos de pensões. Godongwana apelou aos cidadãos sul-africanos para que lhes sejam fornecidos municípios financeiramente sustentáveis, responsáveis e capazes de prestar serviços, afirmando que recorrer à Constituição sinaliza a seriedade das intenções em relação à governação, responsabilidade financeira e Estado de direito.
Ele acrescentou que os fundos estão a ser redirecionados em tranches diretamente para a Eskom, empresas de abastecimento de água e órgãos governamentais para proteger a eletricidade, a água e as pensões. Os municípios que demonstrarem conformidade verão a recuperação das suas transferências, e a conformidade será rigorosamente monitorizada. Os conselhos municipais devem processar despesas não autorizadas através dos seus MPACs, compensar perdas e implementar a gestão de consequências.



